O termo “Foi de Americanas” parece familiar? É que depois que a dívida bilionária da rede de lojas veio à tona, a gíria começou a ganhar a internet, geralmente sendo usada para indicar que uma pessoa está em algum tipo de apuro financeiro ou perto da falência.
Assim como no caso da empresa, se a situação está começando a ficar complicada ou já está em nível crítico — mesmo que você não deva R$ 40 bilhões —, é preciso parar e rever as contas, antes que o problema se agrave ainda mais.
A educadora financeira Carol Campos explica que, para evitar o endividamento, é importante saber reconhecer os sinais de alerta. Um dos principais é quando o orçamento do mês começa a ficar apertado ou as contas com saldo negativo.
“O primeiro passo é sempre olhar o presente. Se o orçamento do mês já está fechando apertado ou negativo, você pode ter que usar dinheiro do próximo mês para cobrir cheque-especial, cartão, juros, imprevistos. Então, já vai ter o próximo mês com orçamento reduzido. Se isso não for controlado rapidamente, a situação pode se transformar em uma bola de neve.”
Ela observa que é preciso ter dimensão do quanto se ganha e das despesas, inclusive os gastos futuros, como aqueles que vêm em forma de parcelas, seja de compras, financiamentos, seja o que for.
“Faça uma planilha, no Excel ou no papel, se preferir, listando, projetando, mês a mês, as parcelas para o ano todo, projetando o fluxo de caixa para não ser pego de surpresa. É muito comum a pessoa achar que consegue fazer todas as contas de cabeça e acabar se surpreendendo depois.”
Mas se o endividamento já aconteceu, por um ou outro motivo, é preciso adotar outras medidas, conforme observa a educadora financeira.
“A primeira coisa que recomendo é que a pessoa converse com o credor, tentando reduzir os juros e evitar que o nome fique sujo. E evite, em todas todas as circunstâncias, pegar dinheiro com agiota, ou até mesmo com conhecido que cobre juros. Isso é muito forte no Brasil e endivida muito as famílias”, alerta.
É recomendado quitar o máximo de contas possíveis e, prioritariamente, aquelas sobre as quais incidem taxas de juros mais altas, que acabam implicando em um crescimento considerável da dívida, ainda que seja diluída em múltiplas parcelas.
“Mas por mais que faça isso, é preciso mudar a mentalidade. Se não fizer isso, a tendência é que esses problemas acabem se repetindo e que precise renegociar de novo e de novo.”
O diretor de novos negócios da Multimarcas Consórcios Fernando Lamounier destaca que a educação financeira é a solução e que “a consciência de gastos e o planejamento para realização de grandes projetos beneficia não apenas o detentor do dinheiro, mas todos ao seu redor.”
Lamounier explica ainda que o uso da regra 50/30/20, ajuda na organização das finanças e prioriza as despesas mais importantes, evitando o endividamento.
“A regra financeira é simples e separa o orçamento em três partes: 50% para gastos fixos e essenciais, 30% para gastos variáveis e que podem ser cortados caso necessário e 20% para investimentos ou criação de um fundo de reserva.”
O especialista alerta ainda que é preciso acompanhar de perto as receitas e as despesas para poder se manter sempre no azul, de modo a identificar os pontos de melhoria e traçar objetivos.
Confira as dicas
01
Enxugue os gastos
Analise o momento presente. Se o orçamento estiver apertado, se o saldo das contas negativo ou houver boletos não pagos, é preciso fazer ajustes.
02
Anote tudo
Não deixe o orçamento na cabeça. Faça uma planilha, no Excel, ou no papel, listando ganhos e gastos, mês a mês, de modo a ter uma noção do fluxo de caixa.
03
De olho nas despesas fixas
Liste as despesas fixas, como aluguel, luz, água, gás, internet, média de gastos com alimentação, entre outras despesas recorrentes.
04
Prepare-se para despesas futuras
Projete também outras despesas futuras, como parcelas de compras, financiamentos, entre outras.
05
Negocie e se planeje
Se o endividamento já aconteceu, a primeira coisa a se fazer é conversar com o credor a fim de tentar encontrar formas alternativas para fazer o pagamento. Caso a dívida seja parcelada, por exemplo, certifique-se de incluir as parcelas na previsão mensal de gastos.
06
Cuidado com empréstimos arriscados
Não recorra a agiotas e evite pegar dinheiro com conhecidos que cobrem juros, pois além do risco financeiro, as relações podem acabar se complicando.
07
Atenção aos juros
Além das despesas essenciais, priorize as contas sobre as quais incidem as maiores taxas de juros, e podem fazer com que a dívida cresça significativamente.
08
Busque uma renda extra
Se, apesar de todos os esforços, os gastos ainda estiverem sufocando o orçamento, considere buscar uma fonte de renda extra.