Falar de velhice e de morte é difícil e, muitas vezes, constrangedor. Existe um medo natural dos avós e dos pais de deixarem seus filhos mimados e fracos para enfrentar a vida. Há, ainda, os que dizem: "Os herdeiros que se virem, já estarei morto!"
Dessa forma, a ferramenta serve ao operário; não o contrário. Ela será boa para você. O planejador financeiro, o assessor de investimentos e o consultor são treinados e cobrados para achar a ferramenta que melhor permitirá, a você, gerir o seu futuro e de todas as demais gerações de sua família.
Eu, Carol Campos, já passei por um processo de inventário e afirmo que as dores de cabeça são fortes, longas e de difícil tratamento. Não desejo que nenhum de vocês sofra 1% do que minha mãe, viúva, e seus filhos passaram — no caso, meu irmão e eu.
O inventário é um procedimento legal que precisa ser iniciado em até 60 dias depois que uma pessoa morre. Nesse processo, são identificados o patrimônio da pessoa falecida para a transmissão aos herdeiros necessários.
O processo é burocrático e doloroso, pois a família, mesmo convivendo com o luto, não pode demorar para atuar: caso contrário, ela mesma pode ser penalizada com multa por atraso.
Eu aprendi uma lição valiosa: se a pessoa falecida não deixar seu patrimônio em ordem ainda em vida, familiares/herdeiros terão muito trabalho na regularização. Mesmo sem dívidas, como foi nosso caso.
E quais são as ferramentas específicas? Os produtos financeiros são os mais diversos. Não cabe aqui a recomendação, visto que cada cliente é único. O importante é saber que, a começar por um
Plano de Previdência Aberto até uma holding familiar, há diversas opções; e tudo dentro da lei.
Como educadora financeira e colunista de finanças, garanto que o processo não diz respeito apenas ao dinheiro, bens e trâmites legais; ele é educacional.
É preciso educar filhos, netos e sobrinhos. É lamentável quando o arrimo da família aprende, investe e faz o planejamento financeiro e sucessório com esplendor e os herdeiros perdem tudo após tomarem posse. Muitos não são capazes de manter o que receberam, sequer multiplicar.
É preciso abordar esse tema sempre. Hoje, pode não ser relevante do seu ponto de vista, mas é inescapável falar sobre ele um dia. É preciso falar de efeitos. Em outras palavras: como preservar seu patrimônio de forma que ele seja repassado aos seus herdeiros da forma menos burocrática, onerosa e litigiosa possível. É como fazer isso tanto para os endinheirados, como para os endividados. Herda-se o bônus, bem como o ônus.
Responda com carinho e com cuidado todas essas perguntas e, naturalmente, outras surgirão. Esvazie seu cérebro e deixe em um lugar onde alguém de confiança possa encontrar em caso de emergência. Só de analisar o panorama, sua mente entrará em modo "organizado" e estará em paz.
No caso dos endividados, liste as dívidas. Organize por ordem decrescente de juros. Veja se há seguro prestamista vinculado. Converse com especialistas, leia e aprenda sobre seguros e analise se é viável fazer um para proteger seus herdeíros. Enquanto isso, amortize o máximo possível da dívida.