Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Educação financeira

'Não', 'caro', 'barato': palavras que ensinam a criança sobre dinheiro

No supermercado ou na loja de brinquedos, fale sobre o valor dos produtos com seriedade, paciência e repetidamente; ela vai aprender e refletir na próxima vez em que pedir algo

Publicado em 15 de Setembro de 2023 às 09:03

Públicado em 

15 set 2023 às 09:03
Carol Campos

Colunista

Carol Campos Carol Campos
As crianças da sua família tem acesso à educação financeira? Se a resposta for "não", comece você mesmo a ensiná-las. Além de ensinar, você aprende e reforça o aprendizado, o que gera proficiência.
Ensinar algo complexo não exige simplificação, basta repetição. Muitas pessoas acham que para instruir sobre assuntos mais elaborados é preciso fazer voz de criança, jeito de criança, desenhar como criança.
Falar sobre finanças exige repetição, seriedade e paciência. Gosto de dar o exemplo da minha sobrinha.
Crianças, educação financeira, dinheiro, contas, economia, brincadeira, jogo, banco imobiliário, orçamento familiar
Use as palavras “caro” e “barato”; a criança vai memorizando os valores e associando à importância do item Crédito: Shutterstock
Uma vez, fomos ao supermercado e ela pediu um chiclete. Deixei que escolhesse. Era um no pote rosa. Ao chegar ao caixa, ela viu um pacote de chiclete no formato de melancia, só ouvi: “Olha, tia! Deixa eu levar esse?”. Fui objetiva, serena e mansa: “Querida, você terá que escolher entre um ou outro. Eu posso pagar os dois, mas como educadora financeira tenho que te ensinar o caminho mais difícil: o da escolha!”.
Não fiz cara de dó, não fiz voz infantil, não fiquei olhando. Ela teve o tempo da fila para pensar, olhar e tocar os dois (quando é possível, deixe tocar! Isso já elimina a curiosidade, na maioria das vezes). Chegou a tentar mais uma vez (o que achei bom!): “Deixa, tia!”. Eu disse: “Não, querida!”. Rapidamente, ela viu que estava chegando nossa vez e que não flexibilizei. Escolheu o rosa.
Muito tempo depois, voltamos ao supermercado e ela pediu direto o que tinha formato de melancia. Senti que se tornou até mais objetiva na hora de pedir as coisas. Parece que agora reflete antes o que quer porque sabe que limitarei.
Outro caso foi quando precisei comprar algo que tinha em uma loja de criança. Ela viu a maquiagem de uma personagem famosa e pediu. Eu falei que iria pensar. Enquanto a atendente embrulhava o que precisava, refleti. E perguntei: “Você vai usar esse monte de maquiagem? Todas?”. Ela disse: “Talvez!”.
Então, negociei para estimulá-la a entender o meu "não": “Não é nenhuma data especial, não tenho certeza se é bom você tão nova usar toda essa maquiagem. Então, não te darei por hora. Se um dia eu achar que posso te dar, te presentearei em uma data especial”.
Com o tempo, pega-se a prática, e garanto que o argumento valerá até para si mesmo. Ao fazer isso com a criança, fica natural negar para você mesmo.
Outra tática importante é usar as palavras “caro” e “barato”. A criança vai memorizando os valores e associando à grandeza e à importância daquele bem. Uso essas palavras, principalmente, quando nego o uso de algo em casa. Digo que ainda não tem idade e destreza, se deixar cair para comprar outro será caro.
Nas lojas e nos supermercados, fale abertamente que não vai comprar essa ou aquela marca porque está caro, que pode escolher entre as opções mais baratas e aponte os produtos. Isso serve, também, para produtos não saudáveis. Esclareça que, embora o produto esteja barato, não faz bem para a saúde. Ou que, além de caro, não é adequado.
Não espere a escola, a prefeitura, o estado, o governo ensinar. Comece já! Apenas comece! No início, os efeitos são mínimos, mas, no futuro, serão grandiosos.
Tenham um bom final de semana e se preparem para o Dia das Crianças. Seja mais presente nesse dia especial e dê menos presentes.

Carol Campos

Carol Campos Carol Campos

E administradora, especialista em Gestao de Recursos Humanos e profissional certificada Anbima CPA-10 e CPA-20. Tem 23 anos de experiencia com orcamento, investimentos e planejamentos previdenciario e sucessorio. Trabalha com ESG e na prevencao de lavagem de dinheiro.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Estudante de Direito, Matheus Stein Pinheiro,acusado de matar namorada no ES pode não ser punido por crime
Psiquiatras reafirmam laudo de doença mental de jovem que matou namorada no ES
Imagem de destaque
Secult determina paralisação de obra no Penedo, em Vila Velha
Corrida inédita no Porto de Vitória e aquathlon, prova que combina natação e corrida, provocam bloqueios no trânsito. Confira a mudança das vias.
Veja as interdições no trânsito de Vitória para provas esportivas neste domingo (20)

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados