Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Queda da moeda americana

Dólar a R$ 4,20 ainda em 2024: você acredita?

Em entrevista recente, Bruno Serra, gestor da Itaú Asset, defendeu que no terceiro trimestre deste ano podemos ver o dólar atingir o patamar de R$ 4,20

Publicado em 15 de Janeiro de 2024 às 09:00

Públicado em 

15 jan 2024 às 09:00
Andre Motta

Colunista

Andre Motta

dólar, real
A dinâmica do câmbio hoje é outra, com mais motivos para uma queda da moeda americana do que para uma alta Crédito: Getty Images
Em entrevista recente, Bruno Serra, gestor da Itaú Asset, defendeu que no terceiro trimestre deste ano podemos ver o dólar atingir o patamar de R$ 4,20. Ele deixa claro que o número é um chute, mas que os fundamentos para uma queda forte do dólar estão presentes. Quais seriam eles?
Nós vivemos um período inédito de juros baixos entre 2018 e 2020. Isso fez com que o principal produto exportado pelo Brasil, o que na nossa história recente mais atraiu dólares para cá, a nossa renda fixa, perdesse atratividade. Junto disso, empresas importantes brasileiras, que possuíam grandes dívidas em dólares como a Petrobras, aproveitaram este período para reduzi-las, evitando assim a internação dos dólares de suas exportações. Isto fez com que o real se desvalorizasse e atingisse patamares próximos a R$ 6,00 nos últimos anos.
No entanto, essa dinâmica se mostra bem diferente para 2024. Nosso diferencial de juros está alto, nossa inflação relativamente sob controle, nosso Banco Central vem se mostrando conservador no ritmo de queda da taxa Selic, o que deve manter nossa renda fixa bem atrativa ao longo do ano. Além disso, temos um boom de exportações, safra recorde, cotação do minério de ferro em alta e principalmente petróleo. O aumento de produção em curso vai aumentar de forma significativa nossas exportações do ouro negro e isso se traduzirá em uma forte entrada de dólares no país. E, agora, diferente dos anos passados, não há mais empresas exportadoras retendo suas remessas para pagamento de dívida.
Todos os motivos expostos por Bruno Serra parecem fazer sentido. Quem seria o comprador de tantos dólares aqui no Brasil? Os estrangeiros retirando recursos do país, num cenário de juros estáveis ou em queda nos Estados Unidos? Não faz sentido. Isto só aconteceria se o governo metesse os pés pelas mãos nas contas públicas, não me parece provável. A única entidade que consigo pensar seria o Banco Central, porém não consigo visualizar uma motivação forte para isto, pelo contrário um câmbio apreciado é benéfico para inflação e nos permitirá uma taxa Selic mais baixa.
A realidade é que prever o patamar do dólar é algo que nenhum economista ousa, isso já se mostrou por demais complexo. No entanto, temos motivos para entender que a dinâmica do câmbio hoje é outra, com mais motivos para uma queda da moeda americana do que para uma alta. Estamos todos presos ao viés da ancoragem do passado recente, de inflação e taxas de juros em alta, um real depreciado e uma bolsa barata, que não sobe. Acredito que isso tem mantido as expectativas pessimistas no momento e que, com o passar dos meses, começará a mudar.
Podemos sim ver uma taxa Selic abaixo dos 9%, com inflação próxima da meta de 3% e um dólar abaixo dos R$ 4,50. Acredito que dependerá mais da dinâmica da economia mundial do que propriamente de ações do governo federal e, olhando atentamente para o mundo, o bicho não parece assim tão feio. Não diria que todos os números acima são prováveis, mas hoje mostram-se bem possíveis.

Andre Motta

Formado em engenharia civil pela Ufes, pos-graduado em Financas pelo IBMEC-MG e com mestrado em Administracao pela Fucape, geriu o clube de investimentos Investvix entre 2011 e 2015. E assessor de Investimentos na Valor Investimentos desde 2016

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Perspectiva do Porto Central, em Presidente Kennedy
O potencial do parque logístico do Sul do ES em um número
Imagem de destaque
Horóscopo do dia: previsão para os 12 signos em 06/05/2026
GWM SOUO S2000-
Motocicleta Souo 2000 da GWM é cruiser de luxo equipada com motor de oito cilindros

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados