O resultado das próximas eleições de outubro será decisivo para o destino da Lava Jato. A eventual vitória de candidatos envolvidos em corrupção representará o fim da maior operação de caça aos corruptos da nossa história e uma derrota de todos aqueles que se dedicaram a desvendar os responsáveis pela organização criminosa que institucionalizou o saque despudorado aos cofres públicos brasileiros.
Se alguém ainda tem dúvidas sobre isto, é importante ouvir o desabafo do procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, integrante da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba: “Estamos na linha de tiro, com a cabeça a prêmio”.
Lima foi um dos palestrantes do evento “Diálogos sobre Integridade”, realizado pela Rede Gazeta na última segunda-feira, 26. Ele foi claro ao definir o momento vivido pela Lava Jato ao contar que sente a mesma sensação do médico de uma peça teatral que descobre que a água que é consumida pela população de um lugarejo está contaminada; o médico proíbe o consumo da água e, num primeiro momento, é aplaudido, mas com o passar do tempo passa a ser visto como um inimigo do povo porque, muitas vezes, o povo prefere a mentira.
Por isso, Lima considera que a população precisa entender que a corrupção não é um problema a ser enfrentado somente pelas autoridades mas por toda a população. Desta forma, nas eleições, “precisamos decidir se queremos um país republicano” aproveitando o “momento histórico de mudanças” que estamos vivendo. “Se não houver a real vontade de mudar, nada muda” e, o que é pior, poderemos passar a aceitar o roubo como uma coisa normal e não como um crime.
“A Lava Jato é só um episódio histórico que mostra o que acontece no país”, disse Lima, para completar: “Mas quem decide que país queremos é a população e esperamos que ela entenda que estamos vivendo um momento histórico de mudanças”. Para Lima, todos somos agentes de mudança e as eleições são o momento em que essa mudança poderá, de fato, ocorrer: “Esperamos que a população discuta, reflita e, nas eleições, decida efetivamente extirpar a corrupção da nossa política”.
O ministro do STF, Luís Roberto Barroso, outro palestrante do mesmo evento, fez alerta semelhante com outras palavras: “Já conseguimos separar o joio do trigo. O problema é a grande quantidade de pessoas que ainda prefere o joio”. Para ele, é preciso que todos compreendam que o crime de colarinho branco “é gravíssimo porque mata” ao tirar leitos de hospitais e escolas dos mais pobres.
O recado foi dado e muito bem dado. O que nos resta é refletir sobre ele e decidir com consciência o futuro do país na hora de dar o voto em outubro.
*O autor é jornalista