Ex-comandante-geral da Polícia Militar do Espírito Santo (PMES) e ex-secretário estadual de Segurança Pública, o coronel da reserva Nylton Rodrigues foi anunciado como pré-candidato do partido Novo a prefeito de Vitória em 2020, em evento do partido na Fucape Business School, na noite desta quinta-feira (12).
Caso se confirmem a candidatura de Nylton e também a do deputado estadual Capitão Assumção pelo PSL (ou pelo novo partido de Bolsonaro), poderemos ter, na eleição na Capital, um duelo à parte entre dois oficiais da reserva que foram notórios adversários nas fileiras da PMES e que tiveram papéis opostos na greve da tropa em 2017: enquanto Nylton assumiu o comando-geral no auge do movimento e jamais tolerou a sedição, Assumção foi processado administrativa e judicialmente como um dos líderes da greve, ficou preso por meses e já tem uma condenação na Justiça de primeiro grau por isso. Jamais perdoou Nylton e, frequentemente, ataca o coronel da tribuna da Assembleia.
Nada que importe a Nylton, conforme ele mesmo conta nesta entrevista sobre o seu surpreendente ingresso nessa corrida eleitoral:
O senhor confirma que o empresário Aridelmo Teixeira renunciou à disputa em Vitória em seu favor e que o senhor será o candidato do Novo a prefeito de Vitória? Com que disposição o senhor entra nessa disputa?
Confirmo. Sou o pré-candidato do Novo à Prefeitura de Vitória. O Aridelmo é um amigo que ganhei na vida, uma pessoa que está me ajudando muito, está construindo um projeto grande e fortalecendo o Novo no Espírito Santo. Ele assume essa responsabilidade de potencializar o Novo. Isso está em boas mãos. O Aridelmo é um grande gestor e começou do nada.
Por que o Novo?
O Novo é um partido que tem um propósito de fazer política de um jeito novo, estabelecendo como princípio prioritário a meritocracia. Enxergamos que temos que virar a página das indicações políticas para preenchimento de cargos comissionados, no nosso país, no nosso Estado e principalmente dentro da nossa cidade. Entramos no Novo porque o partido tem princípios e filosofia muito parecidos com os meus princípios, com os quais conduzi toda a minha carreira profissional.
Dentro da PMES, inclusive?
Exatamente. Inclusive, na PMES, nós modificamos as leis de promoção dos oficiais e praças. Eram leis antigas, da década de 1940, em que o único critério para a promoção era a antiguidade. Era como se você entrasse numa fila e esperasse o seu tempo. E isso gera zona de conforto, não gera eficiência. Então mudamos essa lei quando comandei a PMES, estabelecendo o mérito. É claro que a antiguidade é importante, mas não pode estar sozinha. É o anseio da sociedade, que quer gestores e funcionários eficientes. Para se ter eficiência, é preciso ter a meritocracia.
A sua candidatura é irrevogável?
Nada pode me fazer desistir da candidatura. Sou novo. Estou cheio de energia, no auge da minha maturidade profissional. Tenho experiência muito grande em gestão pública e quero utilizá-la agora na política. É um novo ciclo que começo na minha vida. E é irrevogável.
O senhor está preparado para um embate nas urnas com o Capitão Assumção?
Não estou preocupado com outras candidaturas, mas apenas com propostas para a melhoria da vida do morador de Vitória. É só isso que me importa.