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"A Justiça acertou ao condenar o Capitão Assumção"

Ex-comandante-geral da PM e ex-secretário de Segurança diz que a greve de 2017 não representou o sentimento da corporação

Publicado em 07 de Outubro de 2019 às 06:00

Públicado em 

07 out 2019 às 06:00
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes Leonel Ximenes

Ele tirou a farda, o terno e frequentemente é visto com a camiseta do Novo, o partido de direita que prega ideias liberais para o país. O coronel da reserva Nylton Rodrigues frequenta com desenvoltura os bastidores da política com um objetivo ambicioso: ser candidato a prefeito de Vitória no ano que vem. "Acredito na necessidade da renovação política, na necessidade da presença de novos integrantes na política, experimentados e com serviços prestados. Tenho essa qualificação", afirma o militar, que nesta entrevista analisa o que representou para a PM e a sociedade a greve da corporação em 2017.

O que o sr. achou da decisão da Justiça, que condenou o Capitão Assumção a cinco anos de prisão pela participação na greve da Polícia Militar?

Evidentemente que a decisão da Justiça é acertada. Está patente que um pequeno grupo dentro da instituição, movido por projeto político pessoal, promoveu a incitação e a prática de transgressões disciplinares, insubordinações e crimes com o flagrante objetivo de gerar o caos social em nosso Estado, tudo isso como insana estratégia de buscar ganho de votos. Os prejuízos para a Polícia Militar e toda sociedade capixaba foram gigantescos. Defendo que todo indivíduo deve ser submetido às leis de forma isonômica e sem privilégios.

Passados dois anos e oito meses daquele movimento, o sr. acha que a PM está pacificada e motivada?

Aquele movimento não representa o sentimento dos integrantes da Polícia Militar. Nunca houve uma assembleia para deliberar sobre o movimento, muito menos uma decisão pró-movimento. Os integrantes da Polícia Militar são ordeiros e responsáveis com a sociedade capixaba e com os princípios e valores institucionais. Nós, policiais militares, merecemos uma melhor remuneração e sabemos que é legítima nossa reivindicação, mas temos a consciência de que o caminho deve ser pautado pela legalidade e respeito. Há 184 anos a PMES protege a sociedade capixaba com a mesma motivação, comprometimento e coragem.

Na época, o sr. era comandante-geral da PM. Houve erros de seu comando e do governo na condução da negociação com os grevistas?

O papel do líder é dialogar, falar a verdade, cumprir a lei e fazer o que é certo, mesmo enfrentando duras e injustas incompreensões. Isso foi feito. Naquela época enfrentávamos a maior crise econômica dos últimos tempos em nosso país, e nosso Estado estava no limite do alerta da Lei de Responsabilidade Fiscal. Passamos pela dura crise econômica mantendo as contas organizadas e ainda com importantes avanços em áreas sociais. Poderosos Estados caíram de joelhos diante da crise, mas o Espírito Santo manteve-se de pé. Hoje nosso Estado possui condições de avançar graças ao modelo de gestão do último ciclo de governo que transformou nosso Estado em referência para todo Brasil.

O sr. rompeu com o prefeito Audifax e deixou a Secretaria de Segurança da Prefeitura da Serra. Vai mesmo ser candidato a prefeito de Vitória? Acha que tem bagagem política e administrativa suficiente para esse desafio?

Fui secretário municipal do prefeito Audifax por duas oportunidades, o que acrescentou muito em minha vida profissional. Só tenho agradecimentos a fazer ao Audifax, porém sou nascido e criado em Vitória. Sou morador de Vitória. Nasci naquela maternidade que existia na Reta da Penha, onde funciona hoje um shopping. Coloquei meu nome à disposição do partido Novo para pré-candidato a prefeito de Vitória. Participo de um processo seletivo dentro do Novo com esse objetivo. Acredito na necessidade da renovação política, na necessidade da presença de novos integrantes na política, experimentados e com serviços prestados. Tenho essa qualificação.

Como o sr. avalia a política de segurança de Bolsonaro e a atuação do ministro Moro?

A essa altura do campeonato ser anunciado pelo governo central um laboratório em cinco municípios de um país que tem 5.570 municípios é, no mínimo, muito tímido. Em minha opinião o governo federal deve assumir seu papel no enfrentamento à violência começando por criar de fato o Fundo Nacional de Segurança Pública, fazendo chegar dinheiro em quantidade que possa impactar em investimentos e fortalecimento das instituições policiais estaduais.

E a do governador Witzel, do Rio? O caminho é o “tiro na cabeça” de quem estiver portando fuzil?

Esse é mais um discurso populista que não resolve o problema. O caminho que devemos percorrer com urgência é o da promoção de políticas públicas em áreas de alta vulnerabilidade social marcadas pela violência urbana, com o objetivo de estabelecer uma rede de oportunidades de educação, empreendedorismo e de renda para jovens com maior exposição à violência, aumentando o percentual de meninos e meninas estudando e trabalhando. Para o criminoso, os rigores da lei.

De zero a dez, que nota o sr. dá à política de segurança do governador Casagrande? Por quê?

Fui comandante-geral da PM e secretário de Segurança Pública de nosso Estado, não convém agora eu ficar prognosticando uma nota. O que posso dizer é que como capixaba e morador desse Estado estarei sempre à disposição para ajudar no que for necessário. Desejo sucesso ao governo estadual.

O sr. está no partido Novo, que está mais à direita do espectro político. O sr. é de fato um liberal na política e na economia? É a favor da privatização da Petrobras, do Banco do Brasil e da Caixa?

Sim, sou um liberal. Acredito nas reformas modernizadoras do Estado, acredito que quem deve administrar empresas é a iniciativa privada e que o Estado deve priorizar investimentos nas áreas de educação, segurança, saúde, ciência/tecnologia e assistência social. Acredito que precisamos perseguir a diminuição da cruel desigualdade em nosso país, a eficiência da gestão e o crescimento econômico.

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Leonel Ximenes

Leonel Ximenes Leonel Ximenes

Iniciou sua história em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De lá para cá, acumula passagens pelas editorias de Polícia, Política, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Também atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 é colunista. É formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo.

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