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"Presente de Natal"

Sem paz natalina na Assembleia: Erick exonera assessores de adversários

Ao todo, Iriny Lopes (PT), Fabrício Gandini (Cidadania), Luciano Machado (PV) e Coronel Quintino (PSL) tiveram sete comissionados demitidos de cargos ligados à Mesa Diretora. Todos são aliados do governo Casagrande

Publicado em 20 de Dezembro de 2019 às 17:57

Públicado em 

20 dez 2019 às 17:57
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas Vitor Vogas
Erick Musso discursou após eleição antecipada, convocada sem divulgação prévia Crédito: Tati Beling/Ales

O "presente de Natal" do presidente da Assembleia, Erick Musso (Republicanos), para alguns outros deputados, veio um pouco adiantado e é mais indigesto do que aquele arroz com lentilhas misturado com aquelas rabanadas da sogra:  ao todo, Iriny Lopes (PT), Fabrício Gandini (Cidadania), Luciano Machado (PV) e Coronel Quintino (PSL) tiveram sete assessores exonerados por Erick. Eles ocupavam cargos comissionados diretamente subordinados à Mesa Diretora – aqueles que são providos (ou desprovidos) a critério do próprio presidente. Essas e outras exonerações foram publicadas na edição desta sexta-feira (20) do Diário do Poder Legislativo.

Em comum, Iriny, Gandini, Machado e Quintino são parlamentares fortemente alinhados com o governo de Renato Casagrande (PSB) e não tanto com o presidente Erick Musso. Os três primeiros estão entre os cinco deputados que não votaram na chapa encabeçada por Erick, no dia 27 de novembro, na eleição antecipada da Mesa Diretora para o biênio 2021-2023, a qual acabou cancelada – os outros dois foram Sergio Majeski (PSB) e Dary Pagung (PSB), que hoje não têm nenhum assessor lotado em cargo vinculado à Mesa. 

Hoje, há pouco mais de 300 cargos como esses na Assembleia, distribuídos pelo presidente entre os 30 deputados. Na atual gestão de Erick, aliados internos dele são contemplados com uma "cota" maior. Iriny, Gandini , Machado e Quintino já não tinham muitos cargos. Agora, os três primeiros ficarão à míngua, sem nenhum assessor além daqueles lotados nos respectivos gabinetes. 

Procurada, a assessoria de imprensa da Assembleia reforçou que os cargos da Mesa são técnicos e de livre nomeação e exoneração.

Nos bastidores, as exonerações em bloco são vistas como um movimento de retaliação de Erick aos deputados não perfilados com ele, no apagar das luzes de 2019. As exonerações ocorrem dois dias após o encerramento do ano legislativo e não foram previamente comunicadas aos deputados que haviam indicado os respectivos assessores.

MACHADO: "É COMO SE A ASSEMBLEIA TIVESSE UM DONO"

O deputado Luciano Machado não escondeu sua indignação com a exoneração dos dois únicos assessores indicados por ele em cargos ligados à estrutura administrativa da Casa e não poupou o presidente Erick Musso: "Eu tinha duas pessoas. Mas, mesmo assim, foram exoneradas as duas únicas pessoas que eu tinha na Mesa, de uma forma muito arbitrária, como se a Assembleia tivesse um dono".

Machado é o 1º secretário da Mesa Diretora. Formalmente, é o segundo na hierarquia de comando da Casa, logo abaixo do presidente. Na prática, porém, teve os poderes esvaziados logo depois que a atual Mesa tomou posse, com resolução proposta por Erick e aprovada em plenário (contra o voto de Machado) em fevereiro, dando superpoderes ao presidente. 

"Fui pego de surpresa", completou Machado, sobre as exonerações. "Até porque, como 1º secretário, a tendência era eu ter 11, 12 pessoas. Eu só tinha duas e achei que seria impossível ele [Erick] ainda conseguir mexer nisso. Mas o que eu menos esperava aconteceu."

As duas assessoras de Machado exoneradas estavam no cargo de assessor júnior da Secretaria da Assembleia.

GANDINI: "MOSTRA O POLÍTICO QUE ELE É"

Presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Fabrício Gandini perdeu os dois únicos comissionados que o auxiliavam nos trabalhos do colegiado (considerado o mais importante da Casa): um assessor júnior e a supervisora da comissão. O deputado também não poupou Erick:

“Eu avisei que eles iam me tirar da presidência e tentar desmontar a Comissão de Justiça. Já era uma ação que eu previa. Eles só estavam esperando acabar o ano legislativo. Mas eu já esperava isso, até porque, desde a eleição da Mesa, feita daquela forma, ele [Erick] já tem demonstrado o tipo de político que é. Agora, ele está querendo criar dificuldades e prejudicar os trabalhos da Comissão de Justiça. Ele deve colocar alguém ligado a ele como novo supervisor. Mas vou utilizar os meus assessores de gabinete para me auxiliarem na comissão.”

IRINY SEM NINGUÉM

A única deputada do PT na Assembleia contou que, no início do ano, chegou a ter três assessores em cargos ligados à Mesa. Só lhe restava uma, lotada no cargo de assessora júnior. Ela auxiliava Iriny na Comissão de Cidadania e Direitos Humanos, da qual a deputada é vice-presidente. Nesta sexta-feira, a assessora também foi exonerada.

A tesoura de Erick cortou do PT ao PSL: Coronel Alexandre Quintino perdeu dois quadros, ambos lotados no cargo de assessor sênior da Secretaria da Assembleia.

Vitor Vogas

Vitor Vogas Vitor Vogas

Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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