Nas últimas duas pesquisas da série da Quaest para a Rede
Gazeta, Lorenzo Pazolini (Rep) diminuiu a vantagem de Ricardo Ferraço
(MDB) sobre ele.
Na penúltima pesquisa, publicada em 27 de agosto, a vantagem de Ricardo era de 7
pontos percentuais na intenção estimulada de votos no 1º turno: 35% a 28%. Agora, a vantagem matemática de Ricardo está em apenas 2
pontos: 33% a 31%. Isso significa empate técnico entre os dois, pois a margem
de erro da Quaest é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.
Nas simulações de 2º turno entre o governador e o
ex-prefeito, a gradativa redução da diferença é ainda mais visível.
Na rodada de julho, Ricardo chegou a abrir 13 pontos de
frente sobre Pazolini: 43% a 30%. Na penúltima, de 27 de agosto, a vantagem caiu
para 10 pontos: 45% a 35%. Agora, caiu para só 5 pontos: 43% a 38%.
Tecnicamente, pela primeira vez na corrida, os dois estão empatados também no cenário de 2º turno.
Isso mostra uma “desidratação” de Ricardo? Não exatamente.
Afinal, ele na verdade oscilou muito pouco em relação aos próprios índices,
aferidos nas rodadas anteriores. Analisando isoladamente os resultados do
próprio Ricardo, vemos que ele se manteve estável: praticamente do mesmo
tamanho.
O que tem havido, isso sim, é um irrefutável crescimento de
Pazolini. Ricardo ficou parado, enquanto seu principal adversário não parou:
vem crescendo paulatinamente, num ritmo bem consistente, e agora está no
encalço do atual governador.
Mas o que é que explica isso? É exatamente o que passo a
demonstrar.
O refinamento dos dados da Quaest, com alguns recortes
específicos sobre os 804 entrevistados, oferece algumas respostas e pistas
muito reveladoras.
Pazolini ganha muito
terreno entre idosos
Basicamente, era esse segmento do eleitorado que estava garantindo a vantagem
(e, portanto, a vitória parcial) ao aliado de Renato Casagrande (PSB). Era ali
que ele estava ganhando, tamanha a vantagem nesse grupo.
No fim de agosto, nas intenções estimuladas de 1º turno, a
vantagem de Ricardo sobre Pazolini, entre os idosos, era de incríveis 37 pontos
percentuais: 56% para ele contra 19% para o ex-prefeito.
Em pouco menos de um mês, essa vantagem foi drasticamente
reduzida: entre idosos, Ricardo caiu de 56% para 43%, enquanto Pazolini cresceu
de 19% para 28%. Em cerca de um mês, o
ex-prefeito tirou 22 pontos de diferença entre os mais velhos.
Portanto, entre os
60+, Ricardo segue na frente. Mas a vantagem dele sobre Pazolini nessa faixa etária, antes de 37
pontos, agora está em apenas 15.
Nas outras faixas, não houve variações dignas de
nota, salvo o crescimento de Helder entre os mais jovens (de 16 a 34 anos),
passando de 9% para 17%.
No 2º turno, vantagem
de Ricardo entre idosos é pulverizada
Já na simulação de 2º turno, o mesmo fenômeno se deu, de
maneira ainda mais expressiva. A vantagem de Ricardo sobre Pazolini, muito
grande entre idosos há um mês, foi praticamente pulverizada.
Entre os eleitores 60+, a preferência por Ricardo despencou
de 62% para 45%.
No mesmo intervalo, a preferência por Pazolini saltou de 25%
para 38% (quase um empate técnico também nesse segmento).
A vantagem de
Ricardo, de 37 pontos em agosto, caiu para apenas 7 pontos agora.
O “pulo do gato” de
Pazolini entre os eleitores de “direita não bolsonarista”
A Quaest também estratificou os 804 entrevistados em função
da sua “identificação política”. Com base na autodeclaração,
dividiu-os em cinco categorias: lulistas, esquerda não lulista, independentes,
direita não bolsonarista e bolsonarista.
Na comparação com os resultados de agosto, constatamos nesse
tópico uma variação especialmente interessante: o significativo crescimento de
Pazolini entre os eleitores de “direita não bolsonarista”, que é exatamente
como ele está buscando se apresentar ao eleitorado capixaba.
Na estimulada do 1º turno, Pazolini lidera com folga entre
os bolsonaristas. A diferença para Ricardo até caiu um pouquinho (de 24 para 20
pontos), mas o ex-prefeito segue bem à frente nesse estrato: 49% a 29%.
O “pulo do gato” mesmo se observa na direita não
bolsonarista. Entre os eleitores que assim se declaram, Pazolini ampliou sua
vantagem, de 15 pontos em agosto, para 27 pontos agora. Ganho de 12
pontos.
Em agosto, Pazolini vencia Ricardo nesse segmento por 42% a
27%. Agora, vence-o por 53% a 26%.
Por outro lado, tanto na esquerda lulista como na esquerda não lulista,
Ricardo segue em primeiro lugar, à frente até de Helder Salomão, com o petista
em segundo e Pazolini bem atrás, em terceiro. No entanto, no grupo de eleitores
de esquerda não lulista, observou-se um curioso crescimento de Pazolini, que
passou de 11% em agosto para 18% agora.
Salto de Pazolini na direita não bolsonarista também no 2º turno
Na simulação de 2º turno entre os dois, houve pouca
diferença dentro do estrato de eleitores bolsonaristas: em agosto, Pazolini já
dominava esse nicho (55% para ele, contra 33% de Ricardo); agora, segue
dominando, mas num quadro quase estático (57% para ele, contra 31% de Ricardo).
Já na direita não bolsonarista, aí, sim, Pazolini, deu um
salto. Sua vantagem, de 17 pontos em agosto, agora dobrou, passando para 34
pontos. Em agosto, Pazolini tinha 50%, contra 33% de Ricardo. Agora, subiu para
62%, contra 28% de Ricardo.
Pazolini também diminuiu muito a diferença entre eleitores
que se declaram independentes. Nesse grupo, Ricardo ainda lidera, mas sua
vantagem caiu de 22 pontos para 9.
Em compensação, Ricardo aumentou sua vantagem na esquerda
não lulista e, notadamente, entre eleitores lulistas. Nos dois segmentos,
Ricardo derrota Pazolini com grande folga.
Entre os que se declaram de esquerda não lulista, o
governador ampliou sua vantagem um pouquinho, de 43 para 45 pontos. É uma lavada.
Já entre os lulistas, Ricardo ampliou substancialmente sua margem. Sua vantagem sobre Pazolini nesse segmento, que era de 31 pontos em agosto, agora é de 41 pontos.
Considerando as cinco categorias de
“identificação política”, é a maior diferença entre eles. Outra lavada.
Assim, seja por rejeição a Pazolini (e o consequente “voto
útil” da esquerda em Ricardo), seja pelo apoio de Casagrande, seja simplesmente
porque o atual governador está falando melhor a esse público, o fato é que Ricardo
está dominando o páreo no hemisfério esquerdo do eleitorado.
Enquanto isso, Pazolini prevalece no hemisfério direito,
mantendo sua ampla margem entre bolsonaristas e ganhando considerável terreno na
direita não bolsonarista. É o que mostra
o gráfico a seguir:
Pazolini vence entre
eleitores de Flávio; Ricardo, entre os de Lula
O cruzamento de dados revela que Pazolini é o candidato a
governador preferido pela maioria dos eleitores de Flávio, enquanto Ricardo tem
a preferência dos eleitores de Lula no Espírito Santo.
Na intenção estimulada de 1º turno, entre os que pretendem
votar em Flávio, Pazolini tinha a preferência de 46% em agosto, contra 27% de
Ricardo. Agora, tem 51% da preferência, contra 29% de Ricardo: vantagem de 22
pontos.
Entre os que planejam votar em Lula, Ricardo segue em
primeiro, com 40% da preferência, à frente até de Helder, que agora tem 30%.
Pazolini fica bem atrás, com 15%. A vantagem de Ricardo sobre o ex-prefeito
agora é de 25 pontos.
Divisão por sexo
mostra grande equilíbrio
Na intenção estimulada de 1º turno, Ricardo e Pazolini estão
tecnicamente empatados tanto entre mulheres como entre homens. Entre mulheres,
Pazolini aproximou-se de Ricardo desde agosto.
Entretanto, o crescimento percentual mais significativo foi
o de Helder, entre as mulheres, passando de 10% para 15% das menções
estimuladas no eleitorado feminino.
Já na simulação de 2º turno, Ricardo lidera por 8 pontos
entre as mulheres. Já entre os homens, ele e Pazolini empatam tecnicamente.
No eleitorado masculino, Pazolini melhorou seu desempenho:
em agosto, perdia para Ricardo por 9 pontos; agora, está matematicamente à
frente por 1 ponto.
Pazolini ganha entre
evangélicos; Ricardo, entre católicos
No recorte por religião, percebemos que Ricardo lidera com
relativa folga entre católicos (embora sua vantagem tenha diminuído), enquanto
Pazolini lidera com folga ainda maior entre evangélicos.
Na estimulada de 1º turno, Ricardo tem 38% entre católicos,
ante 27% de Pazolini. Entre evangélicos, o ex-prefeito alcança 42%, ante 27% do
governador.
Na simulação de 2º turno, entre católicos, Ricardo vence com vantagem de 11
pontos: 46% a 35%. Mas sua vantagem já foi bem maior: em agosto, era de 25
pontos.
Já entre evangélicos, Pazolini ganha e dobrou sua
vantagem. Em agosto, estava 8 pontos à frente de Ricardo; agora, abriu 16
pontos de frente: 49% a 33%.
Renda: Ricardo perde
pontos preciosos entre mais ricos
Finalmente, no recorte por renda, o fenômeno mais
interessante a registrar é certa perda de terreno de Ricardo entre os eleitores
com maior poder aquisitivo: renda mensal de mais de 5 salários mínimos.
Na estimulada do 1º turno, a queda do governador nesse
estrato social é mais branda: “só” 6 pontos. Mas Pazolini agora está
numericamente na ponta.
Já na simulação de 2º turno, Ricardo em agosto vencia
Pazolini por 14 pontos. Desde então, perdeu 9 pontos e agora está tecnicamente empatado com o candidato do Republicanos. O empate é quase numérico.
Pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral
A pesquisa Quaest sobre o cenário eleitoral no Espírito Santo, contratada pela TV Gazeta, foi realizada entre os dias 21 e 24 de setembro, com 804 entrevistas. O nível de confiança utilizado é de 95% e a margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos. Foram realizadas entrevistas pessoais por amostragem com utilização de questionário elaborado conforme os objetivos da pesquisa. As pessoas foram selecionadas para as entrevistas de acordo com as proporções na população de grupos de idade, sexo, raça/cor, instrução e atividade econômica. A pesquisa está registrada no Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES), sob o protocolo ES-01978/2026.