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Parentesco inusitado

Prefeito do “morra quem morrer” é irmão do ex-deputado Nilton Baiano

Autor da polêmica declaração de que no próximo dia 9 reabrirá o comércio da cidade “morra quem morrer”, o prefeito de Itabuna (BA), Fernando Gomes, é irmão mais velho do médico que fez carreira política no ES

Publicado em 02 de Julho de 2020 às 17:27

Públicado em 

02 jul 2020 às 17:27
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas Vitor Vogas
Os irmãos Fernando Gomes e Nilton Baiano
Os irmãos Fernando Gomes e Nilton Baiano Crédito: Divulgação Prefeitura de Itabuna/Divulgação
Autor da polêmica declaração de que no próximo dia 9 reabrirá o comércio da cidade “morra quem morrer”, o prefeito de Itabuna (BA), Fernando Gomes (PTC), é irmão de um antigo conhecido dos capixabas: o ex-deputado federal Nilton Baiano, atualmente afastado da política.
Nesta quarta-feira (1º), em entrevista à imprensa, o prefeito de Itabuna anunciou o prolongamento de medidas restritivas ao comércio no município por mais sete dias, devido ao alto índice de ocupação dos leitos de UTI para pacientes com a Covid-19 na cidade. Foi quando deu a declaração que repercutiu negativamente no Brasil inteiro:
“Eu não posso abrir uma coisa que eu não tenho cobertura. Então, na dúvida, por causa dos nossos morrendo por causa de um leito em Itabuna, eu vou transferir essa abertura. [...] Mandei já fazer um decreto e no dia 9 [de julho] abre, morra quem morrer”, afirmou o prefeito.
Com 81 anos completados na véspera da declaração (30), Fernando Gomes Oliveira é irmão mais velho de Nilton Baiano, 78 anos, cujo nome de batismo completo é Nilton Gomes Oliveira. Também nascido em Itabuna, cidade do sul da Bahia, a 426 quilômetros de Salvador, Nilton Baiano construiu sua trajetória política inteira no Espírito Santo, usando esse “codinome político”. No início de sua trajetória, havia outro deputado, muito popular, chamado Nilton Gomes.
Curiosamente, Nilton Baiano é médico, enquanto o irmão envolvido nessa polêmica por causa da Covid-19, segundo registro do TSE, só lê e escreve. Especializado em ortopedia, o ex-deputado é considerado um profissional respeitado no meio.
Na política, começou a militar como sindicalista no Espírito Santo, durante a ditadura militar, representando a classe médica. Na década de 1970, participou da reabertura do Sindicato dos Médicos do Espírito Santo. Nas origens, é um político de esquerda. Nos tempos de atuação sindical, tinha alguma proximidade com o PCdoB.
Com a redemocratização, Nilton Baiano ingressou no PMDB (atual MDB) e foi secretário estadual de Saúde no governo de Max Mauro (1987-1991), à época também peemedebista. Depois aproximou-se de Paulo Maluf e trocou o PMDB pelo atual Progressistas (PP), partido descendente do PDS* e do malufismo, adversário do PMDB nos anos 1980. Na prática, foi uma guinada ideológica da esquerda para a direita.
De 1991 a 2006, exerceu quatro mandatos de deputado federal pelo Espírito Santo (o primeiro pelo MDB e os demais pelo PP). Também foi secretário de Estado da Saúde por cerca de um ano no governo de José Ignácio Ferreira (1999-2002), entre 2001 e 2002. Em 2004, disputou, sem êxito, a eleição a prefeito de Vitória. Seu último mandato foi como deputado estadual, assumindo o cargo como suplente do PP por três períodos durante a legislatura 2011-2014.
Em setembro de 2015, trocou o PP pelo Partido Republicano (PR), atual Partido Liberal (PL), ao qual continua filiado.
Aposentado como médico, Nilton Baiano também está praticamente aposentado da política.
Por evidente, o ex-deputado nada tem a ver com a desastrosa declaração do irmão mais velho.
* Com o fim do bipartidarismo implantado pela ditadura militar, o Partido Democrático Social (PDS) foi o sucessor direto da Arena, sigla que representava o governo militar. Em 1993, mudou de nome para PPR, que virou PPB em 1995, depois Partido Progressista (PP) em 2003 e, desde 2017, apenas Progressistas.

Vitor Vogas

Vitor Vogas Vitor Vogas

Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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