Dirigido no Espírito Santo pelo ex-deputado federal Marcus Vicente, o Progressistas (PP) apoiará a candidatura do atual vice-prefeito Sérgio Sá (PSB), na disputa pela Prefeitura de Vitória. A decisão foi tomada na noite desta quarta-feira (16) e já foi comunicada pessoalmente pelo presidente municipal do partido, Marcos Delmaestro, ao próprio Sá e ao presidente municipal do PSB, Juarez Vieira, em um encontro no Palácio Anchieta.
Até 24 horas antes, o PP tinha o pré-compromisso firmado de apoiar o ex-prefeito Luiz Paulo Vellozo Lucas, caso ele conseguisse concretizar a candidatura por seu partido, o PSDB. Mas, na convenção do PSDB na segunda-feira (14), o PSDB de Vitória homologou a candidatura a prefeita da vereadora Neuzinha de Oliveira, presidente municipal da sigla, deixando Luiz Paulo sem legenda. O ex-prefeito compareceu à convenção do PP realizada na noite desta terça-feira (15) e liberou o partido do compromisso.
A partir daí, como noticiamos aqui, o PP tornou-se "a noiva mais cobiçada" da eleição em Vitória. O celular de Delmaestro não parou de tocar o dia inteiro, e seu gabinete na sede do partido, na Praia do Canto, virou centro de peregrinação de candidatos a prefeito de Vitória ou procuradores destes. Entre eles, o próprio Sérgio Sá, o candidato do PL, Halpher Luiggi, e o vereador Max da Mata (Avante), um dos coordenadores políticos da campanha de Fabrício Gandini (Cidadania). O dirigente do PP também recebeu contatos do ex-prefeito João Coser (PT) e de representantes da campanha do deputado Lorenzo Pazolini (Republicanos).
Deu Sérgio Sá. E por que deu Sérgio Sá? Até por eliminação. Para começar, o PP está mergulhado na administração de Casagrande. Foi um dos primeiros a apoiar o retorno do socialista ao Palácio Anchieta, na eleição de 2018. Marcus Vicente é secretário estadual de Desenvolvimento Urbano, enquanto o próprio Marcos Delmaestro era subsecretário da Casa Civil, participando da articulação política. Assim, o PP jamais cogitou apoiar, por exemplo, as candidaturas dos deputados Pazolini e Capitão Assumção (Patriota), muito críticos à gestão de Casagrande na Assembleia Legislativa e não alinhados ao grupo político do governador.
Nesse mesmo grupo político, além logicamente de Sérgio Sá, há a candidatura de Fabrício Gandini, pois não só ele é aliado de Casagrande como seu partido, o Cidadania, é outro alicerce da base governista. Além disso, o PP até participou da administração de Luciano Rezende (Cidadania) em Vitória e apoiou sua reeleição em 2016. O próprio Delmaestro foi secretário municipal. Mas Gandini também foi "eliminado" de cara da lista. O PP rompeu com a gestão de Luciano no meio do atual mandato. Em meados de 2019, Marcus Vicente já declarava a quem tivesse ouvidos que não reeditaria a aliança com o Cidadania na eleição municipal deste ano.
Sem ter nada a ver com isso, Sérgio Sá aceitou e agradeceu o apoio, que será anunciado oficialmente nesta quinta-feira (17), com foto e tudo o que manda o manual do candidato nesta fase. Com a chegada do PP, a candidatura do vice-prefeito à sucessão de Luciano, até pouco tempo atrás uma incógnita, ganha ainda mais corpo. Além do PSB e do partido de Marcus Vicente, sua coligação já conta com o PMB, o PROS e a Rede Sustentabilidade, que emplacou a vice de Sá, Laís Garcia, professora e porta-voz do partido no Espírito Santo e no país.