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“Não vou pôr polícia pra agredir trabalhador”

Casagrande sobre carreatas: "Luta política e instrumento eleitoral”

Governador aponta “rebatimentos do bolsonarismo” no movimento pela reabertura imediata do comércio e apela a comerciantes que engrossaram os atos em boa-fé: “Vamos esperar mais uma semana”

Publicado em 29 de Março de 2020 às 19:04

Públicado em 

29 mar 2020 às 19:04
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Coronavírus: carreata na Praia de Camburi, em Vitória, pela reabertura do comércio
Coronavírus: carreata na Praia de Camburi, em Vitória, pela reabertura do comércio Crédito: Reprodução/vídeo de internauta
Um movimento com “forte carga política”, com “rebatimentos do bolsonarismo”, usado como instrumento de “luta política” e para dar “visibilidade” a pré-candidatos aos cargos de prefeito e de vereador nas próximas eleições municipais – ao menos por ora, confirmadas para o mês de outubro pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Assim o governador Renato Casagrande (PSB) caracteriza a série de carreatas ocorridas nos últimos dias em cidades como Vitória, Vila Velha, Guarapari e Cachoeiro de Itapemirim, inclusive neste sábado (28), pelo fim das restrições impostas por decreto de Casagrande e pela reabertura imediata de atividades comerciais não essenciais no Estado.
"Tem um rebatimento das pessoas que seguem Bolsonaro, a primeira coisa é essa, para fazer a luta política e transformar o Covid-19 num instrumento de luta política. Então tem a luta política estadual. Tem a luta política nacional. E tem os pré-candidatos a prefeito e vereadores que também querem transformar esse movimento num instrumento para terem visibilidade."
Renato Casagrande - Governador do ES
O governador não ignora, no entanto, a presença de muitos comerciantes sem qualquer intenção, interesse ou envolvimento político-ideológico e que, em muito boa-fé, aderiram e participaram das manifestações pela reabertura do comércio, motivados por nada além de sincera preocupação com a sobrevivência financeira dos respectivos negócios e famílias.
A essas pessoas de “boa-fé”, Casagrande citou um pacote de medidas anunciado na manhã deste sábado (28) para mitigar um pouco os impactos econômicos da crise sobre a população capixaba, sobretudo os empreendedores e os mais vulneráveis.
Rogou a todos, também, que mantenham a paciência e esperem por mais uma semana (tempo restante do isolamento segundo o decreto vigente do governador), já que acima de tudo, no momento, são vidas de capixabas que estão em jogo.
"Nós não estamos fechando os olhos para as pessoas. O próprio governo federal está adotando medidas nesse sentido. Então, vamos esperar mais uma semana. Estamos lidando com vidas de pessoas. Até porque, se não tomarmos cuidado agora, virá uma segunda onda contra a economia que dará um grande caldo [isto é, um grande revés] na economia."
Renato Casagrande  - Governador do ES
Quanto aos lojistas etc. que descumprirem o decreto e teimarem em abrir as portas nos próximos dias, Casagrande afirma que não pretende colocar em ação (como poderia) a força policial: “Nós não vamos colocar polícia para agredir ninguém porque são empreendedores, são trabalhadores... Não vou colocar. […] Mas estou apelando à consciência de todos para protegermos vidas neste momento”.
Como potencial penalidade pela eventual desobediência, o governador cita multas e até a cassação do registro da empresa na Receita Estadual, o que na prática a impede de funcionar na legalidade.
Mas o governador espera não ter que chegar a esse ponto, até porque esse tipo de punição também tem um “efeito bumerangue”, isto é, provoca consequências negativas para o próprio caixa do Estado: uma empresa fechada não recolhe impostos ao Tesouro Estadual. Na prática, isso significa menor arrecadação, num momento em que nem o governo capixaba nem ninguém em sã consciência no mundo pode se dar ao luxo de abdicar de receita.
Confira, abaixo, a entrevista completa dada na tarde deste sábado (28) por Casagrande à coluna sobre essas questões:

O que o senhor tem a dizer a comerciantes que estão saindo às ruas em carreatas para pedir a reabertura imediata do comércio em geral?

Eu respeito as manifestações. Tem pessoas ali de muito boa-fé, que estão ali preocupadas com o seu negócio, com os trabalhadores empregados no seu negócio, com a sua vida e a da sua família. Mas tem ali também uma carga de política muito forte.

O senhor acha, então, que há algum interesse político por trás desse movimento, até visando às eleições municipais deste ano e às de 2022?

Tem um rebatimento das pessoas que seguem Bolsonaro, a primeira coisa é essa, para fazer a luta política e transformar o Covid-19 num instrumento de luta política. Então tem a luta política estadual. Tem a luta política nacional. E tem os pré-candidatos a prefeito e vereadores que também querem transformar esse movimento num instrumento para terem visibilidade.

O senhor pode nominar algum?

Não, não vou nominar ninguém. O que é que eu posso dizer para os comerciantes de boa-fé, aqueles que estão ali porque estão interessados nos seus negócios? Nós tomamos diversas medidas, anunciadas hoje (neste sábado, 28), de proteção dos comerciantes, dos empreendedores. Tomamos ontem (na sexta-feira, 27) medidas de proteção às pessoas mais pobres e mais vulneráveis. Então nós não estamos fechando os olhos para as pessoas. O próprio governo federal está adotando medidas nesse sentido. Então, vamos esperar mais uma semana. Estamos lidando com vidas de pessoas. Até porque, se não tomarmos cuidado agora, virá uma segunda onda contra a economia que dará um grande caldo [isto é, um grande revés] na economia. É importante que a gente compreenda um pouco como esse vírus se comporta para a gente fazer essa barreira.

O que o governo fará se eles teimarem em abrir os negócios durante os próximos dias, antes do encerramento do decreto vigente e antes do próximo fim de semana, quando o senhor disse que pode talvez flexibilizar algumas atividades desde que sigam determinado protocolo?

O governo, primeiramente, pode adotar todos os procedimentos de multa, de cassação de registro do comércio na Receita Estadual. Mas nós não queremos fazer isso. Nós não vamos colocar polícia para agredir ninguém porque são empreendedores, são trabalhadores... Não vou colocar. Mas eu estou apelando. Mais do que à polícia, eu estou apelando para as pessoas terem consciência de que nós estamos tentando proteger a vida das pessoas. Então não tem ninguém aqui querendo fechar comércio, muito menos eu, que vou perder receita para o Estado. A gente precisa de dinheiro para poder fazer aquilo que planejou fazer. Então não há ninguém mais interessado que eu em que o comércio funcione.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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