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Vitor Vogas

Baixa atrás de baixa: PL poderia estar melhor e bem maior no ES

Gilvan, Assumção, Armandinho, Callegari, Zé Preto, Manato, Juninho Corrêa, Ramalho, Léo Camargo, Ronan Zocoloto... Quem passou pelo PL nos últimos anos? Quem continua até hoje? Destes, quantos vão de fato poder disputar esta eleição?

Publicado em 16 de Setembro de 2026 às 05:00

Públicado em 

16 set 2026 às 05:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas Vitor Vogas
No sentido da leitura: Léo Camargo, Manato, Gilvan, Assumção, Armandinho, Callegari e Ramalho
Fotomontagem

Nas últimas décadas, o Partido Liberal (PL), antigo Partido da República (PR), dirigido nacionalmente por Valdemar Costa Neto (preso no mensalão), era uma das mais influentes e atuantes siglas do Centrão. Com a chegada de Jair Bolsonaro, tornou-se o partido do bolsonarismo e, em 2022, foi a legenda que elegeu a maior bancada na Câmara dos Deputados: 98, segundo a última totalização do TSE (em 20 de julho deste ano).

 

No Espírito Santo, nesse mesmo embalo, o PL se saiu muito bem nas eleições estaduais de 2022.

 

No Senado, o partido triunfou com o retorno de Magno Magno, seu proverbial presidente estadual, derrotando Rose de Freitas e Erick Musso.

 

Na Assembleia Legislativa, a legenda elegeu a maior bancada, com cinco dos 30 deputados. O puxador de votos da chapa foi o Capitão Assumção: com 98.669 votos, ele foi o segundo candidato ao cargo mais votado naquele pleito e na história do Espírito Santo (só atrás de Sérgio Meneguelli).

 

Já na Câmara dos Deputados, Gilvan da Federal foi eleito pelo PL como o segundo candidato mais votado em nosso estado (87.994 votos), atrás somente de Helder Salomão (PT).

 

Quatro anos depois, duas das principais apostas eleitorais do PL-ES nas disputas proporcionais estão fora do páreo: precisamente, Assumção e Gilvan. Pleiteando a renovação dos respectivos mandatos, os dois foram barrados pela Justiça Eleitoral. Não têm substitutos à altura.

 

Gilvan já renunciou à candidatura e foi substituído na chapa federal do PL, enquanto Assumção procura reverter a decisão.

 

Por óbvio, isso abala imensamente as perspectivas do partido nas eleições legislativas em solo capixaba.

 

Além disso, o vereador de Vitória Armandinho Fontoura, outra das grandes apostas na chapa estadual, também teve a candidatura negada pelo TRE-ES (mas recorre da decisão junto ao mesmo tribunal).

 

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De 2022 para cá, no Espírito Santo, o partido dos Bolsonaros tem acumulado uma sucessão de resultados frustrantes nas urnas, reveses judiciais, baixas e defecções de quadros importantes, seja por sectarismo da liderança estadual, seja por concentração de poderes (uma gestão por demais centralizada), seja por pragmatismo dos próprios mandatários.

 

Nas eleições de 2024, por resolução interna de Magno, os diretórios municipais do PL foram impedidos de firmar coligações com quase todos os partidos (inclusive siglas de direita e conservadoras, mas não consideradas desse modo pela direção estadual). Mesmo assim, o PL decidiu lançar a incrível marca de 50 candidatos a prefeito, num universo de 78 municípios. Apostou em sua própria força, dispensando aliados.

 

O resultado ficou muito aquém do projetado. O PL só elegeu cinco prefeitos, todos eles em cidades pequenas do interior, com menos de 100 mil habitantes. Um deles, o de Santa Maria de Jetibá, Ronan Zocoloto, foi expulso em agosto pela direção municipal, por determinação de Magno.

 

A alegação foi a de que o prefeito teria se aproximado politicamente de Ricardo Ferraço e Renato Casagrande, além de ter faltado a evento com Magno.

 

A sigla hoje governa quatro cidades capixabas. Uma delas é Muqui, onde o prefeito, Sérgio “Camarão” Anequim, já declarou apoio a Ricardo para governador. 

Léo Camargo 

Naquele pleito de 2024, no conjunto das dez cidades mais populosas do Estado, os candidatos a prefeito do PL (incluindo Assumção em Vitória) foram mal votados. A maioria não chegou a 10% dos votos válidos. Proporcionalmente, o único que se salvou foi o ex-vereador Léo Camargo, em Cachoeiro de Itapemirim, que obteve 23% dos votos válidos, mas perdeu para Theodorico Ferraço (PP).

 

Em março deste ano, Camargo, um jovem com potencial, saiu do PL. Neste pleito, é candidato a deputado estadual pelo União Brasil – que está na coligação de Ricardo Ferraço.

 

Não foi o único a abandonar a legenda nos últimos anos.

 

Hoje, dos cinco deputados estaduais eleitos em 2022, restam três: Assumção, Lucas Polese e Danilo Bahiense.

 

Zé Preto e Callegari mudaram de sigla, ambos por não encontrarem espaço no PL para concretizarem o próprio projeto eleitoral.

Zé Preto

Ex-vereador de Guarapari, Zé Preto filiou-se ao PP em 2024 para ser candidato a prefeito da cidade. No PL, não teria legenda. O clima entre ele e Magno azedara porque, logo após chegar à Assembleia, o deputado aderiu à base de Casagrande em vez de lhe fazer oposição.

 

No PP, Zé Preto realmente concorreu à Prefeitura de Guarapari. Perdeu para Rodrigo Borges (então no Republicanos). O PL foi representado na disputa pelo também deputado estadual Danilo Bahiense, muito mal votado.

 

Hoje, Zé Preto é candidato à reeleição na Assembleia, pelo Podemos. Está na coligação de Ricardo e o apoia para governador.

Wellington Callegari

Já Callegari, um dos mais ideológicos apoiadores de Bolsonaro no Estado, filiou-se à Democracia Cristã (DC) em 2025 para conseguir ser candidato a senador neste ano. Ficando no PL, ele não teria a legenda, reservada meses antes por Magno para uma de suas filhas, a publicitária Maguinha Malta – sem experiência nas urnas.

 

Julgando-se mais preparado que Maguinha para a empreitada, o deputado tentou fazer o convencimento interno, mas, sem conseguir dobrar Magno, desistiu e pediu para sair. Após receber a carta de anuência, entrou no pequeno DC, pelo qual realmente é candidato a senador neste pleito. Já declarou apoio a Ricardo.

Carlos Manato

Quem também saiu foi ninguém menos que Carlos Manato. Principal representante do polo bolsonarista no Espírito Santo entre 2018 e 2022, Manato perdeu as duas últimas eleições para governador (ambas para Casagrande). Mas a verdade é que em 2022 chegou muito perto. Levou a eleição para o segundo turno, no qual teve 46,1% dos votos válidos. Deu trabalho para Casagrande, mas o viu se reeleger.

 

Em março deste ano, Manato trocou oficialmente o PL pelo Republicanos. Fez isso, em primeiro lugar, pelo mesmo motivo que moveu Callegari: inicialmente, queria concorrer ao Senado, projeto impossível no PL, já que a vaga foi guardada para Maguinha pelo próprio pai.

 

Mas, no caso de Manato, há uma questão adicional: um desentendimento pessoal com Magno. Após a derrota nas urnas em 2022, ele passou a exteriorizar algo que era evidente (bastava olhar os números informados ao TSE): como presidente estadual do PL, Magno concentrou os recursos do Fundo Eleitoral na própria campanha a senador, deixando a de Manato, financeiramente, em segundo plano.

 

Manato fala de uma dívida de campanha milionária que teria sobrado para ele mesmo quitar, após supostas promessas não cumpridas pela direção partidária. Os dois se tornaram desafetos.

 

O ex-deputado acabou se tornando, novamente, candidato a deputado federal, na chapa do Republicanos. 

Coronel Ramalho

Há, ainda, outros casos curiosos, de agentes políticos promissores, que pouco duraram no PL. Um deles é o Coronel Ramalho, hoje candidato a deputado federal pelo Republicanos, na mesma chapa de Manato.

 

O ex-secretário estadual de Segurança teve uma passagem bem mais curta no PL do que se poderia imaginar, haja vista seu entusiasmo enquanto ali esteve. Em março de 2024, após entregar o cargo de secretário e se desfiliar do Podemos, Ramalho entrou no PL, a convite de Magno, tendo a ficha de filiação abonada pessoalmente por Jair Bolsonaro. Filiou-se para ser candidato a prefeito de Vila Velha. E assim fez.

 

Durante a temporada eleitoral de 2024, radicalizou o discurso e revelou-se um dos mais fervorosos bolsonaristas, participando de atos públicos com Gilvan da Federal, Eduardo Bolsonaro, Sargento Fahur, entre outros. Mas Arnaldinho Borgo se reelegeu com quase 80% dos votos válidos.

 

Sem mandato nem cargo público, Ramalho fez nova revisão de rota. Em abril de 2025, após 13 meses de filiação ao PL, o coronel da reserva da PMES aceitou o convite de Erick Musso e Lorenzo Pazolini (ambos do Republicanos) para assumir a Secretaria de Meio Ambiente de Vitória. Para isso, saiu do PL, pois Magno não queria participação na gestão de Pazolini.

 

A mudança foi parte de um plano maior: Ramalho entrou no Republicanos e, em março deste ano (com menos de um ano na pasta), desincompatibilizou-se para se candidatar a federal.

Juninho Corrêa

Ex-seminarista e membro de uma ala bem conservadora do catolicismo, o jovem Juninho Corrêa elegeu-se vereador de Cachoeiro em 2020. Dois anos depois, foi bem votado na chapa federal do PL, mas não conseguiu se eleger. Até o início de 2024, era cotado para se candidatar a prefeito pelo PL e considerado bem competitivo, num município altamente permeável ao bolsonarismo.

 

Mas, em fevereiro daquele ano, anunciou a decisão de se desfiliar do PL, não ser candidato a nada e voltar ao seminário para se ordenar padre. Ao expor seus motivos, queixou-se da condução do partido por Magno e da estratégia eleitoral ditada pelo senador, que o impedia de se coligar com outras siglas (até de direita). Desentendeu-se também com Callegari, influente na mesma região.

 

Mas a decisão durou pouco: Juninho logo desistiu de desistir. Em vez de voltar para o seminário, filiou-se ao Novo e foi candidato a vice-prefeito do veteraníssimo Theodorico Ferraço (PP). A chapa foi vitoriosa. Juninho já até assumiu a Prefeitura de Cachoeiro por um período no lugar de Ferraço, durante licença do prefeito para tratar de questões de saúde. 


Para governador, apoia Ricardo, filho de Theodorico.

As recentes decisões do TRE-ES

Gilvan foi condenado em três instâncias da Justiça Eleitoral por violência política contra mulher, o que o tornou inelegível.

 

Assumção não pagou multas aplicadas contra ele pela Justiça Eleitoral – uma delas, de R$ 15 mil, por ter divulgado e impulsionado conteúdo considerado calunioso e difamatório contra Pazolini na disputa pela Prefeitura de Vitória em 2024. Seu advogado, Fernando Dilen, disse à reportagem de A Gazeta que ele recorrerá ao próprio TRE-ES.

 

Armandinho foi condenado por falsidade ideológica no TJES, mas conseguiu uma liminar que suspende sua inelegibilidade, dada pelo desembargador Fernando Zardini, e recorre ao TRE-ES, que ainda não julgou o recurso.

 

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Vitor Vogas

Vitor Vogas Vitor Vogas

Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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