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Sociedade

Vivemos em uma época de muito fundamentalismo e pouco fundamento

O fundamentalista não dialoga. Ele cancela o questionador porque nele não existe abertura, e cancelar pode ser uma forma de justificar a (ou de não querer admitir e abrir mão da) falta de fundamento

Públicado em 

04 ago 2022 às 02:00
Vinicius Figueira

Colunista

Vinicius Figueira

Fundamentalismo. Se formos pesquisar no dicionário, na internet, está explicado ou definido como corrente de pensamento, que prega obediência rigorosa e literal a um conjunto de princípios fundamentais. A palavra corrente pode significar aquilo que prende, ou que está preso, do ponto de vista de ideias e de crença, ou ainda fluxo de pensamento, ligação.
O fundamentalismo não está na ordem da liberdade, mas da corrente. Faço questão de iniciar o artigo de hoje tomando como fundamento esse conceito para que possamos pensar onde estamos e para onde vamos.
Cada vez mais estamos assistindo, ou comungando, ou fazendo parte de uma sociedade em que o fundamentalismo está presente. Fundamentalismo na família, na política, na escola, na religião. Cada vez mais pessoas vêm defendendo pautas e princípios desfundamentados, sem base, sem contexto. Quando esses são questionados, a resposta: mas não tem como discutir, é assim e pronto. “Não se tem como discutir”! Essa frase é cara para um fundamentalista.
Cada vez mais estamos vendo pessoas abraçando doutrinas, decorando trechos. Isso em todos os campos. Para esses é mais fácil sustentar a decoreba do que discutir ideias, porque pode ser que na discussão o sujeito tenha que se desfazer do que acredita. O fundamentalista conserva até aquilo que para o contexto de hoje se considera discrepante.
O fundamentalista não dialoga. Ele cancela o questionador porque nele não existe abertura, e cancelar pode ser uma forma de justificar a (ou de não querer admitir e abrir mão da) falta de fundamento.
Há tempos venho querendo entender o porquê de tudo isso que vem acontecendo. O fundamentalismo não tem sentido para mim, mas porque tem para o outro e para outros? Esses dias atrás, uma amiga que conversa e trabalha com muitos pais, uma vez que ela também atende crianças com dificuldades de relacionamento ou com sintomas emocionais, dizia: “Tenho percebido em muito dos pais, que essa geração tem jogado fora o autoritarismo (o que é bom), mas junto, jogaram fora também a autoridade”.
Fui embora da conversa pensando: será que pelo vazio da autoridade, de direção, de liderança, está se buscando quem faça esse papel “de uma outra forma”? Será que está se buscando o autoritarismo no fundamentalismo, no fanatismo, uma forma de suprir essa necessidade?
Continuo sem resposta, mas talvez um pouco mais perto do sentido que todos nós estamos vivendo na política, na religião, nas redes, na sociedade, em todo canto. “Vote no político que quiser, mas lembre-se: é pra votar no político e não no pai. Resolva sua orfandade, fora das urnas”. (Luiz Pierott)

Vinicius Figueira

É publicitário. Uma visão mais humanizada dos avanços tecnológicos e das próprias relações sociais tem destaque neste espaço. Escreve às quintas

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