No próximo fim de semana, somos chamados a atenção para o Dia das Mães. Todos os anos a data se repete para que comemoremos com presentes, presença, mensagens, enfim, não obstante essa figura materna tenha lugar em tudo, todos os dias. A cada ano, as marcas se mobilizam para uma campanha “comercial”, isso é um fato, mas estamos vindo numa vertente de transformação desse tipo de mensagem. Quem decidiu embarcar nessa, neste ano, foi o Boticário.
O filme produzido pela marca de perfumes e cosméticos, com um pouco mais de um minuto, traz uma narrativa crítica, sensível e latente no mundo de hoje – maternidade e seus julgamentos. A marca convida a todos a estancar os julgamentos e a espalharem mais amor e acolhimento a todas as mães do Brasil.
Uma maternidade sem julgamentos começa com a gente, realça. O Boticário vai além de uma homenagem no Dia das Mães, ele provoca um movimento que cria identificação com as nossas mamães, afinal, qual mãe nunca se sentiu diante de um tribunal simplesmente por exercer seu papel?
Pensemos aqui nas mães que todos os dias são julgadas por engravidarem “antes da hora” ou “depois de velha”, mães solteiras que encaram os desafios de criar um filho sem a figura paterna e, por isso, são criticadas por não pensarem no filho ao se separarem; as que decidiram ter mais filhos, além de muitas outras polêmicas envolvendo a maternidade. A marca escancara uma ferida social: vivemos numa sociedade que não se cansa de atribuir culpa à mãe e, por isso, muitas mães residem no lugar da culpa. No final do filme, ou se preferir do “comercial”, surge a personagem da filha, que “participa” desse julgamento, soltando uma frase de quem não vê culpa em quem ama: “Claro que ela merece carinho”.
O que o Boticário nos convida é olharmos para a figura da mãe como aquela que é mulher quem tem vida, sonhos, desejos. Recentemente, eu assistia a um programa de televisão com a presença da psicanalista Vera Iaconelli que tratava justamente da questão da maternidade nesses tempos, e ela dizia: “A gente não é a mãe que a gente escolhe ser, a gente é a mãe que a gente pode ser. A gente vai se entendendo com a possibilidade de pedir desculpas. É menos romântico, mas é lindo”, diz. A psicanalista diz que o processo de perdoar e ser perdoada é essencial na situação. Quantas vezes nossas mães se sentiram julgadas por exercerem o amor da forma que acreditam ou é possível?
Que a campanha desperte em nós a sensibilidade e a compreensão para a figura materna. Demoramos a descobrir, às vezes, que mãe é mais do que mãe, é mulher também. Por isso, busquemos culpá-las menos e compreendê-las mais. Se mãe combina com amor, compreensão é uma forma de amar.