Inicio o artigo de hoje com uma afirmação, não como uma pergunta ou um título estreito, como de costume. É que a frase que intitula o artigo de hoje segue firme na didática do presidente Jair Bolsonaro, pré-candidato ao Palácio do Planalto em nome de uma causa de reeleição. Para nós, da publicidade, sempre nos perguntamos em tempos como este, de campanha eleitoral, quais são as estratégias do jogo e da promoção política.
Cada candidato segue um naipe, um rumo, cujo objetivo é único: conversar com suas bases eleitorais. Com Bolsonaro, isso não é diferente: atacar o Supremo e perder no Supremo sempre será ganhar na campanha eleitoral. Ser “humilhado”, ser fracassado, ser pauta do Supremo, sempre será ocasião para o candidato ser vítima. É nesse lugar que ele se coloca e sempre estará.
Bom, então, a partir daqui, começamos a compreender o viés que sustenta a política de Jair. Cada ataque que ele faz ao STF pode ser estratégico. Cada palavra pode ser estratégica. Cada lugar onde ele fala pode ser estratégico. Quase sempre quando o presidente bate o pé na tábua, ele ascende a sua base e provoca um efeito rebote: ele ataca para ser atacado, e quem é atacado é vítima.
Mas por que Bolsonaro se coloca nesse lugar? Talvez só Freud poderia nos responder. Mas o que se nota é que nesse lugar Bolsonaro ganha manutenção, ganha sentido e faz sentido para sua base, que representa aqueles e aquelas que com ele se identificam. Pelo que parece, atacar e ser atacado será a munição do presidente para as eleições. E o que isso representa?
Essa semana, no púlpito, logo após o Supremo derrubar a liminar de Nunes Marques, que cassava um deputado por fake news, Bolsonaro voltou a subir o tom e dizer que: "A decisão do Supremo não se discute, se cumpre. Eu fui desse tempo, não sou mais”. Os ataques parecem termômetros. A cada palavra proferida, sobe a temperatura da sua base eleitoreira e sobe a temperatura institucional.
A impressão é que Bolsonaro não sabe jogar em outro lugar no jogo político. A estratégia adotada (nem vou dizer escolhida) é indigesta e totalmente equivocada. Ela não tem a ver com o marketing sensato e eficaz. A impressão é que ela não se preocupa tanto em tornar Bolsonaro um vencedor, mas se preocupa em sustentar narrativas (apenas por uma questão de imagem) de quem possivelmente pode fracassar nas eleições. O maior medo de Bolsonaro é perder as eleições!