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A Semana Santa e a lição das bacias de Jesus e de Pilatos

O bom líder pega a bacia e vai lavar os pés dos outros (servir aos outros). Já o chefe chama alguém com a bacia para lavar as próprias mãos (para servir a si mesmo)

Publicado em 09 de Abril de 2020 às 05:00

Públicado em 

09 abr 2020 às 05:00
Vinicius Figueira

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Vinicius Figueira

Duas bacias. Pilatos e Jesus. Uma lava as mãos, e a outra os pés Crédito: Divulgação
Chegamos a mais uma Semana Santa, a semana maior para os crentes, cristãos, que seguem e acreditam que Jesus foi “o Homem” que sendo humano era Deus, e mais: morreu porque desejou salvar o mundo. São muitos os símbolos que acompanham essa semana: ramos, cruz, velas, ceia, mesa etc. Mas, minha proposta nesta quinta-feira, é refletir sobre as bacias. Pelo costume dos cristãos, hoje, sobretudo à noite, se celebra a ceia. Aquele momento que antes da morte, Jesus senta na mesa com os discípulos, enfrenta a falsidade de Judas e o “carão de Pedro”, lava os pés e só depois parte o pão. Mas, para lavar os pés, ele usa uma bacia.
Mas, nesta mesma semana, temos uma outra bacia, e essa é a de Pôncio Pilatos. Pilatos foi aquele sujeito que na tradição cristã ficou conhecido por ter sido o juiz que não fez nada contra os fariseus na condenação de Jesus Cristo, inocente, a morrer na cruz. Com isso, diante da multidão que gritava "crucifica-o", lavou as mãos e disse: “não tenho nada a ver com isso”. Mas, para lavar as mãos, ele usa uma bacia.
Bom, aqui temos o contraste da semana. Duas bacias. Pilatos e Jesus. Uma lava as mãos, e a outra os pés. Uma serve as pessoas, a outra serve à omissão.
Lavar os pés, no tempo do relato bíblico, era um serviço próprio dos escravos. Todas as vezes que uma visita importante, ou o Senhor chegava, o servo usava da bacia para lavar os pés da poeira da caminhada, para remover as impurezas. Jesus transforma a cena. Ele mesmo se faz servo e mostra a que veio. Veio para inverter os papeis. Assim, o Nazareno evidencia que a bacia de lava-pés é a bacia da paciência e da incompreensão, é a bacia que vai na contramão do mundo, uma vez que ela arranca o véu das relações do poder e, ao mesmo tempo, adormece o narcisismo, a estética das relações superficiais.
Já a bacia de Pilatos é a bacia do descompromisso, bacia quase sempre do jogo do oportunismo e das negociatas. É a bacia dos covardes que se omitem e dos fracos que, ao invés de enfrentar a realidade, preferem se esconder nos véus dos seus palácios. É a bacia dos que querem agradar os financiadores do seu poder, ainda que isso custe vidas.
Para finalizar, me lembro de um ditado que sempre ouvia dos meus pais e passei a ouvir na vida: “quer conhecer uma pessoa, dê poder a ela”. Hoje, meu convite seria além: “quer conhecer uma pessoa, dê uma bacia a ela”. O bom líder pega a bacia e vai lavar os pés dos outros (servir aos outros). Já o chefe chama alguém com a bacia para lavar as próprias mãos (para servir a si mesmo). As bacias que motivam a reflexão de hoje precisa, a certo modo, dizer quem somos. Qual bacia eu mais uso na vida? Qual das bacias o poder político que nos governa tem utilizado? A Semana Santa precisa converter o cacique em líder. O poderoso em servo.
Grifo: as bacias são iguais, o problema são as mãos que as conduzem. Pense nisso e uma Feliz Páscoa!

Vinicius Figueira

É publicitário. Uma visão mais humanizada dos avanços tecnológicos e das próprias relações sociais tem destaque neste espaço. Escreve às quintas

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