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Ataques a jornalistas

A 'facada' de Bolsonaro naqueles que fazem perguntas

Mais uma vez o presidente mostrou as garras e a arma da insanidade para com a imprensa, através da TV Globo e da CNN

Públicado em 

24 jun 2021 às 02:00
Vinicius Figueira

Colunista

Vinicius Figueira

Com a manchete do jornal Folha de S. Paulo, Bolsonaro atacou jornalistas
Venhamos e convenhamos, a imprensa é apenas um pretexto para o presidente desmantelar suas neuroses Crédito: Pedro Ladeira/ Folhapress
A semana começou pesada mais uma vez, e com uma fúria tremenda por parte do presidente da República, Jair Bolsonaro. Mais uma vez ele mostrou as garras e a arma da insanidade para com a imprensa, através da TV Globo e da CNN, ali presentes na cobertura da sua ida a Guaratinguetá. A "facada" de Bolsonaro aos jornalistas sempre vem acompanhada do punhal da arrogância e da prepotência. Mas venhamos e convenhamos, a imprensa é apenas um pretexto para o presidente desmantelar suas neuroses. No fundo, a intriga do presidente é com as perguntas.
Basta rebobinar os fatos e ver, desde o debate político eleitoral passado, como que o presidente se alinha às perguntas: sempre ou quase sempre com aspereza. As perguntas o incomodam absurdamente. Ao que parece, as interrogações geram uma alergia naquele que prefere ser o dono das exclamações. Sim, toda e qualquer pergunta tem o dom e capacidade de provocar, interpelar, sacar o imprevisível e extrair da nossa crueza e nudez as respostas mais ousadas e descaracterizadas das narrativas pré-moldadas.
Mas, as perguntas que mais incomodam o presidente são aquelas que vão na linha contrária das suas crenças e das suas atitudes. O ser supremo e majoritário é inquestionável, intocável e impermeável. É assim que Bolsonaro se apresenta. O homem avesso às interrogações. Nota-se, portanto, que todas as vezes em que ele se apresenta a público, digamos, equilibrado, é quando se apresenta com as respostas, os pontos e as vírgulas pré-formatados.
Engana-se quem pensa que Bolsonaro fala o que pensa. Ele fala o que sua plateia deseja ouvir. Reviremos os vídeos do então deputado Bolsonaro e vejamos seus posicionamentos e suas falas. Aliás, Bolsonaro segue terrivelmente aquela máxima: pensar dói. Por isso, fazer perguntas que por hora o levam a pensar é como atiçar o bisturi numa ferida verde e inflamada. O que sair dessa ferida, tire as suas conclusões.
Bateu o desespero. A fúria. O comportamento de Bolsonaro não é normal. É absurdo. Escreveu recentemente a colunista Olga Curado: “Bolsonaro acha que desmerece a imprensa com seus ataques. É um engano. Algumas das características do medo são a oscilação do tom de voz e o movimento de cabeça como se estivesse desviando de um ataque. No Atlas das Emoções, de Paul Ekman, a irritabilidade aparece como ponto inicial de um processo que pode chegar à fúria. E, como ensina o pesquisador, a raiva está intimamente ligada ao medo. Aliás, a raiva muitas vezes oculta o medo”.
Qual é o medo de Bolsonaro? Essa pergunta é a única capaz de finalizar essa reflexão. Deixemo-nos mover por essa pergunta e por outras, sobretudo aquelas que repugna o presidente.

Vinicius Figueira

É publicitário. Uma visão mais humanizada dos avanços tecnológicos e das próprias relações sociais tem destaque neste espaço. Escreve às quintas

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