A defesa de Henrique Lira Trad, jovem acusado por cinco tentativas de assassinato e uma lesão corporal causadas em um ataque praticado em uma escola de Vitória, pediu o adiamento do júri popular marcado para a próxima terça-feira (13). Motivo: ele foi internado com suspeita de tuberculose pleural.
A informação está no laudo médico anexado à solicitação formulada ao Juízo da 1ª Vara Criminal de Vitória, responsável pelo Tribunal do Júri da Capital.
O documento relata que ele foi internado no último dia 3 de outubro, em um hospital da Região Metropolitana da Grande Vitória, com suspeita de tuberculose na pleura, que é a membrana que envolve o pulmão. Aponta ainda que ele apresenta acúmulo de líquido no lado direito do peito, ocupando cerca de dois terços desse lado.
Nesta quarta-feira (7), Trad seria submetido a um procedimento para retirar o excesso de líquido e aliviar a respiração, além do envio do material para análise. Haveria ainda a realização de uma biópsia para confirmar o diagnóstico e, na sequência, o início do tratamento. Não há previsão de alta.
No processo há despacho do Juízo da 1ª Vara Criminal de Vitória solicitando informações mais detalhadas à Secretaria de Estado da Justiça (Sejus), responsável pela gestão do sistema prisional capixaba, sobre a internação. Também foi encaminhado o pedido para a manifestação do Ministério Público do Espírito Santo (MPES) sobre o adiamento do júri.
O jovem está detido, desde o cometimento dos crimes, no Centro de Detenção Provisória de Viana 2 (CDPV2).
Por nota, a Sejus informou que o interno recebeu acompanhamento de saúde na unidade prisional. E que desde o dia 3 foi encaminhado para tratamento especializado em unidade hospitalar, onde permanece sob escolta da Polícia Penal.
O advogado Homero Mafra, que faz a defesa de Trad, não foi localizado, mas o espaço segue aberto a eventuais manifestações. À Justiça, ele informou que é direito do seu cliente participar do júri, o que foi impossibilitado diante do seu quadro de saúde.
“Importante consignar que, estando hospitalizado e extremamente debilitado, o requerente não poderá acompanhar o julgamento pelo júri; não poderá orientar seus advogados sobre questões de fato; não exercerá, portanto, nem a defesa nem o contraditório em sua plenitude”, disse Mafra em sua petição.
Os crimes aconteceram no início da tarde de 19 de agosto de 2022, quando Henrique Lira Trad tinha pouco mais de 18 anos. Ele invadiu a Escola Municipal de Ensino Fundamental Eber Louzada Zipinotti, em Jardim da Penha, Vitória, local onde teria sofrido um suposto bullying.
No caminho, encontrou as vítimas até ser contido por um professor, que o manteve imobilizado até a chegada da Polícia Militar. Ele segue preso desde então.
MAIS COLUNAS DE VILMARA FERNANDES