Investigações realizadas no Espírito Santo identificaram, e obtiveram provas, do envio de dinheiro para a gestão da facção Primeiro Comando da Capital (PCC), em São Paulo. As remessas eram enviadas por uma liderança que atuava na Ilha do Príncipe, em Vitória. O grupo criminoso contava ainda com o apoio de um policial militar, que recebia para fornecer informações e garantir segurança.
Os levantamentos iniciais apontam que entre fevereiro e março deste ano foram encaminhados para o setor Sintonia Geral Progresso da unidade paulista — responsável pela gestão e gerenciamento do tráfico —, cerca de R$ 100 mil.
Mas as estimativas são de valores maiores, considerando que pelo menos 24 contas bancárias estavam sendo utilizadas pelos criminosos para fazer a movimentação financeira. Em nome de terceiros, elas eram utilizadas para receber recursos e outras para enviar o dinheiro para a facção, em São Paulo.
Segundo informações do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), por nota, o objetivo era dissimular a origem e a destinação dos valores ilícitos. Há indícios de que envolviam negociações de pagamento de dívidas referentes a compra de drogas.
Como estava em regime prisional semiaberto desde março, havia indicações de que receberia o benefício da ‘saidinha’ de Natal, o que foi impedido com a decretação de uma nova prisão.
O esquema criminoso contava com a participação de um policial militar que recebia dinheiro para impedir que o líder do tráfico da Ilha do Príncipe fosse preso. As negociações dele eram feitas diretamente com Yago, a quem fornecia informações sobre mandados de prisão.
O militar recebia cerca de R$ 2 mil por semana. O pagamento era feito por um intermediário que foi preso nesta quinta-feira (12). Já o policial foi detido no mês de outubro pela corporação, a partir da ação da Auditoria Militar.
As investigações foram iniciadas em outubro com o objetivo de desarticular o núcleo do PCC com atuação na lavagem de dinheiro, tráfico de drogas, comércio ilegal de armas e corrupção ativa de agentes públicos na região da Ilha do Príncipe, em Vitória.
Foram presas nove pessoas, algumas em flagrante por porte de arma, e duas já estavam detidas. Outras cinco estão com mandados de prisão em aberto e são consideradas foragidas.
Também houve buscas e apreensão autorizada pela 8ª Vara Criminal de Vitória, para cumprimento nos municípios de Vitória, Cariacica, Vila Velha e Serra.
A defesa de Yago não foi localizada, mas o espaço segue aberto a manifestação.