O juiz Carlos Henrique Rios do Amaral Filho, da 1ª Vara Criminal de Vitória, que preside o júri popular do caso da ciclista e modelo Luísa Lopes, morta após ser atropelada na Avenida Dante Michelini, determinou que jurados, advogados e promotores sigam, ainda nesta quarta-feira (5), ao local do acidente.
A decisão foi determinada para que todos possam verificar in loco e nas mesmas condições de horário e iluminação como ocorreu o atropelamento. A previsão é de que o grupo chegue à Avenida Dante Michelini por volta das 19h50, horário em que Luísa foi atingida pelo carro conduzido pela ré, Adriana Felisberto.
Questionado sobre a possibilidade de interferência do público durante a ida dos jurados à Avenida Dante Michelini, o promotor Leonardo Augusto Cesar afirmou que o juiz já orientou que qualquer manifestação ou tentativa de influência seja desconsiderada pelos jurados.
"Eu também faço esse pedido para quem estiver passando pelo local: que colabore com a Justiça e não faça qualquer tipo de manifestação, nem contra nem a favor. Assim, os trabalhos poderão ocorrer da melhor maneira possível e a gente conseguirá concretizar a Justiça", afirmou.
O promotor Leonardo Augusto Cesar explicou que a ida dos jurados à Avenida Dante Michelini foi um pedido do Ministério Público, acatado pelo juiz. Segundo ele, uma das alegações da defesa é que não havia visibilidade suficiente no local do atropelamento.
"Todos sabem que é uma avenida muito bem movimentada e iluminada. Para tirar essa possível dúvida dos jurados, nós pedimos que eles sejam levados até lá e vejam com os próprios olhos que a luminosidade é suficiente para enxergar qualquer pessoa naquela distância e também ter noção da velocidade maior que a ré estava", explicou.
Questionado sobre a decisão do juiz, o advogado Fábio Marçal, que faz a defesa de Adriana Felisberto, afirmou que a medida é mais favorável à acusação do que à defesa. Segundo ele, a principal discussão do júri é sobre a existência ou não de dolo eventual, já que a defesa busca a desclassificação do crime doloso para homicídio culposo.
"É incontroverso que foi um acidente, que houve uma vítima e que se trata de um homicídio culposo. Estamos discutindo um fato, mas a questão do dolo eventual até agora não foi provada. A oitiva dos peritos foi importante: o sinal estava aberto para os veículos e a vítima entrou inesperadamente na via", afirmou.
O advogado disse ainda que a visita ao local será importante para que os jurados tenham conhecimento das condições da pista, embora ressalte que o cenário será diferente do dia do atropelamento.
"O movimento não será o mesmo porque naquele dia era feriado e hoje é um dia de movimento. Mas é importante para a lealdade judicial, para que não paire dúvida sobre a decisão dos jurados", declarou.
A previsão é de que o júri se estenda até sexta-feira (7).