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Brasil

Qual é o fundo do poço?

O que temos visto acontecer não é política, mas uma dita insanidade, que a bem da verdade é criminosa, precisa ser responsabilizada e interceptada, por meio dos poderes constituídos e legítimos

Públicado em 

23 nov 2024 às 01:50
Verônica Bezerra

Colunista

Verônica Bezerra

Em uma semana testemunhamos ataque à bomba aos poderes da República e o desmonte de um esquema para assassinar  presidente e vice-presidente eleitos e ainda um ministro da mais alta Corte de Justiça. Enredos e tramas dignos de filmes que, infelizmente, fazem parte da história de um país que sonha em ter paz.
A pergunta que sempre fica latejando é se esse poço tem fundo, e o que mais vamos descobrir. A capacidade de pessoas que são incapazes de viver com as diferenças e veem no outro um inimigo. A sanha de destruição é incompreensível. No entanto, é real e nos assola.
Diante das descobertas, não consigo relativizar a “tia do zap” que acampou vestida de verde-amarelo. Se alguém ainda acha que isso é sem importância, é necessário que se diga que esse ódio sem precedentes se catapulta para dentro do sistema, que é criminoso, e torna todos aqueles que apoiam responsáveis por consequência.
A reflexão que precisamos fazer é como, a partir dos últimos acontecimentos, vamos nos posicionar em nossas redes de relacionamento quando ouvirmos algo de apoio a esses tipos de conduta. Desmond Tutu, arcebispo anglicano da Cidade do Cabo, certa feita cravou que se você ficar neutro em situações de injustiça, você escolhe o lado do opressor.
Os grandes e mais horrendos crimes começam com intenções e cogitações, que vão adquirindo robustez a partir do insulamento de ideias manipuladas. Por isso a importância de, diante da menor movimentação, a interceptação. Atos, mesmo que preparatórios, devem ser denunciados pelo compromisso que todos nós temos de proteger a democracia e a vida.
As instituições públicas que compõem a estrutura do Estado Democrático de Direito têm o dever de proteger a sociedade e seus direitos, garantindo o bem-viver. Contudo, quando essas instituições são atacadas e feridas de morte, cabe à sociedade civil organizada entrar em cena e fazer a diferença.
Isso não tem a ver com direção, se para a esquerda ou direita, mas com a preservação de um núcleo essencial da humanidade, a possibilidade de viverem, todas as pessoas, em paz.
Francisco Wanderley Luiz atira explosivos em frente ao prédio do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília
Francisco Wanderley Luiz atira explosivos em frente ao prédio do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília Crédito: TV Justiça/Reprodução
Em apertada síntese, os termos “direita” e “esquerda”, com origem na Revolução Francesa, são empregados para classificar o pensamento político de uma pessoa, de um grupo ou de instituições. Nessa diferenciação, a “esquerda” defenderia a diminuição da desigualdade social por meio de maior intervenção do Estado na economia, com maiores impostos para garantir o bem-estar das pessoas, de denotado caráter liberal. Já a “direita” defenderia a liberdade individual, a livre iniciativa e a não interferência do Estado da economia, que se regularia por meio da livre concorrência entre as empresas privadas, de denotado caráter conservador.
Absolutamente, nem esquerda e nem direita possuem como objetivo eliminar o outro, destruir os poderes e aniquilar a democracia. Com o passar do tempo e dos ajustes que ambos termos têm em cada sociedade, o diálogo e a convivência republicana são premissas básicas, fazendo parte do repertório da atuação política saudável.
Portanto, o que temos visto acontecer não é política, mas uma dita insanidade, que a bem da verdade é criminosa, que precisa ser responsabilizada e interceptada, por meio dos poderes constituídos e legítimos, e com acompanhamento do controle social, previsto na Constituição.

Verônica Bezerra

Advogada, coordenadora de Projetos CADH, mestre em Direitos e Garantias Fundamentais (FDV) e especialista em Direitos Humanos e Segurança Pública

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