Em uma semana testemunhamos ataque à bomba aos poderes da República e o desmonte de um esquema para assassinar presidente e vice-presidente eleitos e ainda um ministro da mais alta Corte de Justiça. Enredos e tramas dignos de filmes que, infelizmente, fazem parte da história de um país que sonha em ter paz.
A pergunta que sempre fica latejando é se esse poço tem fundo, e o que mais vamos descobrir. A capacidade de pessoas que são incapazes de viver com as diferenças e veem no outro um inimigo. A sanha de destruição é incompreensível. No entanto, é real e nos assola.
Diante das descobertas, não consigo relativizar a “tia do zap” que acampou vestida de verde-amarelo. Se alguém ainda acha que isso é sem importância, é necessário que se diga que esse ódio sem precedentes se catapulta para dentro do sistema, que é criminoso, e torna todos aqueles que apoiam responsáveis por consequência.
A reflexão que precisamos fazer é como, a partir dos últimos acontecimentos, vamos nos posicionar em nossas redes de relacionamento quando ouvirmos algo de apoio a esses tipos de conduta. Desmond Tutu, arcebispo anglicano da Cidade do Cabo, certa feita cravou que se você ficar neutro em situações de injustiça, você escolhe o lado do opressor.
Os grandes e mais horrendos crimes começam com intenções e cogitações, que vão adquirindo robustez a partir do insulamento de ideias manipuladas. Por isso a importância de, diante da menor movimentação, a interceptação. Atos, mesmo que preparatórios, devem ser denunciados pelo compromisso que todos nós temos de proteger a democracia e a vida.
As instituições públicas que compõem a estrutura do Estado Democrático de Direito têm o dever de proteger a sociedade e seus direitos, garantindo o bem-viver. Contudo, quando essas instituições são atacadas e feridas de morte, cabe à sociedade civil organizada entrar em cena e fazer a diferença.
Isso não tem a ver com direção, se para a esquerda ou direita, mas com a preservação de um núcleo essencial da humanidade, a possibilidade de viverem, todas as pessoas, em paz.
Em apertada síntese, os termos “direita” e “esquerda”, com origem na Revolução Francesa, são empregados para classificar o pensamento político de uma pessoa, de um grupo ou de instituições. Nessa diferenciação, a “esquerda” defenderia a diminuição da desigualdade social por meio de maior intervenção do Estado na economia, com maiores impostos para garantir o bem-estar das pessoas, de denotado caráter liberal. Já a “direita” defenderia a liberdade individual, a livre iniciativa e a não interferência do Estado da economia, que se regularia por meio da livre concorrência entre as empresas privadas, de denotado caráter conservador.
Absolutamente, nem esquerda e nem direita possuem como objetivo eliminar o outro, destruir os poderes e aniquilar a democracia. Com o passar do tempo e dos ajustes que ambos termos têm em cada sociedade, o diálogo e a convivência republicana são premissas básicas, fazendo parte do repertório da atuação política saudável.
Portanto, o que temos visto acontecer não é política, mas uma dita insanidade, que a bem da verdade é criminosa, que precisa ser responsabilizada e interceptada, por meio dos poderes constituídos e legítimos, e com acompanhamento do controle social, previsto na Constituição.