Estamos na era dos “influencers”, função que em determinados momentos alcança o status de “profissão”, por muitas pessoas. “Influencers” ou influenciadores digitais, na atualidade, são pessoas que, por meio da produção de conteúdos veiculados nos canais on-line, como redes sociais e blogs, atraem uma quantidade massiva de seguidores. Esses influenciadores digitais conseguem que suas postagens viralizem e alcançam diferentes esferas midiáticas.
A capacidade efêmera dessas pessoas move mundos e fundos em determinado momento e por determinada causa, de forma pontual e superficial, como notícia de jornal que vira papel de peixe no dia seguinte.
Entrementes, ao longo da história, a existência de pessoas formadoras de opinião sempre foi importante para a construção de saberes e identidades, em muitos dos casos, definindo rumos de um país, de forma profunda e contínua.
O formador de opinião é aquela pessoa que tem a capacidade de influenciar e modificar a opinião de outras pessoas em diversos campos, tais como político, social, cultural, econômico, alimentar e moral.
A opinião, que pertence a um grande grupo do pensamento humano, é um juízo de valor que se emite sobre algo questionável. No caso da “opinião pública”, temos um conjunto de ideias compartilhadas por um grupo social acerca de um assunto, sendo abstrata, considerando que é levada em conta a informação recolhida em questionamento ou investigações.
No campo filosófico, opinião é uma proposição em que não se tem confiança total sobre a verdade do conhecimento. Noutros termos, a opinião admite a possibilidade de erro por não haver evidência plena. Nesse sentido, a opinião seria uma afirmação com menor evidência da verdade do que uma certeza. Opinião não é a verdade. Trata-se de juízo subjetivo, o que por seu turno,difere da crítica.
Algo de tamanha complexidade prescinde que o formador de opinião tenha argumento de autoridade sobre o assunto, e denotada responsabilidade, considerando as consequências que sua manifestação pode ter na vida das pessoas, de uma comunidade e de um país.
Pessoas formadoras de opinião eram, em um passado próximo, líderes natos que possuíam uma trajetória histórica robusta, com profundo conhecimento do assunto que manifestavam e se preocupavam com esse papel nas comunidades que pertenciam. Líderes religiosos, professores, pessoas públicas, militantes de causas sociais, jornalistas, empresários, entre outros.
Nos dias de hoje, muitas pessoas estão reivindicando esse papel de “formadores de opinião” ou “influencers”, manifestando-se de forma superficial e, em alguns casos, de maneira irresponsável nas redes sociais, às vezes, lucrando com isso e causando prejuízo na vida das pessoas que, infelizmente, absorvem conteúdos de forma irrefletida, se descaracterizando, e em muitos casos se violando.
Formadores de opinião devem nos ajudar a pensar e refletir sobre os assuntos que circundam nossa vida, mas a tomada de decisão e a formulação do nosso pensamento são duas tarefas vitais que devem ser protagonizadas por nós. Não se deve depositar no outro algo que é nosso, pois a fatura sempre chega em nosso nome e é intransferível.