E mais uma vez milhões de pessoas estão maravilhadas com as Olímpiadas. Atônitas diante de saltos, lances, manobras e pontos, vibra-se como não houvesse amanhã, mas o que é pior, como se não tivesse havido ontem.
É curioso como uma plateia de ricos se empoleira em arquibancadas, para admirar os pobres e pretos, em sua grande maioria. Sim, pois somente ricos conseguem ir à França, pagando a peso de ouro por passagens, hospedagens e ingressos, para ver “brilhar” os pobres, que sobrevivem, quando conseguem, de incentivos governamentais e patrocínio, muitas vezes criticados. Em sua potência máxima, ao chegar até o pódio, além de fazer ouvir o hino e hastear a bandeira, esses atletas soltam seu grito do fundo d’alma, carregado de dor e lágrimas.
Esse mix de gestos diz muito, para além da disputa por medalhas. Colorem as arenas com a cor da pele nada alva, típica do brasileiro, revelando que nossa latinidade é algo que nos constitui. Encantam com as danças que, entrelaçadas com as performances, compõem um bailar que tem a dor como anteparo. Exibem a bandeira nacional, provando que não adianta a tentativa de sua privatização, dado que ela é de todas, todos e todes. Determinam o soar do hino nacional que, mesmo com seus traços colonizados, revela o passado de sofrimento. Berram a desigualdade para todo o mundo saber que, entre uma olimpíada e outra, a “plateia elite” pouco se importa se estão sequer se alimentando, imagina vivendo e treinando com dignidade.
Chegar a uma olimpíada é, antes de tudo, um ato de resistência. E é assim que os pobres e pretos desse país, de olimpíada em olimpíada, vão colocando o Brasil a cada edição mais próximo do topo.
Os Jogos Olímpicos são a maior competição esportiva do mundo, disputados pelos países dos cinco continentes, mas nem todos. Os jogos são realizados a cada quatro anos e acontecem nas edições de verão e de inverno. Supostamente surgido na Antiguidade, por volta de 776 a. C. até 393 d.C., o que se sabe é que os jogos se relacionavam a rituais religiosos para homenagear Zeus. Por ser realizado inicialmente na cidade de Olímpia, situada na Grécia, o evento esportivo recebeu o nome de Olímpicos.
O Brasil participou de 25 edições, entre 1920 e 2024, com um total, até 2021, de 150 medalhas olímpicas, sendo 37 de ouro, 42 de prata e 71 de bronze, conquistadas. Foi sede dos Jogos Olímpicos em 2016, tendo o Rio de Janeiro como palco.
Desde o início da era moderna dos jogos, a competição só não foi realizada nos anos de 1916, 1940 e 1944, por ocasião das guerras mundiais, que ocorreram nesses intervalos. Mais uma incongruência humanitária das Olimpíadas, pois hoje, mesmo havendo guerras, os jogos acontecem, como se milhões de pessoas não estivessem morrendo.