Sair
Assine
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Paris

As incongruências de uma Olimpíada

Chegar a uma olimpíada é, antes de tudo, um ato de resistência. E é assim que os pobres e pretos desse país, de olimpíada em olimpíada, vão colocando o Brasil a cada edição mais próximo do topo

Publicado em 05 de Agosto de 2024 às 14:06

Públicado em 

05 ago 2024 às 14:06
Verônica Bezerra

Colunista

Verônica Bezerra

E mais uma vez milhões de pessoas estão maravilhadas com as Olímpiadas. Atônitas diante de saltos, lances, manobras e pontos, vibra-se como não houvesse amanhã, mas o que é pior, como se não tivesse havido ontem.
É curioso como uma plateia de ricos se empoleira em arquibancadas, para admirar os pobres e pretos, em sua grande maioria. Sim, pois somente ricos conseguem ir à França, pagando a peso de ouro por passagens, hospedagens e ingressos, para ver “brilhar” os pobres, que sobrevivem, quando conseguem, de incentivos governamentais e patrocínio, muitas vezes criticados. Em sua potência máxima, ao chegar até o pódio, além de fazer ouvir o hino e hastear a bandeira, esses atletas soltam seu grito do fundo d’alma, carregado de dor e lágrimas.
Esse mix de gestos diz muito, para além da disputa por medalhas. Colorem as arenas com a cor da pele nada alva, típica do brasileiro, revelando que nossa latinidade é algo que nos constitui. Encantam com as danças que, entrelaçadas com as performances, compõem um bailar que tem a dor como anteparo. Exibem a bandeira nacional, provando que não adianta a tentativa de sua privatização, dado que ela é de todas, todos e todes. Determinam o soar do hino nacional que, mesmo com seus traços colonizados, revela o passado de sofrimento. Berram a desigualdade para todo o mundo saber que, entre uma olimpíada e outra, a “plateia elite” pouco se importa se estão sequer se alimentando, imagina vivendo e treinando com dignidade.
Chegar a uma olimpíada é, antes de tudo, um ato de resistência. E é assim que os pobres e pretos desse país, de olimpíada em olimpíada, vão colocando o Brasil a cada edição mais próximo do topo.
Os Jogos Olímpicos são a maior competição esportiva do mundo, disputados pelos países dos cinco continentes, mas nem todos. Os jogos são realizados a cada quatro anos e acontecem nas edições de verão e de inverno. Supostamente surgido na Antiguidade, por volta de 776 a. C. até 393 d.C., o que se sabe é que os jogos se relacionavam a rituais religiosos para homenagear Zeus. Por ser realizado inicialmente na cidade de Olímpia, situada na Grécia, o evento esportivo recebeu o nome de Olímpicos.
Paris durante os Jogos Olímpicos de 2024
Paris durante os Jogos Olímpicos de 2024 Crédito: Vitor Jubini
O Brasil participou de 25 edições, entre 1920 e 2024, com um total, até 2021, de 150 medalhas olímpicas, sendo 37 de ouro, 42 de prata e 71 de bronze, conquistadas. Foi sede dos Jogos Olímpicos em 2016, tendo o Rio de Janeiro como palco.
Desde o início da era moderna dos jogos, a competição só não foi realizada nos anos de 1916, 1940 e 1944, por ocasião das guerras mundiais, que ocorreram nesses intervalos. Mais uma incongruência humanitária das Olimpíadas, pois hoje, mesmo havendo guerras, os jogos acontecem, como se milhões de pessoas não estivessem morrendo.

Verônica Bezerra

Advogada, coordenadora de Projetos CADH, mestre em Direitos e Garantias Fundamentais (FDV) e especialista em Direitos Humanos e Seguranca Pública

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Editais e Avisos - 11/06/2026
Imagem de destaque
Indústrias do ES revelam ações para reduzir poluição
Imagem de destaque
EUA lançam novos ataques contra o Irã após Trump ameaçar 'atingir o país com força' diante da falta de acordo

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados