Chegamos a mais um 5 de junho, dia que se destina ao meio ambiente, com políticas ambientais refratárias e reféns de um sistema que não se preocupa na realidade com o meio ambiente, e muito menos com as consequências decorrentes da desproteção que este suporta cotidianamente, por meio das ações e omissões.
As empresas que não abrem mão do lucro em prol de práticas menos ofensivas ao meio ambiente, os ativistas que muitas das vezes mantém uma postura retrátil a depender do tabuleiro de negociações e os governos, federal e estaduais, que se curvam aos pedidos de grandes grupos intermediados por políticos, parlamentares e executivos.
Digno de nota é que todos, sem exceção, incluem nas suas narrativas de conquista de eleitorado ou de poder, a questão ambiental como bandeira de luta primeva, mas não a repercutem em suas práticas.
Um dos exemplos disso foram os acontecimentos das últimas semanas, quando da apresentação de alterações de legislações que desmontam os ministérios dos Povos Originários e do Meio Ambiente, fazendo com que o Brasil revele ao mundo que o seu compromisso com a proteção socioambiental e com o enfrentamento da crise climática, não tem passado de meros arroubos vocais panfletários, incapazes de consolidar-se em robustez traduzida na implementação e consolidação de políticas ambientais sérias, permanentes e com status estatal.
A orquestração ocorrida no Congresso Nacional no dia 24 de maio, no sentido de institucionalizar o genocídio indígena e ecocídio brasileiro, com as propostas de aprovação do relatório da MP 1154/23, requerimento de urgência da PL 490/07 e da MP 1150/2022, que reestrutura os ministérios, libera a exploração de territórios indígenas e permite o aumento da devastação da Mata Atlântica, respectivamente, a materialização do descompromisso.
A demarcação de terras indígenas é a medida governamental mais aprovada pela população, em um percentual de 65%. Esse percentual consolida a preocupação da grande parte da população que sofre as consequências da crise climática, e compreende que garantir a proteção dos povos indígenas e a demarcação de territórios são alternativas racionais ao enfrentamento dessa crise.
Importante relembrar a expectativa que a eleição de um governo dito preocupado com essas questões despertou mundo afora, que se encontra a espera de políticas efetivas para zerar o desmatamento e proteger o meio ambiente.
Falhar nessa missão, além de perder uma credibilidade que está caminhando para a reconstrução, é comprometer a vida de toda uma espécie, incluindo aqueles que colocam o lucro e o poder antes da preservação do meio ambiente.
Sem vida não há poder. Sem vida não tem como gastar o dinheiro que se ganha.