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Sustentabilidade

A falácia das narrativas de defesa do meio ambiente

Um dos exemplos disso foram os acontecimentos das últimas semanas, quando da apresentação de alterações de legislações que desmontam os ministérios dos Povos Originários e do Meio Ambiente

Publicado em 05 de Junho de 2023 às 12:29

Públicado em 

05 jun 2023 às 12:29
Verônica Bezerra

Colunista

Verônica Bezerra

Chegamos a mais um 5 de junho, dia que se destina ao meio ambiente, com políticas ambientais refratárias e reféns de um sistema que não se preocupa na realidade com o meio ambiente, e muito menos com as consequências decorrentes da desproteção que este suporta cotidianamente, por meio das ações e omissões.
As empresas que não abrem mão do lucro em prol de práticas menos ofensivas ao meio ambiente, os ativistas que muitas das vezes mantém uma postura retrátil a depender do tabuleiro de negociações e os governos, federal e estaduais, que se curvam aos pedidos de grandes grupos intermediados por políticos, parlamentares e executivos.
Digno de nota é que todos, sem exceção, incluem nas suas narrativas de conquista de eleitorado ou de poder, a questão ambiental como bandeira de luta primeva, mas não a repercutem em suas práticas.
Um dos exemplos disso foram os acontecimentos das últimas semanas, quando da apresentação de alterações de legislações que desmontam os ministérios dos Povos Originários e do Meio Ambiente, fazendo com que o Brasil revele ao mundo que o seu compromisso com a proteção socioambiental e com o enfrentamento da crise climática, não tem passado de meros arroubos vocais panfletários, incapazes de consolidar-se em robustez traduzida na implementação e consolidação de políticas ambientais sérias, permanentes e com status estatal.
A orquestração ocorrida no Congresso Nacional no dia 24 de maio, no sentido de institucionalizar o genocídio indígena e ecocídio brasileiro, com as propostas de aprovação do relatório da MP 1154/23, requerimento de urgência da PL 490/07 e da MP 1150/2022, que reestrutura os ministérios, libera a exploração de territórios indígenas e permite o aumento da devastação da Mata Atlântica, respectivamente, a materialização do descompromisso.
Marina Silva, ministra do Meio Ambiente
Marina Silva, ministra do Meio Ambiente Crédito: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
A demarcação de terras indígenas é a medida governamental mais aprovada pela população, em um percentual de 65%. Esse percentual consolida a preocupação da grande parte da população que sofre as consequências da crise climática, e compreende que garantir a proteção dos povos indígenas e a demarcação de territórios são alternativas racionais ao enfrentamento dessa crise.
Importante relembrar a expectativa que a eleição de um governo dito preocupado com essas questões despertou mundo afora, que se encontra a espera de políticas efetivas para zerar o desmatamento e proteger o meio ambiente.
Falhar nessa missão, além de perder uma credibilidade que está caminhando para a reconstrução, é comprometer a vida de toda uma espécie, incluindo aqueles que colocam o lucro e o poder antes da preservação do meio ambiente.
Sem vida não há poder. Sem vida não tem como gastar o dinheiro que se ganha.

Verônica Bezerra

Advogada, coordenadora de Projetos CADH, mestre em Direitos e Garantias Fundamentais (FDV) e especialista em Direitos Humanos e Seguranca Pública

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