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Governo federal

MP que reestrutura ministérios: a luta indígena não tem trégua

Pouco tempo após o Brasil ter a primeira indígena a assumir um ministério, o recém-criado Ministério dos Povos Indígenas, o Congresso Nacional pode esvaziar as funções da pasta comandada por Sônia Guajajara

Publicado em 26 de Maio de 2023 às 00:30

Públicado em 

26 mai 2023 às 00:30
Caio Neri

Colunista

Caio Neri

Sônia Guajajara, líder indígena indicada por Lula para comandar Ministério dos Povos Indígenas
Congresso Nacional pode esvaziar as funções da pasta comandada por Sônia Guajajara Crédito: Reprodução Instagram/ @leo.otero
Em abril, celebrou-se no Brasil, especificamente no dia 19, o Dia dos Povos Indígenas. Em alusão à data, muitos indígenas acamparam em Brasília e marcharam pela Esplanada dos Ministérios na busca por direitos e respeito. Num dos atos em frente ao Congresso Nacional, enfatizou-se que esses direitos não poderiam ficar apenas no papel.
Dias após, a preocupação mostrou-se atual e relevante, indicativo de que pode até passar o mês de abril, mas a luta pelos direitos indígenas deve ser constante. Pouco tempo após o Brasil ter a primeira indígena a assumir um ministério, o recém-criado Ministério dos Povos Indígenas, o Congresso Nacional pode esvaziar as funções da pasta comandada por Sônia Guajajara. Ocorre que o deputado Isnaldo Bulhões (MDB-AL), propôs no relatório de uma Medida Provisória a retirada da gestão de demarcação de terras indígenas do Ministério dos Povos Indígenas e deixando a cargo do Ministério da Justiça.
As mudanças na MP que reestrutura ministérios também podem levar à transferência da gestão do Cadastro Ambiental Rural (CAR) do Ministério do Meio Ambiente para o Ministério da Gestão e Inovação. O Ministério do Meio Ambiente também pode ficar de fora da tomada de decisões na implementação do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa) e do Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos (Sinir), que passaria ao controle do Ministério das Cidades. 
Acertadamente, diversos políticos como as ministras Marina Silva e Sônia Guajajara apontaram o retrocesso: “É algo que é um sinal, um dos piores sinais. São 500 anos de história em que nós decidimos o que fazer para nós mesmos. Estamos dizendo que os indígenas não têm isenção para fazer o que é melhor para eles mesmos em relação a demarcação de suas terras”. 
Isso sem lembrar das pressões que os órgãos ambientais vêm sofrendo após o Ibama negar o pedido de licença para a Petrobras pesquisar possível extração na costa do Amapá e nas proximidades da foz do rio Amazonas. Ninguém, principalmente uma empresa que, por óbvio, visa o lucro, iniciaria uma empreitada tão grande e custosa sem que houvesse o interesse (ainda que indireto) em explorar as riquezas minerais.
O governo federal precisa honrar as promessas de campanha do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva. Não é coerente que haja uma onda contrária ao meio ambiente e aos direitos dos povos originários, sobretudo após os últimos anos em que a gestão anterior tudo fez para “passar a boiada”, com a flexibilização de regras ambientais e o desmonte das políticas indigenistas e de defesa do meio ambiente ecologicamente equilibrado.
Não adianta criar ou recriar ministérios se o ato não se fizer acompanhado de transmissão de poder de tomada de decisões e gestão de recursos orçamentários e financeiros. Não é porque o mundo inteiro está de olhos no Brasil que nossos ministérios precisam ser para “inglês ver”.

Caio Neri

E graduado em Direito pela Ufes e assessor juridico do Ministerio Publico Federal (MPF). Questoes de cidadania e sociedade tem destaque neste espaco.

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