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469 anos

No aniversário de Vitória, será que tudo é festa?

A cidade de Vitória tem bons indicadores econômicos e belezas naturais, mas ainda precisa dar atenção ao seu patrimônio histórico, como o Centro, e também pensar sua mobilidade

Públicado em 

03 set 2020 às 05:00
Tarcísio Bahia

Colunista

Tarcísio Bahia

Data: 04/09/2019 - ES - Vitória - Fotos aéreas para o aniversário de Vitória - Editoria: Cidades - Foto: Felipe Mota - Fly Now - GZ
Vista aérea de Vitória: cidade está completando 469 anos em 2020 Crédito: Felipe Mota/Fly Now
A cidade de Vitória, que completará 469 anos na próxima semana, é uma das mais antigas do país, tendo, portanto, um legado histórico, mas que nem sempre é lembrado ou pelo menos valorizado. Apesar de antiga, também é certo que a capital do Espírito Santo ficou muito tempo em relativo esquecimento, tanto pelo governo de Portugal quanto pelo imperial, após a mudança da corte para o Brasil.
Aniversário é para ser comemorado, mas será que tudo é festa quando se pensa em Vitória? Sim, a capital espírito-santense tem muitos motivos para celebrar.
No Espírito Santo, Vitória é a única cidade que tem um aeroporto com linhas regulares e uma universidade pública; possui uma geografia exuberante, composta por áreas ambientalmente protegidas, como o Maciço da Fonte Grande e o manguezal da Baía de Vitória; sedia, além dos portos públicos na área central, os operados na ponta de Tubarão por grandes empresas privadas, cujo resultado é uma economia dinâmica e uma população cosmopolita que acabam sendo pouco dependentes das ações do poder público.
Mas também temos que reconhecer os problemas da cidade, muitos dos quais poderiam ser evitados ou ter outro tratamento, principalmente por parte própria da Prefeitura Municipal de Vitória (PMV).
Como é o caso do patrimônio histórico arquitetônico e cultural, que está praticamente concentrado no Centro, e que entrou em debate dias atrás por conta de dois temas: a ameaça da ocupação do Centro Cultural Carmélia Maria de Souza para armazenamento de café e a decisão da justiça que autoriza a continuidade do processo de tombamento dos galpões do porto pelo Conselho Estadual de Cultura.
Efetivamente, o centro da cidade há tempos vem sofrendo processo de esvaziamento e, em consequência disso, ocorre uma impressão de decadência do local por parte da população capixaba.
Há esforços contrários e positivos, como é o caso do governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Gestão e Recursos Humanos (Seger), que vem agindo para transferir alguns órgãos estaduais para prédios da região central.
Por outro lado, percebe-se uma inércia por parte da PMV, que deveria ser mais enfática e cuidadosa em relação ao patrimônio municipal, pois pouco se vê por parte da administração atual ações para reverter a imagem de abandono da região. O Mercado da Capixaba, por exemplo, encontra-se fechado há muitos anos, se arruinando, e só vivendo de promessas da municipalidade de que um dia será restaurado e revitalizado.
No caso específico do Centro Cultural Carmélia, segundo a Secretaria de Patrimônio da União (SPU-ES), houve mesmo desinteresse da prefeitura em requalificar o espaço cultural, outrora pujante, mas que se encontra atualmente abandonado.
Tratemos agora de outro tema: a mobilidade. Afinal, trata-se de algo que nos atinge cotidianamente e interessa a todos.
Aqui é importante ressaltar que, por causa da pandemia, há cada vez mais pessoas fazendo uso da bicicleta para transitar pelas cidades, dado comprovado pelo impressionante aumento de 118% nas vendas de bicicletas no Brasil, segundo dados da Associação Brasileira do Setor de Bicicletas (Aliança Bike).
A administração do prefeito Luciano Rezende, porém, está há dois mandatos sem conseguir fazer algo simples como é a tal ciclovia da Praia do Canto. E caso houvesse, de fato, uma política municipal em prol da mobilidade ativa, bairros como Jardim da Penha, Bento Ferreira e a própria Praia do Canto poderiam ter sido objetos de rede de ciclorotas, que demandam baixo investimento, mas com grande eficácia tanto para quem já costuma fazer da bicicleta seu meio de transporte, como também para incentivar os novos ciclistas.
Já com relação ao trânsito, a chamada Linha Verde, a faixa exclusiva para ônibus, vans, veículos escolares etc. é uma iniciativa muito tímida, afinal, ela ocorre em apenas num único sentido da Avenida Dante Michelini, ou seja, muito pouco quando se pensa na cidade como um todo.
É claro que o atual confinamento arrefeceu o debate sobre a mobilidade, já que houve redução na circulação de veículos. Mas, tudo indica, trata-se de algo momentâneo, pois aos poucos haverá a retomada de quase todas as atividades pré-pandemia (as aulas escolares presenciais talvez sejam uma exceção) e o trânsito voltará ao seu ritmo normal, sem que a PMV tenha desenvolvido um efetivo plano de mobilidade em consonância com o desenvolvimento esperado para Vitória.
Quando se considera a situação de Vitória (município médio; localizado na Região Sudeste, a mais rica do país; PIB per capta alto; economia baseada no setor de serviços e no comércio exterior; boa receita no que tange ao índice de participação dos municípios; etc.), se conclui que ela é uma cidade fácil para se administrar em relação a grande maioria dos municípios brasileiros e, principalmente, capixabas.
É neste cenário que a cidade se encaminha para uma eleição inédita, na qual, em função da pandemia, o eleitor se verá distante dos candidatos. Que ele saiba escolher com sabedoria o novo prefeito e assim possamos ter mais motivos para comemorar o aniversário da cidade nos próximos anos!

Tarcísio Bahia

Arquiteto, professor da Ufes e diretor do IAB/ES. Cidades, inovação e mobilidade urbana têm destaque neste espaco

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