No último dia 14 de outubro, o trio Daron Acemoglu, Simon Johnson e James Robinson foi agraciado com o Prêmio Nobel de Economia, “pelos seus estudos de como as instituições são formadas e afetam a prosperidade”.
Por séculos, economistas tentam responder à questão central de por que algumas nações prosperam enquanto outras permanecem estagnadas. As pesquisas de Acemoglu, Johnson e Robinson trazem uma conclusão contundente: instituições políticas e econômicas inclusivas são cruciais para o crescimento de longo prazo.
Países que asseguram direito de propriedade, promovem inovação, mantêm a democracia e respeitam o Estado de Direito tendem a prosperar. Por outro lado, instituições extrativas, que concentram poder e riqueza em uma pequena elite, limitam o crescimento e sufocam o desenvolvimento.
E o que os estudos dos laureados com o Prêmio Nobel de Economia de 2024 podem contribuir para entendermos o desenvolvimento do Espírito Santo? Bastante!
No início dos anos 2000 o Espírito Santo gozava de uma reputação negativa no cenário nacional. O jornal Folha de São Paulo, por exemplo, denominava o estado capixaba de “Estado sem lei”. Isso ocorreu porque entre 1991 e 2002 assistiu-se a uma tríade do fracasso institucional: doze anos de governos fracos, poder legislativo atuando além de suas atribuições constitucionais e expansão da corrupção.
A trajetória institucional e política do Estado começou a mudar profundamente a partir de 2003. Com forte apoio da sociedade civil por meio do Fórum Reage Espírito Santo, liderado por representantes da Igreja Católica e da Ordem dos Advogados do Brasil (seccional do ES), além do movimento empresarial Espírito Santo em Ação, que contava com representantes dos principais grupos empresariais em atividade no estado, começou naquele ano a atuação de dois grupos políticos distintos, que têm se revezado no comando do Poder Executivo estadual desde então.
Tais grupos têm mantido, em grande medida, ao longo desse período de mais de vinte anos, boas políticas públicas nas áreas de saúde, educação, segurança pública etc., o que tem contribuído para destacar o ES no cenário nacional, mas dessa vez de forma positiva.
Além disso, as instituições econômicas e políticas capixabas vêm sendo fortalecidas e se tornado cada vez mais inclusivas nesse últimos 21 anos. As frases abaixo, retiradas de diversos veículos de imprensa, dão uma amostra disso: “O Espírito Santo está com as contas em dia”; “Governo do Espírito Santo foi o que mais realizou investimentos em 2023, entre todos os Estados da Federação”; “Pelo 12º ano consecutivo, o Espírito Santo recebeu a avaliação mais alta sobre a Capacidade de Pagamento dos Estados e Municípios (Capag) da Secretaria do Tesouro Nacional”; “ES passou da posição de ‘primo pobre’ do Sudeste a referência nacional”; “O Espírito Santo é um estado luz no Brasil”.
Esse fortalecimento institucional do ES tem permitido a ele alcançar bons resultados nas áreas de educação, saúde, segurança e redução da desigualdade. Vale destacar também que essa melhora na qualidade das suas instituições tem possibilitado o ES liderar a agenda climática dentre as 27 Unidades da Federação.
Em suma, as descobertas do trio não apenas explicam o que deu certo no passado, mas também traçam uma rota para o futuro. A construção e/ou o fortalecimento de instituições inclusivas é, segundo eles, é um caminho viável para o desenvolvimento econômico e sustentável e a redução das desigualdades, e o ES vem trilhando tal caminho.