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Eduardo Araújo

Artigo de Opinião

É consultor do Tesouro Estadual na Sefaz-ES. Conselheiro no Conselho Federal de Economia. Mestre em Políticas Públicas pela Universidade de Oxford
Eduardo Araújo

Quais são as lições do Nobel de Economia para o Brasil?

A relevância dessa teoria para o Brasil é imediata e profunda. Nosso país, rico em recursos e potencial humano, ainda luta para alcançar níveis de desenvolvimento compatíveis com suas aspirações. A pergunta que ecoa é: por quê?
Eduardo Araújo
É consultor do Tesouro Estadual na Sefaz-ES. Conselheiro no Conselho Federal de Economia. Mestre em Políticas Públicas pela Universidade de Oxford

Publicado em 21 de Outubro de 2024 às 12:28

Publicado em 

21 out 2024 às 12:28
O Prêmio Nobel de Economia de 2024 lança luz sobre um tema crucial para o desenvolvimento brasileiro: o papel das instituições. Acemoglu, Robinson e Johnson, os laureados, demonstraram como as "regras do jogo" moldam o destino econômico das nações.
Sua pesquisa revela que países prósperos compartilham um traço comum: instituições inclusivas que promovem oportunidades amplas e inovação. Em contraste, nações estagnadas frequentemente sofrem com instituições extrativas, que concentram poder e riqueza. Essa distinção oferece uma lente poderosa para examinarmos os desafios do Brasil.
A teoria desses economistas merece um olhar mais atento. Instituições inclusivas, argumentam eles, caracterizam-se por garantir direitos de propriedade, criar condições equitativas e incentivar investimentos em novas tecnologias e habilidades. Elas promovem a inovação e permitem que novas ideias e empresas floresçam, substituindo as antigas quando necessário.
Por outro lado, instituições extrativas concentram poder e oportunidade nas mãos de uma elite. Elas desestimulam a inovação, pois as elites temem mudanças que possam ameaçar seu poder. Essa teoria explica por que algumas nações prosperam enquanto outras, mesmo ricas em recursos, permanecem pobres.
A relevância dessa teoria para o Brasil é imediata e profunda. Nosso país, rico em recursos e potencial humano, ainda luta para alcançar níveis de desenvolvimento compatíveis com suas aspirações. A pergunta que ecoa é: por quê? A resposta, sugerem os Nobel, pode estar em nossas instituições.
Duas áreas cruciais - educação e tributação - ilustram como instituições podem tanto impulsionar quanto frear o progresso. Analisá-las sob essa ótica pode revelar caminhos para um futuro mais próspero.
O sistema educacional brasileiro, infelizmente, exemplifica instituições com traços extrativistas. A disparidade gritante entre escolas públicas e privadas perpetua desigualdades. O Ideb de 2023 é revelador: no ensino médio, escolas públicas alcançaram 4,1, enquanto as privadas chegaram a 5,6.
Essa diferença não é mero número; representa oportunidades negadas e talentos desperdiçados. Além disso, apenas 37% das crianças de 0 a 3 anos têm acesso a creches públicas, muito abaixo da média de 77% nos países da OCDE. Um sistema verdadeiramente inclusivo garantiria educação de qualidade para todos, independentemente da origem socioeconômica.
O sistema tributário brasileiro também carrega características extrativas, principalmente em sua regressividade. Dados da Receita Federal mostram que 44% da arrecadação em 2021 veio de tributos sobre consumo, que oneram proporcionalmente mais os pobres.
Esplanada dos Ministérios, com Praça dos Três Poderes ao fundo, em Brasília
Esplanada dos Ministérios, com Praça dos Três Poderes ao fundo, em Brasília Crédito: Ricardo Penna
Esse cenário contrasta fortemente com países desenvolvidos. No Canadá, por exemplo, cerca de 50% da receita provém de impostos progressivos, contra apenas 22% no Brasil. Um sistema tributário inclusivo distribuiria o ônus fiscal de forma mais equitativa, fomentando crescimento e reduzindo desigualdades.
A lição do Nobel de Economia é clara: para prosperar, o Brasil precisa transformar suas instituições extrativas em inclusivas. Isso significa repensar fundamentalmente como estruturamos nossos sistemas educacional e tributário, entre outros. Não é tarefa fácil, mas é necessária.
O Brasil já demonstrou capacidade de mudança institucional positiva, como na transição para a democracia. Agora, o desafio é aprofundar essas transformações. Construir instituições verdadeiramente inclusivas não é apenas uma questão econômica; é um imperativo moral para um país que aspira à grandeza. O futuro do Brasil depende disso.
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