Dois fatos de conjuntura nos levam a um presságio: tornou-se mais provável a retomada da ancoragem das expectativas econômicas e políticas no Brasil.
É essa ancoragem que pode abrir caminhos estruturais para a prosperidade e para a estabilidade política.
No estilo matreiro dos políticos mineiros, o ministro Fernando Haddad reuniu seis banqueiros de peso no Brasil com o presidente Lula. Mostraram a ele que a reestruturação dos gastos públicos, que inclui corte, é pré-requisito para o grau de investimento. Pressão velada. Lula teria sinalizado concordância com o início da reestruturação.
Se confirmado esse início, estará aí um efetivo efeito simbólico para balizar nova queda dos juros. A sintonia entre o fiscal e o monetário. Mas Haddad sabe que não basta convencer o presidente. É preciso também convencer o Congresso e o Judiciário. Para conter eventuais pautas bombas de aumento de gastos.
Vem daí a importância da sinalização de apoio do mercado e da vigilância da sociedade. Será para valer?
As instituições conformam as regras do jogo – conjunto de normas culturais ou legais que regulam as interações políticas, econômicas e sociais. As regras existem para reduzir as incertezas e estimular a prosperidade. É a essência da ancoragem das expectativas.
Acemoglu, Johnson e Robson mostram, com análise histórica e factual, que as instituições inclusivas da democracia, a partir do Estado democrático de Direito, têm mais poder de garantir a participação mais ampla da população na economia e na política, levando o país mais efetivamente à prosperidade.
Pois bem. Enquanto a Moody´s induz o ajuste fiscal e monetário, a Teoria Institucional dos ganhadores do Nobel corrobora e estimula a retomada das reformas políticas.
Tendo se tornado uma democracia de massas nos últimos 40 anos, o Brasil ainda peleja com a armadilha do baixo crescimento e com o calcanhar de Aquiles do seu sistema político, a permanente incapacidade de formação de maiorias de governo.
As instituições políticas democráticas formam um conjunto complexo. São elas o regime de governo (presidencialismo ou parlamentarismo); a forma de Estado (federal ou unitário); o sistema eleitoral (proporcional ou majoritário); o sistema de partidos (bipartidário ou pluripartidário); a configuração do parlamento (unicameral ou bicameral); o funcionamento da justiça eleitoral; e a relação com o Banco Central. São instituições entrelaçadas. Umas afetam as outras.
Mas hoje o sistema eleitoral e a legislação partidária representam o problema número um, na ordem de prioridades. Estão, digamos, no topo do calcanhar de Aquiles.
Nosso sistema eleitoral proporcional uninominal não garante representatividade e participação política, além de estimular a fragmentação partidária. Ele não expressa a proporcionalidade eleitoral e aumenta o custo de uma verdadeira indústria das eleições. Vide o último dos exemplos: as eleições deste ano de 2024.
Portanto, não leva à formação de maiorias. O país vive uma sistemática dinâmica de instabilidade política. Uma fábrica de crises. A boa notícia é que, agora na volta gradual à Brasília, os políticos já falam em reformar o sistema.
Vamos acompanhar as resultantes do efeito Moody's e do efeito Prêmio Nobel de Economia. Teremos ajuste fiscal e ajuste institucional? A conferir.