A produtividade é um dos temas centrais na discussão econômica. Sua importância decorre do fato de ser, em última análise, o fator preponderante na definição da prosperidade de indivíduos, firmas, regiões e países.
O termo produtividade diz respeito à quantidade de produto obtida para um dado conjunto de fatores de produção empregados, tradicionalmente, capital e trabalho. Três medidas clássicas de produtividade são, portanto, a produtividade do trabalho, a do capital e a chamada produtividade total dos fatores (PTF), que agrega ambos os fatores de produção.
A produtividade do trabalho está mais diretamente relacionada ao nível de desenvolvimento dos países. Pesquisas mostram que existe uma forte relação entre o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), calculado pela Organização das Nações Unidas (ONU), e a produtividade do trabalho, que pode ser definida como produto por trabalhador ocupado ou produto por hora trabalhada. Em outras palavras, regiões e países com maior produtividade do trabalho tendem a ter maiores níveis de IDH.
Como está a produtividade do trabalho no Brasil em relação a outros países? Estudo realizado pelo professor José Pastore da Faculdade de Economia e Administração da USP mostra que, em termos de riqueza, o trabalhador brasileiro produz em uma hora o equivalente a apenas 25% do que é produzido nos EUA. Comparado a outros países, como Noruega (22%), Luxemburgo (23%) e Suíça (24%), o desempenho do Brasil é ainda pior.
No caso do Espírito Santo, como está a sua produtividade do trabalho em relação a outras Unidades da Federação (UFs)? Para responder essa questão usei a metodologia do Observatório da Produtividade do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE/FGV) que, basicamente, divide o Valor Adicionado da atividade econômica pelo número total de horas trabalhadas. A base de dados é o período 2012-2021, o ano mais recente disponível, e os valores foram trazidos a preços de 2023.
Nesse período de dez anos (2012-2021), a produtividade do trabalho no ES girou em torno de uma média de R$ 45,0 por hora trabalhada, 9ª posição entre as 27 UFs e 4% abaixo da média nacional (R$ 46,9). As UFs com maior produtividade que o Espírito Santo são: Distrito Federal, mas cabe a ponderação do grande peso que o serviço público tem na sua economia; Rio de Janeiro e São Paulo, os dois estados com maior PIB do país; Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, estados do Centro-Oeste especializados no agronegócio exportador; Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná, estados do Sul e com diversificação econômica.
Vale dizer também que desde 2015 a produtividade do trabalho no Espírito Santo está abaixo da média nacional. A hipótese que levantamos para explicar esse fato é um conjunto de fatores que afetaram a atividade econômica capixaba, mais do que em outras UFs, como os acidentes com as barragens de Brumadinho/MG e Mariana/MG, a crise hídrica, a redução da produção de petróleo, a equalização do imposto de importação por conta e ordem de terceiros e a pandemia da Covid-19.
Especialistas no tema apontam os seguintes elementos como causas da baixa produtividade do trabalho no Brasil:
- Baixa qualificação e capacidade dos trabalhadores (capital humano);
- Tecnologia atrasada e mal administrada nas empresas (capital físico);
- Investimento caro e abaixo do necessário (capital financeiro);
- Infraestrutura (rodovias, ferrovias, hidrovias, portos insuficientes e sucateados);
- Burocracia complicada;
- Ambiente de negócios ineficiente.
A boa notícia é que nos últimos anos o Espírito Santo vem adotando medidas em cada um desses seis elementos para melhorar a produtividade do trabalho, inclusive com destaque nacional em alguns casos. Estamos no caminho certo e devemos persistir, pois os resultados dessas políticas não são imediatos. Contudo, as ações estaduais têm um limite, ou seja, o governo federal também precisa tomar medidas e contribuir de forma mais efetiva para que a produtividade do trabalho aumente no Brasil como um todo.