Há pelo menos 70 anos, já existia a preocupação com negócios sustentáveis. Autores seminais de responsabilidade corporativa como William Frederick e Joseph W. McGuire, nos anos 1960, já rogavam que as empresas deveriam assumir certas responsabilidades perante a sociedade, as quais se estendem para além de suas obrigações legais e econômicas. A sigla ESG, no entanto, só foi aparecer de fato no presente século, mais precisamente em 2005, com o relatório “Who cares wins” (“Ganha quem se importa”), redigido pela Organização das Nações Unidas (ONU).
O fato é que nas últimas duas décadas, o mundo corporativo abraçou a agenda ESG (ASG, em português), que é a sigla para Environmental, Social and Governance (Ambiental, Social e Governança). As três áreas centrais da responsabilidade corporativa aparecem como princípios do ESG: meio ambiente, social e governança. Em resumo, abordam o seguinte:
- Meio ambiente: refere-se ao impacto ambiental da empresa, incluindo emissões de carbono, gestão de resíduos e uso de recursos naturais;
- Social: questões relacionadas à equidade, diversidade e inclusão, direitos humanos, condições de trabalho e relações com a comunidade;
- Governança: transparência, integridade e responsabilidade dos líderes da empresa, incluindo a remuneração dos executivos, práticas de voto e gerenciamento de risco.
A integração desses três pilares no planejamento estratégico e nas decisões de negócios é fundamental para garantir a sustentabilidade a longo prazo das empresas. Organizações que adotam os princípios ESG em seus processos são reconhecidas por valores sustentáveis e apresentam bom desempenho financeiro.
A evidência empírica é favorável ao impacto dos investimentos ESG na performance das empresas: Fried, Busch e Bassen (2015), por exemplo, apresentaram um apanhado da literatura, com base em 60 resenhas, cobrindo mais de 2 mil estudos empíricos realizados desde o início dos anos 1970 até 2014. Os autores evidenciaram que chega a 62% a proporção de estudos que identificaram impactos positivos dos investimentos ESG no desempenho de empresas.
A introdução de critérios ESG nas decisões de investimento pode ser entendida como uma ampliação do foco em shareholders (acionistas) para todos os stakeholders (partes interessadas). Com isso, as decisões de investimentos e concessão de crédito passam a levar em consideração o impacto desses em todas as partes interessadas – funcionários, consumidores, fornecedores e comunidade – e não somente o lucro potencial para a instituição financeira e seus acionistas.
Trazendo para mais perto: há alguns anos, o Bandes vem desenvolvendo ações para tornar sua gestão financeira ainda mais sustentável. Em função disso, recentemente a Fitch Ratings, uma das três maiores agências de risco do mundo, reafirmou o rating do banco de desenvolvimento capixaba como AA em escala nacional (Fitch Affirms Ratings of Four Development Entities Controlled by Brazilian Subnationals (fitchratings.com)), em linha com seus principais pares da Associação Brasileira de Desenvolvimento Econômico (ABDE), que congrega as Instituições Financeiras de Desenvolvimento (IFDs) do Brasil. Esse rating confirma a solidez fiscal do governo do Espírito Santo, o controlador do Bandes, mas também mostra a sua boa gestão financeira.
O banco capixaba administra e/ou opera 14 fundos de fomento, cujos recursos são destinados para o desenvolvimento sustentável do Espírito Santo. Contudo, é desafiador administrar e/ou operar esses recursos, pois eles estão sujeitos à regulação bancária, à fiscalização de órgãos de controle e a regimes tributários diversos. Mesmo assim, a equipe do banco executa esse trabalho com competência e a auditoria externa independente atesta sem ressalvas a contabilidade desses fundos. Isso é o “G” do ESG na prática.
Não bastasse isso, o Bandes tem melhorado significativamente sua gestão de tesouraria nos últimos anos. Equilibrando risco e retorno, buscando aplicar suas disponibilidades em títulos públicos atrelados à Selic e à inflação, além de títulos de mais de 40 instituições financeiras bem classificadas, com prazos mais alongados, o banco de desenvolvimento capixaba tem alcançado rentabilidades superiores à de fundos multimercado de instituições como Itaú, Bradesco, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. Vale lembrar que a taxa Selic a 13,75% ao ano é igual para todos. Isso é o “G” do ESG na prática.
Outra frente importante é o controle da inadimplência e a recuperação de crédito baixado a prejuízo. A inadimplência do banco já foi superior a dois dígitos, muito em função da crise hídrica que afetou o estado entre 2015 e 2017. Atualmente gira em torno de 3%, em média com as boas práticas do sistema financeiro. Além disso, nos últimos anos o banco recuperou mais de R$ 100 milhões de crédito por meio de suas ações de regularização de dívidas e permitindo que centenas de empresas e empreendedores possam tomar crédito novamente. Isso é o “S” do ESG na prática.
Manter o controle das despesas de pessoal e despesas administrativas é também ponto importante na gestão financeira do Bandes. Para isso, um dos principais indicadores usados no mercado é o índice de eficiência operacional, que divide a soma dessas duas despesas pela soma de duas receitas (Intermediação Financeira e Prestação de Serviços), e quanto menor for o seu resultado, melhor é a eficiência operacional do banco.
No caso do banco de desenvolvimento capixaba esse índice está entre os quatro menores das instituições financeiras de desenvolvimento do país, evidenciando que suas despesas são bem administradas. Ainda assim, o banco tem feito investimentos para continuar se modernizando, sobretudo em tecnologia da informação com a aquisição de novos equipamentos e desenvolvimento de sistemas que entregam valor para seus colaboradores e seus clientes. Isso é o “G” do ESG na prática.
Vale destacar que o Bandes também vem agregando valor na abordagem ESG nas suas operações de crédito. Além de operar recursos de fundos de fomento, o banco também repassa recursos BNDES e FINEP com taxas de juros e prazos diferenciados da média do mercado. Não obstante essas iniciativas, o banco de desenvolvimento capixaba assinou contrato com o BID para repassar US$ 30 milhões (cerca de R$ 150 milhões) a empresas afetadas pela crise causada pela pandemia da Covid-19. E o Bandes vai além: está se estruturando para captar recursos para financiar a transição verde no Estado. Isso é o “E” do ESG na prática.
Por fim, é preciso dizer que o Bandes promove o desenvolvimento sustentável do Espírito Santo, mas também realiza boa gestão financeira dos recursos a que tem acesso. A gestão financeira sustentável é aquela que busca integrar a responsabilidade socioambiental com a eficiência financeira e isso tem sido praticado no banco de desenvolvimento capixaba. Por isso, boa gestão financeira também promove desenvolvimento sustentável.