Muitas pesquisas de opinião têm revelado números parecidos em relação ao momento brasileiro. A nova pesquisa do instituto Datafolha, cujos dados foram colhidos em 2.002 entrevistas entre o dia 19 e 20 de março de 2024, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou menos, merece reflexão.
Em relação às expectativas, 58% dos eleitores ouvidos pelo Datafolha consideraram que o presidente Lula (PT) fez menos do que poderia à frente do Palácio do Planalto pela terceira vez. De acordo com análise feita por Igor Gielow, na Folha de S.Paulo, na edição digital de 21 de março, “aos três meses de mandato, achavam que o presidente estava fazendo menos do que poderia 51%”. A avaliação se manteve estável em 53% na pesquisa seguinte, de seis meses de mandato.
As curvas de aprovação e reprovação do governo se aproximaram, em um empate técnico. Quando questionados se a vida melhorou sob Lula 3, 25% dos entrevistados responderam que sim, para 56% ela permaneceu igual e 20% disseram que piorou. Os evangélicos representam o grupo que mais questionou a capacidade de entregar resultados do presidente.
Leonardo Sakamoto, em sua coluna de opinião no UOL, no dia 21 de março, avaliou que a “reprovação de Lula entre pobres sobe com alta de arroz e feijão”. A reprovação do governo Lula entre os brasileiros que ganham até dois salários mínimos foi de 21% para 29% em um ano, fazendo com que a diferença entre os que aprovam e os que reprovam caísse de 24 para 11 pontos nesse grupo de pessoas.
De acordo com Sakamoto, “praticamente no mesmo período, a alta acumulada do arroz foi e 30,72% e a do feijão preto, 20,11%”. O governo Lula 3 não conseguiu ainda restabelecer os estoques reguladores de alimentos básicos? Ele pretende enfrentar essa questão, ou adotará a tática de não “remoer o passado” dos governos anteriores para não entrar em confronto com os grandes interesses estabelecidos?
A cesta básica subiu em 14 das 17 capitais pesquisadas entre janeiro e fevereiro, segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O quilo do feijão subiu de preço em todas as cidades analisadas, e o arroz, em 14 delas. O preço da banana aumentou em 16 das 17 capitais pesquisadas.
Em artigo anterior publicado neste espaço, citei a pesquisa Genial/Quaest, que revelou que 63% se queixavam de aumentos nas contas, 73% consideraram que houve aumentos nos preços dos alimentos e 51% reclamavam dos preços dos combustíveis. As muitas insatisfações populares estão retratadas nas pesquisas de opinião.
Destaquei então a publicação no X, no dia 29 de fevereiro, do professor Gilberto Maringoni, da Universidade Federal do ABC, manifestando crítica e preocupação de que “a lógica manifestada por Lula de não ‘remoer o passado’ em relação ao golpe de 64, sendo preferível ‘olhar para a frente’ é a mesma utilizada em relação aos governos Temer e Bolsonaro”. Não avançaremos sem discutir e enfrentar traumas e legados regressivos.