Uma recente pesquisa Genial/Quaest revelou um quadro complexo em termos de insatisfações sociais. Quando questionados em fevereiro sobre a economia nos últimos doze meses, 38% dos entrevistados consideraram que ela piorou, enquanto 26% disseram que ela melhorou.
De acordo com a pesquisa, 63% se queixaram de aumentos nas contas, 73% consideraram que houve aumentos nos preços dos alimentos e 51% reclamaram dos preços dos combustíveis. Apesar da geração de postos de trabalho, as insatisfações refletem o quase empate entre quem aprovou (51%) ou desaprovou (46%) o presidente Lula (PT).
Foram ouvidas 2.000 pessoas, presencialmente, entre 25 e 27 de fevereiro, para uma margem de erro de 2,2 pontos percentuais. Em relação ao trabalho do presidente, a desaprovação atingiu 62% entre os evangélicos entrevistados, sendo que 35% disseram que o aprovam. Entre os católicos, por sua vez, o presidente Lula foi aprovado por 58% e desaprovado por 39%.
Conforme divulgou o IBGE, a economia vem desacelerando desde 2023, sendo que o crescimento foi nulo a partir do seu terceiro trimestre. A agropecuária, que relativamente pouco emprega mão de obra, se destacou com um crescimento de 15,1% em 2023. As indústrias extrativas cresceram 4,7% e as indústrias de transformação apresentaram uma queda de 1,3%. Serviços cresceram 2,4%.
A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) caiu 3,0% em 2023. A taxa de investimento foi de 16,5% do Produto Interno Bruto (PIB), insuficiente para o Brasil emparelhar com as economias de alta renda. Nesse sentido, o crescimento de 2,9% do PIB em 2023 foi de má qualidade.
Segundo o professor José Luís Oreiro, da Universidade de Brasília, em seu blog, no dia 1º de março, “um crescimento de 2,9% do PIB em 2023 não é sustentável a médio prazo pois irá levar a um aumento da pressão inflacionária, produzindo um fim prematuro do atual ciclo de queda da taxa Selic”. A economia se fragilizou com a desindustrialização e a desnacionalização de setores estratégicos.
Qual é, afinal, a nova agenda de desenvolvimento? Em uma publicação no X, em 29 de fevereiro, o professor Gilberto Maringoni, da Universidade Federal do ABC, ponderou que “a lógica manifestada por Lula de não ‘remoer o passado’ em relação ao golpe de 64, sendo preferível ‘olhar para a frente’ é a mesma utilizada em relação aos governos Temer e Bolsonaro”. As muitas insatisfações populares estão retratadas nas pesquisas de opinião.