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Rafael Furlanetti

Quando a saúde se torna estratégia de desenvolvimento

Dra. Ludhmila adverte que, embora a humanidade tenha aprendido a construir máquinas capazes de processar informações em velocidades impressionantes, ainda convive com milhões de pessoas sem acesso adequado à saúde

Publicado em 24 de Junho de 2026 às 04:35

Públicado em 

24 jun 2026 às 04:35
Rafael Furlanetti

Colunista

Rafael Furlanetti

Recentemente, tive a oportunidade de realizar um check-up com Ludhmila Hajjar. Entrei para fazer exames de rotina. Saí refletindo sobre algo muito maior: o futuro da saúde, da economia e da própria sociedade.


A Dra. Ludhmila é uma das vozes mais respeitadas da Medicina brasileira. Professora da Faculdade de Medicina da USP, pesquisadora e especialista em cardiologia, terapia intensiva cardiovascular e cardio-oncologia, ela construiu uma trajetória que combina excelência científica, atuação clínica e compromisso com os grandes desafios da Saúde pública.


Mais do que médica, tornou-se uma liderança pública da Saúde. Não porque ocupe um cargo político, mas porque compreendeu que é possível transformar a sociedade por meio da ciência, do conhecimento e da construção de instituições. 

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Em um país que frequentemente associa influência ao exercício de mandatos, ela demonstra que a contribuição para o interesse público também pode nascer dos hospitais, das universidades e dos centros de pesquisa.


Nossa conversa começou pela prevenção, mas rapidamente avançou para temas que interessam a toda a sociedade.


Estamos vivendo mais. Isso muda tudo. O envelhecimento da população brasileira já não é uma projeção distante. Nas próximas décadas, milhões de pessoas demandarão mais prevenção, diagnósticos precoces, acompanhamento médico e cuidados continuados. Muitos enxergam esse fenômeno apenas como um desafio fiscal. É uma visão incompleta.


Estamos diante da formação de um dos maiores mercados do século XXI: a economia da longevidade. Saúde, biotecnologia, equipamentos médicos, telemedicina, medicina preventiva, inteligência artificial aplicada ao diagnóstico, novos medicamentos e serviços especializados formarão uma cadeia econômica capaz de gerar empregos qualificados, inovação e desenvolvimento.


A inteligência artificial já auxilia médicos na interpretação de exames e na identificação precoce de doenças. A cirurgia robótica avança rapidamente, tornando procedimentos mais precisos e menos invasivos. A medicina de precisão permitirá tratamentos cada vez mais personalizados.


Essa visão inspira iniciativas inovadoras no Brasil, como o Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente (ITMI), projeto liderado pela Dra. Ludhmila, concebido para integrar inteligência artificial, ciência de dados, pesquisa clínica e formação de profissionais de saúde. Iniciativas estruturantes dessa natureza mostram como tecnologia, conhecimento e assistência médica podem caminhar juntos.


Nesse ponto, a Dra. Ludhmila adverte que, embora a humanidade tenha aprendido a construir máquinas capazes de processar informações em velocidades impressionantes, ainda convive com milhões de pessoas sem acesso adequado à saúde, à educação, ao saneamento e às oportunidades mais básicas.

Ludhmila Hajjar, médica cardiologista que é referência no tratamento da Covid-19 no Brasil
Ludhmila Hajjar Sérgio Lima

A tecnologia, lembra ela, não é sinônimo automático de progresso. Uma inovação só cumpre sua função quando melhora efetivamente a vida das pessoas. A inteligência artificial só será verdadeiramente revolucionária se ampliar acesso, acelerar diagnósticos e reduzir desigualdades. Caso contrário, poderá apenas tornar mais sofisticadas as exclusões que já existem.


De meu lado, vejo nessa reflexão uma conexão direta com desenvolvimento econômico. Não existe sociedade próspera sem saúde. Não existe produtividade sustentável em uma população adoecida. Investir em saúde não é apenas uma questão humanitária. É uma estratégia de crescimento.


Os países que liderarão a próxima fase do desenvolvimento serão aqueles capazes de combinar ciência, tecnologia, educação e inclusão social. Serão aqueles que entenderem que inovação não deve ser privilégio de poucos, mas instrumento para ampliar oportunidades.


Nesse contexto, o Espírito Santo tem uma oportunidade. A localização estratégica, próxima a grandes centros urbanos do país, a qualidade de vida e a capacidade de atrair investimentos criam condições favoráveis para o desenvolvimento de iniciativas ligadas à saúde, à longevidade e à inovação médica, inspirando-se em experiências de excelência já existentes no país, como o projeto de hospital inteligente idealizado pela Dra. Ludhmila em São Paulo.


Por que não nosso estado se tornar um hub de saúde, um ecossistema integrado envolvendo universidades, hospitais, centros de pesquisa, startups de healthtech, laboratórios, empresas de equipamentos médicos, clínicas especializadas e serviços voltados ao envelhecimento saudável? Saúde e desenvolvimento caminhando juntos.

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Ao final da consulta, percebi que o verdadeiro valor de um check-up não está apenas nos exames ou nos diagnósticos. Está na possibilidade de olhar para frente. E o que enxergamos no horizonte é uma revolução sem precedentes. 


A medicina será mais tecnológica, os diagnósticos serão mais rápidos e os tratamentos mais precisos. Mas o sucesso dessa transformação não será medido pela sofisticação das máquinas. Será medido pela capacidade de fazer com que mais pessoas vivam mais, vivam melhor e tenham acesso aos benefícios do progresso.


Porque uma sociedade não é definida apenas pelas tecnologias que desenvolve. É definida pelo número de pessoas que consegue incluir em seu futuro.

Rafael Furlanetti

Capixaba de São Gabriel da Palha, é sócio e diretor de Relações Institucionais da XP e presidente da Ancord (Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários, Câmbio e Mercadorias). Escreve quinzenalmente neste espaço sobre empreendedorismo, inovação e negócios ao público do Espirito Santo

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