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"Economia prateada"

O mercado da longevidade cria novas oportunidades para o Brasil

A longevidade proporciona a abertura de um campo enorme de novos negócios para o futuro. Há espaço para quem quiser inventar, inovar, criar e trabalhar muito, porque surgirão novas necessidades que ainda nem enxergamos

Publicado em 02 de Abril de 2025 às 04:00

Públicado em 

02 abr 2025 às 04:00
Rafael Furlanetti

Colunista

Rafael Furlanetti

Recentemente, nas conversas que tenho com empreendedores de todo o Brasil, descobri um negócio novo e interessante no setor imobiliário, voltado para pessoas com mais idade. Um amigo projeta criar em São Paulo um residencial voltado para quem já está na maturidade.
É cada vez mais comum ver pessoas de 60, 70, 80 anos ou mais vivendo sozinhas em apartamentos grandes, trabalhosos e até perigosos. O risco de quedas sempre existe, e o isolamento compromete a saúde mental.
O projeto que conheci oferece a esse público a oportunidade de morar em unidades de até 150 metros quadrados, num condomínio que propicia autonomia, independência, convivência com outras pessoas e que oferece uma série de atividades e serviços. Em outras palavras, um investimento em qualidade de vida.
Duas das maiores preocupações das famílias com parentes idosos que vivem sozinhos — sejam eles pais, avós ou bisavós — são os efeitos da solidão e a falta de assistência imediata em uma emergência. Um empreendimento desse tipo pode atender a essas necessidades. E, como sempre digo, toda ideia que resolve um problema cria um grande negócio.
O Brasil está envelhecendo rapidamente. Repare no seu bairro, nas ruas, entre os amigos. As famílias têm menos filhos, há menos crianças no seu condomínio e nas escolas. Há menos maternidades e babás e mais cursos para cuidadores de idosos. Há um maior número de pessoas acima dos 60 anos se exercitando nas academias e nos parques, muitos ainda trabalhando e gerando renda.
Essa realidade fica mais clara quando olhamos os números do Censo, feito pelo IBGE. Os brasileiros com mais de 65 anos passaram de 7,4% para 10,9% da população de 2010 para 2022. É um aumento astronômico, de 57%. No mesmo período, a idade mediana dos brasileiros subiu de 29 para 35 anos. Hoje, o Brasil tem 55 idosos para cada grupo de 100 crianças e adolescentes de 0 a 14 anos. Em 2010, eram 30.
Essa tendência veio para ficar. O IBGE projeta que, em 2070, 37,8% dos habitantes do Brasil serão idosos – ou seja: cerca de 75 milhões de pessoas terão 60 anos ou mais. A longevidade é uma realidade. As pessoas estão vivendo mais e querem viver melhor. Isso provoca mudanças estruturais no país.
Por um lado, a longevidade exige medidas dos governos. O Brasil fez uma reforma da Previdência em 2019, que aumentou o tempo de contribuição até a aposentadoria, pois teremos mais gente vivendo mais tempo e menos trabalhadores para sustentar a previdência. Provavelmente precisaremos de outra reforma em breve. Sem falar em ações dos governos direcionadas a questões como saúde, mobilidade, adequação de calçadas e mobiliário urbano, educação continuada, inclusão digital, segurança, entre outras.
Por outro lado, a longevidade abre espaço para novos negócios e expande a atuação de profissionais, como gerontólogos e cuidadores de idosos. O mercado voltado para pessoas com mais de 50 anos é chamado de “economia prateada”. Consultorias estimam que esse mercado movimente no Brasil R$ 1,8 trilhão por ano, em segmentos como saúde, turismo, tecnologia e moradia, entre outros.
Longevidade
Longevidade Crédito: Shutterstock
O Brasil já foi conhecido como um país dos jovens, por isso tantos negócios eram voltados para eles. Hoje, a longevidade proporciona a abertura de um campo enorme de novos negócios para o futuro. Há espaço para quem quiser inventar, inovar, criar e trabalhar muito, porque surgirão novas necessidades que ainda nem enxergamos.
Há 70 anos, alguns brasileiros enxergaram oportunidades no campo e, hoje, temos um dos agronegócios mais competentes do mundo. Agora, podemos fazer o mesmo em relação ao mercado da terceira idade.

Rafael Furlanetti

Capixaba de Sao Gabriel da Palha, e socio e diretor de Relacoes Institucionais da XP e presidente da Ancord (Associacao Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Titulos e Valores Mobiliarios, Cambio e Mercadorias). Escreve quinzenalmente neste espaco sobre empreendedorismo, inovacao e negocios ao publico do Espirito Santo

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