Quinze anos atrás, quando a Petrobras extraiu os primeiros óleos do pré-sal no campo de Jubarte, na porção capixaba da Bacia de Campos, muita gente dizia que o Espírito Santo viraria uma nova Arábia. E, tirando o exagero, isso é um pouco verdade. Nesses quinze anos, o Espírito Santo virou o terceiro maior produtor de petróleo no país e, graças ao impacto do pré-sal, se tornou o segundo estado com maior participação da indústria na economia. O petróleo ajudou o Estado a se desenvolver e oferecer melhores serviços para seus cidadãos.
Como parte do meu trabalho no mercado financeiro, eu viajei nos últimos doze meses a dezenas de países, conversei com líderes de vários governos e me reuni com empresários dos mais diferentes setores. Fiquei impressionado como alguns países estão se preparando para um momento em que a economia vai rodar a partir da energia renovável, da inteligência artificial e da biotecnologia.
Países como Arábia Saudita, Omã e Emirados Árabes Unidos, que todos imaginam como sinônimos de petróleo, já estão se planejando para o tempo em que o óleo não será mais o motor das suas economias. Na visão de desenvolvimento econômico desses países, o foco está na diversificação.
Outras nações, como a Irlanda e a Estônia, investiram na preparação de sua mão-de-obra e, em uma geração, se tornaram hubs das principais plataformas digitais. Elas seguem o exemplo da Coreia do Sul, que nos anos 1970 tinha níveis de educação piores que o Brasil, e em menos de 40 anos se tornou referência mundial em alta tecnologia.
Mais do que o tamanho dos desafios de cada país, quero destacar a capacidade que eles têm de antecipar uma crise. Em vez de dobrar a aposta no petróleo ou investir para atrasar a transição tecnológica para uma economia mais limpa, vários países árabes estão usando o dinheiro que acumularam para preparar seu lugar no futuro como uma economia com energia menos poluente. Ao incentivar a instalação de empresas de tecnologia e melhorar a qualidade de suas universidades, a Irlanda atraiu para lá alguns dos melhores cérebros europeus.
É um bom início. Nosso Estado precisa se preparar para o fim do ciclo do petróleo e da
redução dos incentivos fiscais decorrentes da reforma tributária. Precisamos aproveitar os próximos anos para investir na formação de mão-de-obra, atrair empresas de inovação tecnológica, crédito de carbono, logística e educação. Temos o potencial para liderar os rankings de qualidade do Ensino Médio e de pesquisa em energia renovável.
O Espírito Santo é um Estado privilegiado no Brasil. Tem o quinto melhor índice de desenvolvimento humano do país, é o terceiro maior produtor de petróleo, tem uma infraestrutura invejável e acertou as suas contas públicas antes de todo mundo. E justamente por estar hoje num nível melhor que muitos vizinhos é que o nosso Estado precisa começar a se preocupar em ser ainda melhor.