Começamos 2025 com desafios impostos por 2024. As condições para quem investe ou empreende não são fáceis no momento. A bolsa brasileira caiu 35% em dólar no ano passado, apesar de grande parte das empresas que compõem o principal índice serem beneficiadas pela alta da moeda. Isso aconteceu inclusive com as maiores companhias.
Para as empresas, o mau desempenho do mercado acionário significa ter um canal a menos para buscar financiamento. E recorrer a outros canais é mais difícil num ambiente em que o dólar está alto, assim como os juros, que já atingiram os 12,25% ao ano e subirão pelo menos mais dois pontos percentuais nos próximos meses. Tomar dinheiro emprestado está caro. Se as empresas têm dificuldades para se financiar, vão investir menos, e a perspectiva de crescimento se reduz.
Mais uma vez, temos um meio ambiente econômico adverso, daqueles que estamos acostumados a ver no Brasil. Mas, como já falei aqui, sobreviver e crescer no mercado, em especial no nosso país, exige uma combinação de fatores, como resiliência e criatividade – além de fé no próprio negócio e na capacidade de se recriar.
2025 vai exigir foco na rotina dos negócios. Como empréstimos serão difíceis, uma boa gestão dos fluxos financeiros vai se tornar essencial, com um controle de custos bastante atento e estratégias para fugir dos efeitos do câmbio. Ao mesmo tempo, 2025 exigirá aquela capacidade de olhar para fora da rotina: momentos de crise proporcionam oportunidades interessantes e, para aproveitá-las, é preciso ter criatividade.
Quando as condições ficam desfavoráveis, os clientes mudam hábitos para se adaptar. Quem percebe isso antes e cria algo diferente para atender às necessidades dos seus clientes tem maiores chances não só de se manter, como até de crescer em meio à adversidade.
Já enfrentamos situações assim várias vezes no Brasil. Ao examinar as condições dadas, percebemos que há nuances. Cada negócio tem suas particularidades. No caso do Espírito Santo, há setores que se beneficiam do dólar alto, como petróleo e celulose. Empresas relacionadas a esses dois setores tendem a aproveitar melhor a situação atual. As que são prejudicadas pelo câmbio devem buscar alternativas, muitas vezes criando demandas no mercado interno.
O mais importante para investimentos ou negócios é deixar de lado o pessimismo, ser pragmático e focar o cliente. Mais do que nunca, vale a noção
que citei outro dia do "Jogo Infinito", de Simon Sinek: olhar os negócios como jogos que nunca terminam. Não é uma questão de ganhar, mas de sobreviver. E sobreviver em momentos difíceis significa se adaptar, se reinventar.
O foco no cliente é o ponto principal para enfrentar um meio ambiente adverso nos negócios. Identificar nichos em que as condições ruins do mercado tenham menor impacto ou até possam ser convertidas em vantagens, em vez de obstáculos. A chave para 2025 será transformar dificuldades em aliadas.