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Crítica

Série "WeCrashed", da AppleTV+, é boa apesar de Jared Leto

Anne Hathaway brilha, mas Jared Leto quase põe tudo a perder em "WeCrashed", (mais uma) série sobre um golpista que se aproveita da ânsia do mercado por novos investimentos

Publicado em 22 de Março de 2022 às 18:15

Públicado em 

22 mar 2022 às 18:15
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz

Jared Leto e Anne Hathaway em "WeCrashed", série sobre a farsa da ascensão da WeWork Crédito: AppleTV/Divulgação
É interessante como após anos e anos contando histórias de pessoas bem sucedidas e gênios que tiveram ideias brilhantes e mudaram o mundo, a indústria se voltou para contar histórias de pessoas que buscavam o mesmo nível de sucesso, dinheiro e fama, mas por caminhos nem sempre legais. Séries recentes como “Inventando Anna” (Netflix), “The Super Pumped” (ainda inédita por aqui) ou a ótima “The Dropout” (Star+), sem contar os diversos documentários, acompanham golpistas que se aproveitam da ânsia de um mercado de especulações em busca do novo Uber, Spotify, Airbnb, Nubank ou a startup do momento para enriquecer - o que importa, afinal, não é o que se vende, mas a imagem que se passa.
“WeCrashed”, lançada pela AppleTV+, segue a mesma linha. Baseada no podcast “WeCrashed: The Rise and Fall of WeWork”, a série acompanha a ascensão e a queda da WeWork, uma empresa surgida nos EUA, em 2010, com a proposta de alugar imóveis em cidades diversas e transformá-los em espaços de coworking para jovens empreendedores. A WeWork ainda existe e funciona, inclusive no Brasil, mas sua valorização é bem inferior aos US$ 47 bilhões que se especulava antes da IPO, a oferta pública inicial na Bolsa de Valores. A ideia do fundador Adam Neumann era valorizar a empresa com seu discurso apaixonado, levá-la ao mercado e lucrar com isso.
É às vésperas da oferta que “WeCrashed” tem início, com Adam (Jared Leto) e sua esposa, Rebekah (Anne Hathaway) nervosos com a publicação de uma matéria e chegando à empresa para serem informados que a IPO não iria mais acontecer. A série logo nos leva ao passado, quando Adam, falido, buscava emplacar algum projeto e se considerava um “empreendedor em série”. Neste momento, a série funciona como uma comédia romântica e nos leva ao primeiro encontro entre Adam e Rebekah, o crescimento da relação e o casamento.
“WeCrashed” opta por não tornar seus protagonistas figuras adoráveis - às vezes é até difícil acreditar que Adam foi capaz de enganar tanta gente, mas o que faltava de carisma natural, sobrava em paixão e compreensão de um momento. A WeWork é tudo o que se imagina de uma startup: frases motivacionais em neon, fliperamas no trabalho, ping-pong, festas cheias de bebidas, drogas e sexo no ambiente de trabalho, um combo mais do que atrativo para jovens às voltas com um mercado de trabalho de poucas oportunidades e com empresas conservadoras.
"WeCrashed", série da AppleTV+ sobre a fraude da WeWork Crédito: AppleTV/Divulgação
Naturalmente exagerado, Jared Leto caminha perigosamente sobre a linha do ridículo, o que é reforçado pela prótese que usa no nariz e que torna seu Adam uma versão estranha do próprio Leto. O ator pesa a mão no sotaque israelense do protagonista, que soa mais como o Borat do que como o Adam real - basta uma busca no YouTube para perceber o exagero.
Em contraposição a Leto, Anne Hathaway está excelente e utiliza bem o texto que lhe é entregue. Rebekah é uma mulher complexa e bem desenvolvida pelo roteiro, que lhe confere camadas e profundidade com arcos pessoais além da WeWork. A personagem tem um pulsante desejo de ser reconhecida, mesmo que não saiba exatamente pelo que quer esse reconhecimento. O roteiro utiliza o parentesco de Rebekah com a atriz Gwyneth Paltrow é utilizada como piada recorrente durante a série.
Jared Leto e Anne Hathaway em "WeCrashed", série sobre a farsa da ascensão da WeWork Crédito: AppleTV/Divulgação
“WeCrashed” escolhe ser um estudo de personagens e deixa em segundo plano as questões que os cercam. Assim, a ânsia capitalista, a especulação e até a própria fraude de Adam perdem força. Da mesma forma, o texto apresenta bons coadjuvantes, mas que nunca são propriamente desenvolvido - Miguel (Kyle Marvin), cofundador da WeWork, por exemplo, é usado apenas como muleta dramática em alguns momentos. Em outros, como o início do terceiro episódio, a narrativa aposta em acompanhar uma nova funcionária da empresa da empolgação inicial à fadiga causada pela repetição e por um discurso bonito na teoria, mas muito longe de ser colocado em prática
Essa característica tira peso das práticas da empresa e mostra o texto bem mais preocupado em criar Adam como o líder de uma seita, mas se esquece de quão atrativo seria um mergulho na “seita”, nas tóxicas práticas “disruptivas” de frases bonitas e no pouco reconhecimento - se toda farsa é tão clara, por que ela ainda atrai tanta gente?
Com a disponibilidade de tanto material sobre farsas, “WeCrashed” não se apresenta como a mais atrativa ou a melhor. Ainda assim, o recorte sobre a farsa da WeWork e a crítica ao sistema de especulação de valores, ainda que superficial são interessantes o suficiente para sustentar a série. Da mesma forma, a presença da ótima Anne Hathaway equilibra todos os exageros de Jared Leto, que destoa completamente do tom do personagem que interpreta.

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

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