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Crítica

Série "High Fidelity" é ótima, mas chega cancelada ao Starzplay

Série baseada no livro/filme "Alta Fidelidade" reimagina a história criada por Nick Hornby em uma deliciosa comédia romântica cheia de música e cultura pop

Publicado em 17 de Setembro de 2020 às 14:56

Públicado em 

17 set 2020 às 14:56
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz

Série
Série "High Fidelity" Crédito: Starzplay/Divulgação
Lançado em 2000, o filme “Alta Fidelidade” marcou a geração que cresceu consumindo cultura dos anos 1980 e 90. Adaptando o livro de Nick Hornby para os cinemas, o diretor Stephen Frears abriu novos horizontes para muita gente - foi a partir dele, por exemplo, que conheci o trabalho de Hornby (ainda hoje um de meus autores favoritos) e pensei pela primeira vez que talvez todo aquele tempo gasto ouvindo música, vendo filmes, lendo livros e discutindo sobre tudo isso em intermináveis conversas com os amigos talvez não fosse um desperdício.
O filme (e o livro) acompanhava Rob (John Cusack), o proprietário de uma loja de discos de vinil, a Championship Vinyl, às voltas com o término de um relacionamento. Entramos da intimidade de Rob e seus amigos e nos encantamos com o texto ágil e divertido de Hornby em meio a listas de Top 5 de tudo o que você possa imaginar.
“Alta Fidelidade” é o retrato da época em que foi lançado e seu aspecto lúdico, de um filme sobre cultura pop transformado em comédia romântica, até ajuda a esconder que o comportamento de seus protagonistas era, por vezes, bem infantil. Rob, em resumo, era um adorável idiota egoísta.
Duas décadas depois, chega às telas a série “High Fidelity” (assim mesmo, sem tradução), disponibilizada no Brasil pelo serviço de streaming Starzplay, que tem, mesmo com atraso, lançado as séries do Hulu por aqui.
A princípio, a série é praticamente uma reimaginação do filme/livro com a simples substituição do protagonista - Rob continua sendo Rob, mas agora é uma mulher, Robyn, vivida por Zoë Kravitz; a mudança de gênero também ocorre com Barry, personagem de Jack Black no filme que agora é Cherise (Da'Vine Joy Randolph). De resto, o cenário é praticamente o mesmo: a loja de discos, as listas, as referências musicais, a quebra da quarta parede e, claro, os rompimentos que funcionam como força motriz à trama.
Série
Série "High Fidelity" Crédito: Starzplay/Divulgação
Ao longo dos 10 episódios da primeira (e única) temporada, o público acompanha Rob buscando entender seu comportamento para, assim, compreender sua solidão. Ao contrário do que acontece no material original, em que a busca do personagem de Cusack é por uma satisfação pessoal, a nova Rob parece buscar em seus antigos relacionamentos uma resposta para o sentimento de vazio que tem tomado conta dela.
Em formato seriado e com mais tempo de tela, “High Fidelity” ganha novas camadas e mais tempo de desenvolvimento. Enquanto a série obviamente gira em torno de Rob, Simon (David H. Holmes) ganha um episódio só seu, um dos melhores da temporada.
Ágil, a série oferece uma aula de narrativa e montagem. O texto é ágil e joga referências pop o tempo todo em tela, cabe ao espectador acompanhar o ritmo. Ironicamente, éjustamente aí também que a série tem seu ponto fraco - enquanto, para uns, os diálogos e as listas são um deleite, para muitos aquilo é apenas enrolação e informação vazia. “High Fidelity”, assim, encontra dificuldade para conquistar o público fora de um nicho, o que talvez justifique seu cancelamento pelo Hulu após o fim da primeira temporada.
Isso, porém, não deve ser um empecilho para quem quiser curtir a série. “High Fidelity” é divertida, bem-feita e conta uma história de desilusões amorosas com a qual é fácil se relacionar. Os 10 episódios formam um arco bem definido e têm conclusão satisfatória e bem diferente da do filme/livro. A temporada segue por caminhos bem similares, mas se distancia do material original com o tempo e se torna algo novo, uma nova história de amor e autoconhecimento.
É interessante, ainda, tratar a série como um retrato de mudanças dos tempos. Quando Hornby escreveu o livro, em 1995, os vinis estavam ultrapassados e a loja de Rob, por isso, vivia em crise. Hoje, as bolachonas voltaram a ser objeto de desejo e consumo, o que é bem retratado na série, que também é precisa ao mostrar as transformações comportamentais dos últimos 20 anos - influencers, redes sociais, questões de gênero, etc.
“High Fidelity” é ótimo entretenimento, com linguagem pop e uma trilha sonora incrível. Zoë Kravitz (cuja mãe, Lisa Bonet, está no filme de 2000) mostra domínio total de cena e brilha nos momentos em que conversa com o espectador, com uma postura blasé para esconder sua fragilidade emocional. Mesmo que a temporada tenha um final satisfatório, é uma pena que a série tenha sido cancelada, pois as possibilidades oferecidas à história pela narrativa seriada são ótimas e alguns arcos criados por Hornby não foram totalmente explorados pela série.

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

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