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Crítica

"Rainhas em Fuga", da Netflix, é um filme que vai te fazer bem

"Rainhas em Fuga" é um road movie frenético. Filme traz a história de quatro amigas cruzando o México em uma jornada de aventuras e descobertas

Publicado em 18 de Abril de 2023 às 21:08

Públicado em 

18 abr 2023 às 21:08
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz

Filme mexicano
Filme mexicano "Rainhas em Fuga", da Netflix Crédito: Netflix/Divulgação
“Rainhas em Fuga”, filme mexicano da Netflix, é um road movie de aventura protagonizado por mulheres que repetem a todo tempo ser necessário “se perder para se encontrar”. Dirigo pelo estreante Jorge Macaya, editor/montador de séries como “El Chapo”, mas em seu primeiro trabalho na direção, o filme parece uma mistura de duas séries espanholas, a boa “Sky Rojo” e a ótima “Garotas do Fundão”.
Com roteiro de Martha Higareda, que vive uma das protagonistas, o filme acompanha quatro amigas de longa data, Paty (Higareda), Estrella (Valeria Vera), Famela (Paola Nuñez) e Marilú (Alejandra Ambrosi), que encontram um caderno com anotações antigas sobre uma viagem que sonhavam fazer e pensam “por que não?”. Sem avisar ninguém, elas partem para o Caribe para realizar os sonhos de adolescência em uma jornada que vai mudar suas vidas.
Quando o filme tem início, encontramos o quarteto em uma perseguição automobilística envolvendo outro carro que parece ocupado por mafiosos. Não entendemos direito o que acontece ali, mas o filme logo volta para explicar o que as levou àquele ponto. No meio do caminho, elas dão carona a Lola (Claudia Pineda), uma dançarina com o carro quebrado na estrada, e se envolvem em algumas confusões que as colocam como alvo de tais capangas. Tanta coisa acontece em “Rainhas em Fuga” que é até difícil respirar.
Com pouco mais de 90 minutos de duração, “Rainhas em Fuga” é um filme enxutíssimo, para o bem e para o mal. Por um lado, há pouco tempo para desenvolver as protagonistas e os dramas de cada uma delas; sabemos que existem problemas no casamento, um marido infiel, uma obsessão pela imagem e por procedimentos estéticos, filhos… Os problemas das quatro se misturam de maneira que nem sempre é possível distingui-los. Por outro lado, o filme é ágil, alternando momentos de ação com cenas dramáticas e humor, nunca se mantendo no mesmo lugar por muito tempo.
Filme mexicano
Filme mexicano "Rainhas em Fuga", da Netflix Crédito: Netflix/Divulgação
O texto de Martha Higareda é melhor quando parte para o humor. O quarteto de protagonistas é ótimo nas trocas rápidas, nas provocações de quem tem intimidade e até em algumas trocas de olhares em que nada precisa ser dito. A velocidade faz com que não exista respiro ou contemplação - é em meio ao caos que Paty, Estrella, Famela e Marilú precisam repensar a vida e entender seus respectivos momentos, gerando diálogos divertidos e situações engraçadas.
“Rainhas em Fuga”, como todo road movie que se preze, é um filme sobre autoconhecimento, descobertas e reforço de vínculos. Afastadas das rotinas, as mulheres conseguem se unem e se apoiam para enxergar o que há de errado em suas vidas e até mesmo, em alguns casos, se reconhecerem como parte do problema. Nada disso, porém, é apresentado como recurso narrativo com ares mais filosóficos, pelo contrário. A maior revelação de uma delas é feita durante uma viagem conduzida por alucinógenos em sequência que mistura “Dragon Ball”, “Street Fighter” e outras referências de jogos e animes.
Filme mexicano
Filme mexicano "Rainhas em Fuga", da Netflix Crédito: Netflix/Divulgação
A estreia de Jorge Macaya na direção é facilitada pelo bom roteiro, mas o diretor faz boas escolhas para entregar um filme leve, que faz bom uso de elementos gráficos e nunca perde a mão. A falta de recursos é visível em uma cena ou outra (como a das galinhas), mas “Rainhas em Fuga” não se preocupa em parecer real - é no absurdo de situações atípicas, mas plenamente possíveis, que o filme tem seu charme e gera identificação com o espectador.

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

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