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Crítica

"Assombrosas": Baseado em "fatos", terror da Netflix diverte

Contando a história "real" do Grupo Hepta, especializado em fenômenos sobrenaturais, filme espanhol tem bons momentos, mas tropeça nas próprias ambições

Publicado em 18 de Abril de 2023 às 15:06

Públicado em 

18 abr 2023 às 15:06
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz

Filme
Filme "Assombrosas", da Netflix, é baseado em eventos reais Crédito: Netflix/Divulgação
Vendido como uma história “real” (as aspas são importantes), “Assombrosas”, filme espanhl lançado pela Netflix, depende muito do limite do espectador em acreditar o que é ou não real. O filme de Carlos Theron acopanha o grupo Hepta, criado pelo padre Pilón, em 1998, para investigar casos para os quais a ciência não tem resposta. Desde o início o filme faz questão de se apresentar como baseado em fatos, com a utilização de algum material de arquivo para introduzir ao público quem são o padre Pilón (Emilio Gutiérrez Caba) e seu grupo hepta, formado por Sagrário (Belén Rueda), Paz (Gracia Olayo) e Gloria (Toni Acosta).
Após uma breve introdução dos personagens, o filme tem início de fato quando o padre vai investigar um antiquário com relatos de acontecimentos estranhos e onde um crime brutal aconteceu. As coisas saem do controle e o padre acaba em coma, deixando para as mulheres do grupo Hepta o peso de desvendar o ocorrido para, quem sabe, conseguir fazer com que o padre acorde.
Cada uma das personagens é apresentada com uma questão particular para conferir certa profundidade aos personagens, mas são Sagrário, que tenta se comunicar com o marido morto, e Gloria, doida para largar a “profissão” e virar farmacêutica, que ganham mais destaque - Paz, responsável pelas imagens dos eventos, funciona como alívio cômico e para colocar o enxuto roteiro em movimento.
O filme apresenta seu universo, suas regras e possibilidades de maneira didática, mas sem exagero. Na primeira “missão” que presenciamos, o grupo tem a companhia de Pablo (Óscar Ortuño), um jovem estudante de física que faz as vezes do espectador na trama. Tudo é devidamente explicado ao personagem e, consequentemente, ao público, num esforço de deixar a trama perto do possível, de algo que se possa crer ser baseado em fatos.
Filme
Filme "Assombrosas", da Netflix, é baseado em eventos reais Crédito: Netflix/Divulgação
É interessante como Carlos Therón filma essa primeira sequência de terror de forma sóbria, com muitos efeitos práticos, jogo de luzes e maquiagem, com a ação baseada em objetos voando e o medo estampado no olhar das personagens. É curioso, no entanto, como o diretor opta por um caminho mais fantasioso na segunda parte de “Assombrosas”, deixando ainda mais difícil crer que o filme tenha alguma conexão com a realidade.
Do meio para o fim, “Assombrosas” se perde em uma ambição por ser mais grandioso. A principal virada do roteiro é previsível, mas não é isso o que incomoda. Quando se aproxima de sua conclusão, o filme abusa de elementos fantasiosos realizados com efeitos visuais de baixa qualidade, afastando totalmente qualquer possibilidade de alguém realmente acreditar estar diante de fatos ocorridos.
Filme
Filme "Assombrosas", da Netflix, é baseado em eventos reais Crédito: Netflix/Divulgação
Na tentativa de se tornar menos um filme de terror sobrenatural, “Assombrosas” assume um estilo de narrativa fantástica que não faria feio em obras como “Doctor Who”, por exemplo, o que não funciona para o filme. Ao fim, não há recorte de jornal ou fatos apresentados em letreiros após o fim do filme que façam alguém acreditar no que viu.
Mesmo com problemas de roteiro (Pablo é tirado do filme com uma justificativa horrível), “Assombrosas”, talvez até pela sua curta duração (90 minutos), é um bom passatempo e funciona durante algum tempo. A construção do terror da primeira “possessão” é boa, mas todo o resto é muito canastrão e novelesco para ser levado a sério.

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

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