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Dia do Rock

Nove bandas "novas" para você conhecer no Dia do Rock

O bom e velho rock'n'roll já viveu dias (muito) melhores, mas listei algumas "novas" bandas para quem gosta de falar que "não se faz mais rock como antigamente"

Publicado em 13 de Julho de 2021 às 17:51

Públicado em 

13 jul 2021 às 17:51
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz

Banda Auri
Banda Auri Crédito: Enyo Andrade/Divulgação
Já escrevi algumas vezes neste espaço que "o rock está morto", ao menos o rock como conhecíamos, aquele símbolo de subversão, a música que nossos pais não escutavam. Adivinha só, seu pai ouvia rock. Talvez até seu avô ouvisse rock, dependendo da sua idade. O Dia Mundial do Rock foi uma ideia do Phil Collins, o que diz muito sobre a data. Sabe quem não ouve mais rock? O jovem! 
O não surgimento de novas grandes bandas causa um desinteresse nas gerações mais novas, que pouco se importam com um bando de roqueiro de meia-idade (ou até de terceira idade) tocando sempre as mesmas músicas nos mesmos festivais. Ao invés disso, o rap e a música pop dialogam diretamente com as novas gerações. O primeiro ocupa o lugar de rebeldia, enquanto o pop preenche o desejo por apresentações grandiosas. O rock já foi pop. Quantas bandas de rock novas são capazes de encher estádios? Qual foi o último lançamento de uma banda de rock famosa que caiu no gosto dos fãs? Bandas como Metallica, Foo Fighters, Sepultura ou Green Day continuam produzindo, mas os fãs vão aos shows para ouvir "os clássicos".  
Deixando isso de lado, uma ótima discussão para a mesa de um bar, resolvi listar algumas novas bandas que conheci nas minhas eternas buscas por novidades. Já adianto que a lista não tem uma ordem específica e tem muito a ver com meus gostos musicais, mas garanto haver bons nomes nela, do punk/hardcore ao metal. Vale conferir.

Turnstile

A banda carioca Meu Funeral acabou de lançar seu primeiro disco por uma grande gravadora, "MODO FUFU", que já entrega a essência da banda: punk rock cheio de sarcasmo e botando o dedo nas feridas da galera. Músicas como "Punkoxinha", "Coisa de Satanás" e "Acabou, Você Não é Mais Presidente" são direcionadas aos mais conservadores.  A banda prega pluralidade, misturas e experimentos ousados, como a ótima "Dançar", composta em parceria com Tati Quebra Barraco. Isso, meus amigos, é punk.
Lançado em 2020, "The Weight and the Cost" talvez tenha sido o disco mais presente nos fones de ouvido do lado de cá durante a pandemia. É curioso que Brian McTernan, o cabeça da banda, é um nome conhecido na cena hardcore americana, já tendo tocado no Battery e produzido nomes como Hot Water Music, Thrice e Converge. Be Well é um veículo para as angústias de McTernan lidando com a saúde mental, uma mistura do hardcore oitentista com o que se faz hoje. Para quem curte o gênero, imperdível.
O Bandaid Brigade mistura música disco, punk rock, sintetizadores e rock alternativo para criar uma sonoridade interessante - é diferente, mas, ao mesmo tempo, confortável. Parece trilha sonora para filmes de John Hughes nos anos 1980, mas também podem ser trilha para sessões de skate.
Para a galera mais do metal, o Irist é imperdível. A banda do vocalista Rodrigo Carvalho, natural de Iúna, foi escolhida como "a banda de metal sobre a qual todos falarão em 2020" pela revista "Kerrang!". Os planos eram ambiciosos, mas foram obviamente atrapalhados pela pandemia. O Irist lançou seu primeiro disco, "Order From The Mind" ano passado, pela gigante Nuclear Blast. Recomendado para fãs de Gojira, Mastodon, Sepultura, Converge e até das coisas mais pesadas do Alice in Chains.
Quem disse que o ska está morto? Popular nos anos 1990, o ritmo de origem jamaicana voltou a ganhar força na cena independente com bandas como o Skatunes Network e o Kill Lincoln. O Kill Lincoln lançou o ótimo "Can´t Complain" em 2020 e tem sonoridade bem similar à de bandas como o Suicide Machines, Less  Than Jake e, claro, os mestres do Operation Ivy.
Os capixabas da banda Auri têm uma coisa às vezes relegada a um segundo plano no mundo do rock: a sensibilidade pop. O amadurecimento da banda é notável a cada lançamento. "Nó", single lançado neste ano, tem teclados marcantes dando o tom da música, guitarras pesadas e principalmente muita melodia de voz. Uma banda em total consonância com o que se produz de mais pop no rock mundial hoje.
Os canadenses do PUP não são necessariamente uma banda nova, mas apenas agora estão pulando fora do status de queridinha da cena punk/alternativa. A banda tem aquela energia juvenil com uma música que tem a alma niilista do Black Flag e a pegada pop de Green Day ou Weezer. Agressividade, sensibilidade e bom humor na dose certa. 
O Higher Power é uma banda britânica de hardcore em pleno processo de transformação. Em "27 Miles Underwater", lançado em 2020, a banda abraça um lado mais Smashing Pumpkins e Living Colour, ganhando uma sonoridade crossover interessante. Ainda há os vocais agudos à la Snapcase, mas são bem mais variados, com quebras de ritmos e muito peso.
Atual queridinha da cena hardcore, a banda Turnstile era tratada como "talentosa, mas sem foco". A falta de foco, porém, é o que faz dela tão especial. A banda mistura a energia do Bad Brains ao balanço de 311 com até alguma pitada de Red Hot Chili Peppers pré-"Blood Sugar Sex Magik". É questão de tempo, ou da volta dos shows, pra ela deixar de ser uma banda de locais pequenos e passar a tocar em grandes festivais.

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

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