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Entrevista

Matuê, o trapper brasileiro que quebrou recordes no Spotify

Sucesso com singles, o cearense Matuê lança o primeiro disco, "Máquina do Tempo", um trabalho conceitual que vem bombando nas plataformas de streaming e no YouTube e mantém postura "faça você mesmo"

Publicado em 05 de Outubro de 2020 às 19:07

Públicado em 

05 out 2020 às 19:07
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz

Trapper cearense Matuê
Trapper cearense Matuê Crédito: Felipe Vieira/Divulgação
Lançado há pouco menos de um mês, “Máquina do Tempo”, de Matuê, se tornou um fenômeno - seis das sete músicas do disco estrearam no top 10 do Spotify, todas as sete ficaram entre as 15 mais tocadas, inclusive com a música que dá título ao disco na primeira posição; é a melhor estreia de um disco no Spotify Brasil. No YouTube, o clipe da faixa-título já tem 25 milhões de visualizações, dois milhões a mais do que “777-666”, que tem 23 milhões. Todas as músicas do disco ganharam um vídeo e todas têm mais de quatro milhões de visualizações em menos de um mês - “Vem Chapar”, a menos popular, tem 4,6 milhões. Impressionante.
Matuê é Matheus Brasileiro Aguiar, rapper/trapper cearense que completa 27 anos no próximo dia 11 de outubro. A explosão na carreira é recente, foi só em 2017 que ele teve notoriedade com o single “Anos Luz”. Antes do lançamento de seu primeiro disco, Matuê lançou 18 singles, inclusive “Kenny G”, que soma impressionantes 134 milhões de visualizações no YouTube.
Em entrevista via Google Meet, o trapper se mostrou empolgado por finalmente lançar um disco. “O que me inspirou sempre foram discos completos, com sentido, não apenas uma coletânea de músicas”, revela. O receio mostra um músico preocupado não apenas com seus números, que talvez fossem até mais elevados com singles, mas também com a qualidade do seu trabalho. “Era algo que me assustava”, completa.
“Máquina do Tempo” surgiu um pouco antes do período de quarentena imposto pelo novo coronavírus, quando Matuê e sua “equipe” viram que tinham “um apanhado de músicas que faziam sentido”. O músico reuniu o que chamou de um “timaço” e começou a trabalhar nas músicas com calma. “Normalmente a gente está na estrada e não dá tempo de trabalhar tudo com calma. Dessa vez aproveitamos o momento para ficar no estúdio. Queríamos produzir algo pra agradar a galera que me segue, que já tinha essa sede por um produto maior”, conta.
Desse tempo para trabalhar surgiu o Matuê que nós vemos nos clipes do disco, meio psicodélico, neon, cyberpunk e pós-apocalíptico, um sujeito que quer voltar no tempo para corrigir o mundo, mas acaba atacado pelos “agentes do mal”.
“Máquina do Tempo”, o disco, tem a pegada que os fãs esperam do trabalho de Matuê, mas é também recheado de elementos orgânicos. Matuê reproduz, por exemplo, trecho de “Como Tudo Deve Ser”, do Charlie Brown Jr., na faixa-título. “Vem Chapar” tem uma pegada de indie rock, já “É Sal” é quase um reggae, tudo com as rimas características de Tuê, as batidas do trap e os tradicionais efeitos de voz.
“Minha origem e as coisas que eu ouço são assim”, conta o músico que cresceu andando de skate em Fortaleza ouvindo bandas como NOFX, Millencolin, Dead Fish e, claro, Charlie Brown Jr. “Lembro uma vez que fui andar cedo numa pista de skate aqui em Fortaleza e encontrei o Chorão, que ia fazer um show na cidade e me deu um ingresso. Isso foi uma mensagem muito forte pra mim, uma conexão, sabe? Acho que o rap hoje se conecta com o jovem como o rock se conectava antes e a gente leva essa energia pros palcos”, pondera.
O disco tem uma característica nostálgica, muito em função do tema central de retorno e possibilidades. Musicalmente, é interessante notar a urgência de “Máquina do Tempo”, um disco curto, de 19 minutos, em que somente uma música ultrapassa os três minutos de duração - tudo quase punk, característica que Matuê carrega também no seu estilo de “faça você mesmo”.
A dualidade entre nostalgia da viagem no tempo e a modernidade no som de Matuê cria um álbum interessante, que funciona tanto consumido na íntegra quanto com suas músicas soltas e até mesmo em cíclico, já que a última música te leva de volta à primeira. O álbum conceitual também traz um Matuê menos pessoal e mais seguro. Ele já não canta mais “Eu não sei se meu som tem futuro/ Ou se o futuro som que eu lançar vai bombar”, como no ótimo single “A Morte do Autotune”; agora as músicas são quase uma defesa das críticas (inclusive das autocríticas) que acabam vindo com o sucesso: “Energia ruim nós tem de monte / Pra quem quiser vir peitar o bonde / Falador só sabe falar”, canta em “666-777”.
Matuê
Matuê Crédito: Felipe Vieira
“É a música mais pessoal do disco. Sou um cara com muitos altos e baixos na criação. Um dia eu estava meio pra baixo, inseguro, e quis explorar esse sentimento de dúvida. Ela tem essa dualidade, a luta entre o bem e o mal, uma insegurança. Estou no caminho certo? Quando terminei essa música nem acreditei. Pensei: será que entra no disco?”.
Doido para voltar aos palcos, Matuê tem ciência de que o momento não é propício. “Minha equipe esteve toda ocupada e agora a galera da estrada está preparando o show pra quando pudermos voltar. Vamos criar novos elementos gráficos para o palco”, adianta o músico, que revela também que irá lançar em breve uma HQ no mesmo conceito do disco.
“É bom pra galera que está criando diversas teorias sobre o disco e os clipes. Já estava pronta antes do disco sair, então vai ser legal ver se quem acertou ou não”.

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

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