Crítico de cinema e apaixonado por cultura pop, Rafael Braz é Jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

"Bárbaros", da Netflix, continua muito ruim em 2ª temporada

Série alemã sucesso da Netflix, "Bárbaros" apresenta melhorias em segunda temporada, mas roteiro, sustentado por muletas, põe tudo a perder

Vitória
Publicado em 25/10/2022 às 15h19
Série alemã
Série alemã "Bárbaros", da Netflix. Crédito: Krzysztof Wiktor/Netflix

À época, critiquei o baixo nível de qualidade da produção alemã, os figurinos, algumas atuações e principalmente o roteiro, um festival de exposição incapaz de dar profundidade aos personagens. A boa notícia é que, com um orçamento maior, a segunda temporada oferece um significativo salto na qualidade das indumentárias; o texto e os diálogos, todavia, continuam muito ruins.

Em seis novos episódios de 40 minutos (em média), acompanhamos Ari (Laurence Rupp), "o pai original dos alemães", agora casado com Thusnelda (Jeanne Goursaud), um ano depois dos acontecimentos da primeira temporada. As tribos germânicas estão em um momento de relativa paz, mas ainda se escondem dos romanos em pequenos acampamentos nas florestas da região. O Império romano, representado por Tibério (Giovanni Carta) e seu filho Flavus (Daniel Donskoy), quer se vingar do traidor Ari, um germânico criado como romano e líder dos “bárbaros” na Batalha de Teuteburgo.

A nova temporada tem a mesma estrutura da primeira, com um excesso de subtramas e arcos que acabam subdesenvolvidos. O  central, a busca de Ari pelo apoio de Marbod (Murathan Muslu) e uma união dos povos germânicos para lutar contra os romanos, é mal desenvolvido não por falta de tempo, mas por falta de capacidade dos roteiristas o fazerem - é quase como se eles soubessem de onde partir e aonde querem chegar, mas sem ter ideia do que fazer no meio do caminho.

Série alemã
Série alemã "Bárbaros", da Netflix. Crédito: Krzysztof Wiktor/Netflix

Para preencher esse vácuo de ideias, algumas idas e vindas, umas traições, um queerbaiting gigante em uma relação que nunca se estabelece de fato e muitos personagens estúpidos, pois o roteiro depende deles para chegar de ponto A ou ponto B. O excesso de arcos impossibilita qualquer profundidade e ainda deixa Thusnelda, a antiga protagonista, em segundo plano. A dicotomia de Ari com Germanico, por exemplo, é mal explorada - a história de dois irmãos bárbaros, criados por romanos, que escolhem lados diferentes oferece diversas possibilidades. Com tantas subtramas, os conflitos perdem força, se resolvendo rapidamente para que um novo seja apresentado.

O roteiro depende de muletas por falta de soluções mais criativas. A sequência que encerra a temporada, com um gancho gigante para uma próxima, chega a ser risível. Da mesma forma, personagens surgem repentinamente, do nada, para surpreender seus rivais em locais em que seria impossível não serem vistos (a cena entre Germanico, Ari e Marbod, por exemplo). Ainda, o texto se sustenta na burrice de personagens para criar novos arcos (como Thusnelda invadindo e acampamento romano sendo salva por uma figura já conhecida).

Série alemã
Série alemã "Bárbaros", da Netflix. Crédito: Krzysztof Wiktor/Netflix

“Bárbaros” tem algumas sequências de ação que renderiam boas cenas, mas elas acabam limitadas pela falta de orçamento e por uma edição sempre picotada. As sequências, que deveriam ser grandiosas, ou são filmadas em planos mais próximos, para esconder o baixo número de figurantes, ou com takes muito curtos, para esconder a computação gráfica - isso não chega a ser uma crítica, mas uma constatação de limitação que a série não conseguiu superar. Alguns embates são interessantes, como o confronto final, mas ele não sustenta a expectativa criada para se chegar àquele momento e se torna um grande anti-clímax. Assim, o melhor momento da segunda temporada de “Bárbaros” acaba sendo o final do quarto episódio, que pega o espectador relativamente desprevenido e oferece alguns bons minutos de ação em tela.

A segunda temporada de “Bárbaros” é bem menos ruim que a primeira, o que não chega a significar muito. A série alemã da Netflix, porém, foi um sucesso, e se você está entre as pessoas que curtiram a primeira temporada, a segunda oferece entretenimento com uma série que não requer muito esforço intelectual e tem uma trama fácil de ser acompanhada. Se é isso o que procura, a nova temporada de vai te deixar perguntando “quando estreia a próxima temporada de ‘Bárbaros’?”.

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