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Reunião

Meu palpitante coração bateu feliz no sábado capixaba

Mariza Guimarães anualmente aplica sua mágica de fabricar amor, mesmo tendo vivido e sobrevivido a imenso sofrimento,  no Encontro dos Amigos da Praia do Canto

Públicado em 

23 ago 2022 às 02:00
Paulo Bonates

Colunista

Paulo Bonates

Crédito:
Estávamos todos lá, os vivos e os mortos. Meu pai dizia que a saudade é mais intensa que a paixão, já que recupera no coração tudo de bom e mais um pouco. Mariza Guimarães anualmente aplica sua mágica de fabricar amor, mesmo tendo vivido e sobrevivido a imenso sofrimento. Reúne no Encontro dos Amigos da Praia do Canto, que evoluiu para Encontro dos Amigos na Praia do Canto, a mesma quantidade de gente querida que o pessoal do antigo bar Britz e vizinhanças.
Neste ano, como nos anteriores, todos se conhecem ou no mínimo sabem quem são. Mesmo tendo o Encontro do Centro, o Fluminensinho estava inteirinho lá no sábado passado.
Como repórter, percorri os vários grupos nas mesas, ao som de Walesca e família. Cada um perguntando pelos outros, mesmo os que não estavam à vista, mas estavam pulsando no peito. Todos éramos unanimidades.
A saudade cria um insólito vazio e não houve quem não perguntasse, por exemplo, por Ronaldo Nascimento, que passou inteiro para outro plano, mas estava ali. Criou a expressão genial “empacotar sereno” para resumir a pernoite de felicidade e o “Triângulo das Bermudas”.
Impossível citar todos presentes a esse espiritual evento, de modo que vou falando os que me vem à mente. É assim que me lembro do indescritível Rogério 17, e sua forma única de levar a vida, sempre rindo e fazendo rir. Ocorreu-me perguntar a origem do apelido insólito. Cada um carrega uma versão e nada muda com isso.
Lucio Pinto Velho, meu grande comparsa da Psicanálise, e seu irmão, o Pintinho, não estavam visíveis, mas também estavam lá, por exemplo. Dava para sentir, nas conversas jogadas fora. Os subgrupos se revezavam, é como se carregassem um escudeto das agremiações formadas por engenheiros, médicos, empresários, professores e tudo mais.
Havia, entretanto, os não convidados, que se infiltraram e quase atrapalharam o som: o vento sul, o vento macho, e o frio. Mas a turma foi se ajeitando e logo o vento parou de encher o saco dos músicos. As pessoas se ajeitaram de modo que todo mundo ficou feliz.
Aliás, Vitória funciona assim. Ajeita e acolhe o pessoal amado quando é o caso. E era o caso. Quando não é querido... deixa pra lá.
Cristina Abelha e Luigi Oliveira Santos estavam felizes e comunicando-se com a multidão de amigos. Sheyla Silva, a pessoa mais agregadora que conheço, estava lá entre os vivos. Catita estava entre os mortos e foi citado em quase todas as aglomerações. Vivo ou não, a grande verdade é que não faz diferença na arte de amar e considerar.
Dilsinho Varejão, componente das nossas peladas no Praia Tênis e em outros eventos; Guilherme Filgueiras, como sempre um gentleman; Grots do Fluminensinho também foi. Contando os vivos e os do segundo plano de vida, todos estavam lá. Minha querida amiga Eliana Castro escondia os verdes olhares com óculos escuros, mas fui lá e desvendei o seu mistério.
O frio e o vento, percebendo a indiferença da torcida, foi indo embora devagar. Mariza prometera uma surpresa. De repente, adentra o gramado parte da bateria da escola de samba ”Mocidade da Praia”, que anunciou para o próximo desfile carnavalesco uma referência a nós outros. E convidaram a turma para compor uma ala com o nosso nome e emblema.
Tenho todos e todas na cabeça como em um resumo. Mas tem espaços de memória nos quais aparece a pessoa, mas não o nome ou o contrário. Não me queiram mal. É a vida resumindo as coisas.
Vai terminando o espaço de tempo para eu escrever essas mal traçadas linhas. Olho pela varanda, nesta manhã de domingo, e o sol me sorri e manda o vento frio embora.
Quanto a todos reunidos na Praia, de todos os lugares terrenos e não terrenos, mando um beijo, um abraço e um caranguejo.
Dorian Gray, meu cão vira-lata , está desde sábado vestido com a camiseta grife da Turma.

Paulo Bonates

É médico, psiquiatra, psicanalista, escritor, jornalista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo. E derradeiro torcedor do América do Rio.

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