Na última semana, um incidente ocorrido no Terminal de Laranjeiras, na Serra, ganhou destaque na opinião pública. Um homem causou tumulto no terminal e, ao ser abordado, reagiu de forma agressiva contra dois policiais militares. Em resposta, os agentes aplicaram técnicas de uso progressivo da força para conter a situação, garantindo a segurança tanto dos transeuntes quanto do próprio indivíduo envolvido.
O conceito de uso progressivo da força é um dos pilares da formação policial contemporânea. Fundamentado em princípios internacionais de segurança pública e direitos humanos, esse protocolo estabelece que a intervenção policial deve ser proporcional à resistência encontrada, evitando o uso desnecessário da força letal e privilegiando técnicas de contenção menos letais sempre que possível.
No caso do Terminal de Laranjeiras, a ação dos policiais seguiu exatamente essa diretriz. Mesmo diante de uma agressão direta, os agentes evitaram soluções extremas, utilizando estratégias de imobilização para neutralizar a ameaça sem colocar a vida do agressor em risco. Primeiro os policiais tentaram controlar o indivíduo que estava gerando tumulto com a presença policial, comunicação verbal, controle físico e por último a utilização de armas não letais, a saber, spray de pimenta e taser de choque. Somente assim, o indivíduo foi contido e conduzido pelos policiais. Esse tipo de atuação é resultado de um treinamento contínuo, que prepara os profissionais da segurança pública para intervir de forma técnica, controlada e dentro dos limites legais.
A Academia da Polícia Militar do Espírito Santo, na qual comecei atuar como docente desde 2008, mantém seu quadro de disciplinas atualizado, incorporando temas essenciais como uso progressivo da força, inteligência policial e estatística e análise criminal.
Esses componentes curriculares garantem que os futuros policiais militares sejam preparados para atuar em um cenário urbano cada vez mais complexo, onde a segurança pública precisa equilibrar firmeza e legalidade com a necessidade de preservação da vida.
A evolução dos currículos das academias de polícia reflete uma mudança importante na formação policial. Se antes a ênfase estava exclusivamente na disciplina e na resposta repressiva, hoje a abordagem é mais analítica e científica. A incorporação de disciplinas como estatística e análise criminal permite que os policiais entendam padrões de ocorrência e atuem de forma preventiva, fortalecendo as ações de inteligência policial com a aplicação de tecnologias de segurança pública. Já o aprofundamento nos direitos humanos reforça a necessidade de intervenções equilibradas e fundamentadas na legislação nacional e internacional.
Esse avanço na capacitação policial tem impacto direto na confiança da população nas forças de segurança. Quando um cidadão vê policiais atuando com profissionalismo, respeitando protocolos e garantindo a segurança de todos sem excessos, a percepção de justiça e legitimidade da instituição policial cresce. Isso fortalece o vínculo entre a comunidade e os agentes de segurança, um fator essencial para a redução da criminalidade e o fortalecimento do Estado Democrático de Direito.
O caso do Terminal de Laranjeiras demonstra como a boa formação e o treinamento adequado fazem a diferença na atuação policial. A resposta eficaz, proporcional e embasada nas melhores práticas garantiu a resolução de um conflito sem que houvesse feridos graves ou violação de direitos. A segurança pública moderna exige exatamente isso: profissionais bem preparados, que saibam agir com firmeza quando necessário, mas sempre dentro dos limites da lei e da ética profissional.