Conforme abordamos na semana passada, o carnaval brasileiro começa aqui no Espírito Santo. As escolas de samba proporcionaram um verdadeiro espetáculo no nosso Sambão do Povo no último final de semana.
No sábado (22), estive no Sambão com minha família e fomos agraciados com os desfiles dos blocos “Que Loucura”, que destaca a relevância da saúde mental, “Combate à Dengue”, que reforça a importância da união de todos no enfrentamento às arboviroses, e “Vacinação Salva Vidas”, que enfatiza o grande valor da vacinação e do Sistema Único de Saúde (SUS).
Isso mesmo, além de ser uma das maiores manifestações culturais do mundo, o carnaval também é palco para a conscientização de pautas que podem melhorar significativamente a qualidade de vida da população.
Ainda na abertura dos desfiles das escolas de samba do grupo especial, o Reciclafolia foi outro bloco que chamou atenção dos foliões. Esse bloco recolhe de forma organizada as fantasias imediatamente depois que passam pelo Sambão do Povo, desde 2009. O processo de reciclagem e reaproveitamento das alegorias garante que esses materiais tomem um direcionamento adequado para a utilização em municípios do interior do Estado e da região de divisa com Minas Gerais, empreendimentos de economia solidária, blocos de carnaval, grupos de teatro e outras instituições, como Apaes, Pestalozzi, Asilo de Idosos e Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), conforme assinalaram as amigas Adila Damiani e Cida Moschen, em recente artigo publicado em A Gazeta.
Insta salientar que o trabalho do Reciclafolia é realizado por voluntários ecológicos, o que engrandece ainda mais essa ação que possibilita artesãos de municípios capixabas e mineiros reaproveitarem as alegorias das escolas de samba para produzir e comercializar peças de artesanato, transformando materiais que seriam lixo em luxo. Essa ação gera emprego e renda, movimentando as economias solidária e criativa.
O carnaval vai muito além da festa e da folia, ele também pode ser um poderoso instrumento de conscientização e transformação social. No Espírito Santo, os desfiles demonstraram como a cultura pode se aliar a causas essenciais, promovendo reflexões sobre saúde, sustentabilidade e inclusão.
Iniciativas como o Reciclafolia mostram que é possível unir celebração e responsabilidade ambiental, garantindo que o brilho do carnaval se estenda para além da avenida, gerando impacto positivo na vida de muitas pessoas. Que esse exemplo inspire outros estados e cidades a adotarem um carnaval cada vez mais consciente e sustentável!