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Setembro Amarelo

Uma conversa importante sobre o suicídio

É fundamental ter entendimento dos fatores de risco, com o objetivo de implantar políticas públicas de prevenção e controle, tendo como alvo a população mais vulnerável

Publicado em 29 de Setembro de 2021 às 02:00

Públicado em 

29 set 2021 às 02:00
Pablo Lira

Colunista

Pablo Lira

Abraço
É possível identificar os indivíduos predispostos às tentativas de suicídio Crédito: Pixabay
*Com coautoria de Mylene Murad
O dia 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, sendo que desde de 2014 a Associação Brasileira de Psiquiatria em parceria com o Conselho Federal de Medicina organiza nacionalmente o Setembro Amarelo que tem como objetivo conscientizar a população e os profissionais de saúde como identificar os indivíduos susceptíveis e implementar medidas para prevenção e redução do número de casos de suicídio no Brasil. Esse movimento deve ocorrer durante todos os meses do ano.
O suicídio é um tipo de violência intencional, autoprovocada, presente na história da humanidade e nas discussões de filósofos, desde a antiguidade. No mundo, o suicídio figura entre as dez principais causas de óbito, principalmente, na população adulta jovem.
Além dos aspectos relativos ao valor da vida, o suicídio tem um impacto socioeconômico importante. Um óbito pode afetar até seis familiares e quando ocorre em um ambiente com maior concentração de pessoas, tais como escolas ou trabalho, pode alcançar centenas de pessoas.
O suicídio no Brasil representa 6,8% das mortes por causas externas, figurando o país como quarto colocado nesse triste ranking de casos na América Latina atrás, apenas, de Guatemala, México e Chile.
Existem perfis e aspectos de risco descritos para o suicídio no mundo, entre eles: o sexo masculino, a faixa etária ente 15 e 44 anos, ser morador de área urbana, estar desempregado, viver só e possuir doença psiquiátrica. Entre os fatores ambientais, evidenciam-se os estressores como separações, problemas financeiros, acesso facilitado a meios como medicamentos, venenos, armas de fogo e exposição de casos de suicídio na mídia.
É importante conhecer o perfil epidemiológico do potencial suicida, que varia de acordo com a população pesquisada, para o entendimento dos fatores de risco envolvidos na prática do suicídio, com o objetivo de implantar políticas públicas de prevenção e controle, tendo como alvo a população mais vulnerável.
Na dissertação, recentemente defendida pela Dra. Mylene Murad no Programa de Mestrado em Segurança Pública da Universidade de Vila Velha (UVV), intitulada “Perfil Epidemiológico dos Casos de Tentativa de Suicídio notificados no Município de Vila Velha - ES”, foi constatado que ser mulher, ser solteiro ou divorciado, ser adulto jovem e morar na zona urbana e possuir histórico prévio de tentativas de tirar a própria vida são fatores de risco nos munícipes de Vila Velha para tentativas de suicídio.
Com base nesses perfis municipais mais detalhados, pode-se identificar os indivíduos predispostos às tentativas de suicídio, permitindo a elaboração e aprimoramento de políticas públicas específicas que visam a prevenção e tratamento desses indivíduos. Nesse sentido, a ciência contribui para reforçar a empatia e a valorização da vida de nossos familiares ou amigos que se encontram em momentos de dificuldade.
* É mestre em Segurança Pública pela UVV, professora de Medicina da UVV e médica da Vigilância Epidemiológica da Prefeitura Municipal de Vila Velha (PMVV)

Pablo Lira

Pós-Doutor em Geografia, mestre em Arquitetura e Urbanismo (Ufes), pesquisador do IJSN e professor da Universidade Vila Velha (UVV). Escreve às quartas

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