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Turismo no ES

Turistas, eu sei o que vocês fizeram no verão passado

O “filme” do turismo capixaba está longe do suspense da década de 1990, ele entra em cartaz como uma produção que mistura ação e romance, com cenas de desenvolvimento, experiências marcantes e boas histórias para contar em 2026

Públicado em 

08 abr 2026 às 04:00
Pablo Lira

Colunista

Pablo Lira

Caro leitor da coluna, lembra daquele filme de suspense de 1997 chamado “Eu sei o que vocês fizeram no verão passado”? Pois é… com os dados mais recentes do Observatório do Turismo, sabemos com precisão o que os turistas realmente fizeram no território capixaba neste verão.
E tem um detalhe interessante: o “filme” do turismo capixaba está longe do suspense da década de 1990, ele entra em cartaz como uma produção que mistura ação e romance, com cenas de desenvolvimento, experiências marcantes e boas histórias para contar.
Vamos às evidências, meu caro Watson! De acordo com o Boletim da Economia do Turismo, o Espírito Santo apresentou uma expansão de 5,4% nas atividades turísticas na comparação dos quartos trimestres de 2024 e 2025, resultado superior às médias do Sudeste (+2,1%) e Brasil (+1,5%). Com esse desempenho de crescimento, o ES se destacou em 5º lugar no ranking dos estados brasileiros, sendo superado pelo Pará (+11,5%), Rio de Janeiro (+10,5%), Rio Grande do Sul (+9,1%) e Amazonas (+8,4%). Goiás (-10,3%), Minas Gerais (-6,7%) e Santa Catarina (-3,4%) contabilizaram as piores variações das atividades turísticas na mesma base de comparação.
E os turistas capixabas, o que eles fizeram no verão passado? As respostas vêm de uma pesquisa amostral do Observatório do Turismo, que entrevistou 2.500 visitantes em 17 municípios entre os dias 9 e 25 de janeiro de 2026, com 95% de nível de confiança e margem de erro de 5%.
O perfil predominante revela turistas entre 41 e 50 anos (29,2%). Em termos de escolaridade, 40,4% possuem ensino superior completo e 35,6% concluíram o ensino médio. A renda também indica um público com capacidade de consumo relevante, a saber, 33,6% situam-se entre 2 e 5 salários mínimos, enquanto 25,8% estão na faixa de 5 a 10 salários mínimos.
No que diz respeito à origem, 58,3% vieram de outros estados, 40,8% se deslocaram dentro do próprio ES e 0,9% foram turistas internacionais. O principal motivo da viagem é o lazer, responsável por 86,3% dos casos. E não por acaso, 57,2% escolheram o estado por seus atrativos naturais, como praias, rios, cachoeiras e montanhas. São cenários que, sem exagero, oferecem o palco perfeito para cenas de ação no litoral com ondas e esportes, bem como takes de romance nas regiões serranas, com café colonial e jantar com vinhos e luz de velas.
Na Praça do Papa, passageiros que esperam por ônibus de viagens interestaduais ficam sem abrigo. Muitos buscam se proteger do sol sob as árvores e a corbetura do estacionamento dos carros.
Na Praça do Papa, passageiros dos ônibus de viagens interestaduais Crédito: Carlos Alberto Silva
A viagem em família predomina, representando 65,7% dos casos. Quanto à hospedagem, 31,2% optaram por casas ou apartamentos alugados, 28,6% por hotéis e pousadas e 24,5% ficaram em residências de parentes e amigos. O acesso ao estado também revela um padrão interessante, 61,7% chegaram em automóvel próprio, 14,5% em ônibus de linha e 12,5% por via aérea.
Por fim, a avaliação desse “filme” é altamente positiva. Nada menos que 98,6% dos turistas recomendariam o Espírito Santo, enquanto 90,9% afirmaram que suas expectativas foram atendidas ou superadas. Em outras palavras, o turismo capixaba não apenas saiu bem na fita, ele vem consolidando uma narrativa consistente de crescimento, atratividade e satisfação, com potência para ampliar ainda mais seu protagonismo no cenário nacional.

Pablo Lira

E diretor-geral do Instituto Jones dos Santos Neves. Pos-Doutor em Geografia, mestre em Arquitetura e Urbanismo (Ufes), pesquisador do IJSN e professor da Universidade Vila Velha (UVV). Escreve as quartas

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